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Mundo

Ségolène Royal é promessa de renovação

Mãe de quatro filhos, Ségolène Royal poderá se tornar a primeira representante feminina à frente do Palácio do Eliseu. Será mesmo a candidata uma promessa de renovação política, como esperam os franceses?

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Ségolène Royal tem autoridade como poucos

Nesta terça-feira (06/03), Ségolène Royal, candidata socialista ao governo francês encontra-se com a chanceler federal alemã, Angela Merkel, em Berlim. A crise da Airbus, bastante presente na campanha presidencial francesa, deverá ser tema do encontro das duas políticas na Alemanha.

Após vários países do norte europeu, a Libéria e o Chile, a possibilidade de eleição de uma mulher ao cargo máximo do país chega agora à França. O século 21 começou com a conquista definitiva do último bastião do poder masculino pelas mulheres – a política. Para os franceses, Ségolène Royal é sinônimo de renovação.

Deputada pelo departamento de Deux-Sèvres desde 1988 e atual presidente do conselho regional de Poitou-Charentes, ela já está presente na política há 25 anos, o que não a impediu de formar uma imagem de frescor e novidade. Mas a candidata é mesmo uma promessa de renovação política, como esperam os franceses?

Mãe de quatro filhos

A socialista Ségolène Royal tem 52 anos, embora aparente ser bem mais jovem. Ela trabalha muito para se tornar a primeira mulher à frente do governo francês. Uma pequena revolução no país, cuja proporção feminina no Parlamento é somente de 12%.

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Ségolène Royal e Angela Merkel, em Berlim

Filha de um militar francês, a política nascida em Dacar, Senegal, estudou na Escola Nacional de Administração (ENA) e, como o atual presidente Jacques Chirac, no Instituto de Estudos Políticos de Paris. Trabalhou na administração judiciária de Paris e, ainda na ENA, Royal conheceu seu companheiro François Hollande, presidente do Partido Socialista Francês, com quem teve quatro filhos.

Apesar da pouca importância política que exerceu, durante muito tempo, a candidata é bastante querida por seu eleitorado. Segundo Liliane Delwasse, autora do livro Quando mulheres chegam ao poder, Royal deve sua ascensão, no entanto, a um outro fato: os franceses estariam cansados dos senhores políticos.

Vontade de mudar

"Os franceses estão com os saco cheio dos senhores políticos. Há anos que vêm os mesmos homens, com os mesmos discursos e as mesmas atitudes. O povo francês tem vontade de mudar. A nomeação de uma candidata forte para concorrer à presidência significa uma enorme mudança", afirma Delwasse.

Com muitos, para não dizer com todos os meios, Royal emprega sua feminilidade na campanha eleitoral. Assim como políticas em geral, representantes femininas juvenis e dinâmicas ainda são exceções em altos cargos políticos. Delwasse adverte, no entanto, contra expectativas exageradas.

"Faz dois anos que Ségolène Royal é presidente do conselho regional da região de Poitou-Charentes. Ela atua, ali, politicamente diferente de seus antecessores homens? Não. Ela escuta mais os cidadãos? Também não". Para Delwasse, Royal desempenha o poder com uma autoridade que poucos homens teriam coragem de ter.

Engajamento pela mulher

Segolene Royal - neuer Star von Frankreichs Sozialisten

Royal ao comemorar as eleições de Poitou-Charentes

Por ocasião da Copa 2006, Royal enviou uma carta a Angela Merkel, onde criticava duramente o fato de a prostituição ser oficialmente permitida na Alemanha. Ao visitar um abrigo, nos arredores de Paris, para mulheres vítimas de agressão física no ano passado, Royal prometeu que, se eleita, a luta contra a violência a mulheres será uma de suas primeiras iniciativas. Muitos não acreditam, entretanto, que o governo de Ségolène Royal assumirá tons feministas.

Entre os 100 pontos de seu programa de governo, o tema da violência à mulher aparece em 53ª posição. "Royal não pode ser considerada uma feminista juramentada", afirma Françoise Laurant, presidente do Movimento Francês para o Planejamento Familiar.

Não se sabe ainda se a política francesa irá se modificar se Royal subir ao poder. Comenta-se também que em outros importantes países industrializados, como os EUA, o próximo chefe de governo será uma mulher. "Que revolução!", afirma a autora Delwasse. "Talvez isto não modifique a política, mas a idéia que o mundo tem da mulher será, certamente, modificada", afirma a autora.

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