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Brasil

São Paulo: o novo país

Sogra do irmão de Ernst Wolfgang Hamburger, Trude Hahn, nascida em março de 1913, afirma: "Tive sorte na vida".

"Meu nome é Trude Hahn, antes de me casar, meu sobrenome era Franken. Venho de Moers, na região do Baixo Reno. Casei-me em Essen e, por sorte, vim para o Brasil com meu marido e minha filha pequena, em 1939", diz a senhora de 99 anos de idade, impressionantemente lúcida e forte. Em sua pequena casa em São Paulo, ela lê jornais, livros e acompanha com atenção o que acontece no mundo. Uma empregada doméstica a auxilia no dia a dia. E a família faz visitas regulares, para ver se está tudo bem.

"Minha família? Não há nada no mundo melhor do que minha família. Recebo, graças a Deus, tanto amor, tanto reconhecimento. O amor que recebo vale tudo", diz Trude Hahn. Sua família sempre esteve presente: primeiro a mãe, que enviuvou cedo e criou, sozinha, três filhos, enquanto mantinha uma loja de tecidos.

Caixas de papelão

Aos 21 anos, Trude se casou com Kurt. Ele tinha uma irmã de nome Edith, que havia deixado a Alemanha já em 1936, falava muito bem português e morava perto da pequena casa onde Trude e seu marido passaram a viver em São Paulo.

"Havíamos alugado a casa e tínhamos uma mesa e seis cadeiras de madeira. O resto ficava em caixas de papelão: uma delas era meu guarda-roupa, outra era o do Kurt. E em outra caixa ficavam também os sapatos da criança. Cada um tinha sua cama. Esses eram nossos móveis", recorda Trude Hahn. Enquanto o marido trabalhava, ela cuidava da casa e da filha. "Como as coisas eram antigamente", diz ela.

A São Paulo dos ônibus coloridos

Spurensuche/Brasilien

São Paulo hoje: diferente dos velhos tempos, quando tinha um milhão de habitantes

"Quando viemos para o Brasil, São Paulo tinha um milhão de habitantes e um número terrível de analfabetos, que não conseguiam ler nem escrever. Os ônibus que circulavam naquela época tinham cores diferentes, para que as pessoas que não sabiam ler pudessem entender para qual bairro seguiam. Ainda lembro hoje que o ônibus prateado subia a Avenida Angélica; um amarelo, a Rua Augusta; o verde ia para a Lapa e daí por diante", conta Trude Hahn.

"Muita coisa na cidade era diferente, muito diferente da Alemanha. Mas os brasileiros eram amáveis", relembra. A solidariedade, segundo ela, ajudava nos momentos em que o dinheiro era curto. A família enviou a filha Ursula e sua irmã mais nova a boas escolas em São Paulo. Eles tinham vizinhos atenciosos. Eram amigos, também migrantes, cujos antepassados vinham de Portugal ou da Itália.

E foi assim que foram se tornando brasileiros. Ursula casou-se mais tarde com Stefan Hamburger e teve três filhos, hoje já adultos: os bisnetos de Trude Hahn, que passam muitas vezes em sua casa para ajudar, ver se ela precisa de alguma coisa, dar um recado. "Tivemos a sorte de vir para cá. Tivemos sorte com os brasileiros, aos quais só posso agradecer. Tive sorte na vida. Não fomos parar num campo de concentração. Tiraram tudo da gente, mas não nos espancaram. Tivemos a sorte de vir para cá", conclui Trude Hahn do alto de seus quase 100 anos.

Autora: Silke Bartlick (sv)
Revisão: Roselaine Wandscheer

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