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Mundo

Romney é melhor para o comércio exterior brasileiro, avaliam analistas

Uma eventual vitória do candidato republicano poderia melhorar as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, hoje prejudicadas pelas barreiras impostas a vários produtos brasileiros.

Com a corrida presidencial nos Estados Unidos na reta final, especialistas ouvidos pela DW Brasil avaliam que uma eventual vitória do candidato republicano, Mitt Romney, compensaria os quatro anos de indiferença durante o governo do presidente Barack Obama, especialmente com relação à economia.

Os analistas ouvidos pela DW Brasil apontam alguns cenários para o futuro das relações entre Brasil e Estados Unidos. Para a professora de relações internacionais Renata Rosa, do Centro Universitário de Brasília (Uniceub), a tendência é de que, caso Obama seja reeleito, tanto o Brasil como a América Latina continuem sem ter prioridade na agenda de política externa dos Estados Unidos.

"O governo de Obama não teve uma relação de muita proximidade com o Brasil e a América Latina. É uma relação mais de indiferença, porque o Partido Democrata estava envolvido em outras questões mais centrais para a política externa americana, como a luta contra o terrorismo, a caça a Osama bin Laden, a crise financeira, problemas domésticos muito sérios. Então, a América Latina não foi o foco da agenda do Partido Democrata com Obama", afirma a professora.

USA TV-Duell Mitt Romney Barack Obama Boca Raton

Nem Obama nem Romney têm o Brasil e a América Latina entre suas prioridades

Sobre o que seria melhor politicamente para o Brasil e o mundo, a economista e professora Lia Valls Pereira, da Fundação Getúlio Vargas, ressalta: "Se formos priorizar a forma como os candidatos têm expressado o papel dos EUA no mundo, acho que Obama é melhor, mais disposto a dialogar, e atenua um pouco a diretriz unilateralista dos republicanos mais radicais que Romney parece cortejar".

Economia

A principal mudança – caso Romney vença a eleição - ocorreria nas relações econômicas entre os dois países. "No caso da política comercial, os republicanos seriam, em tese, mais liberais e os democratas, mais protecionistas", comenta Valls Pereira. No entanto, tudo depende do momento econômico, salienta. "Os governos republicanos de Reagan e Bush ergueram uma série de medidas protecionistas."

Rosa argumenta que Romney, que "conhece bem o Brasil, a Avenida Paulista e os empresários", seria mais vantajoso para o setor empresarial brasileiro, que poderia capitalizar melhor a relação Brasil-Estados Unidos nos planos comercial, industrial e financeiro, ao contrário do que acontece com a política de restrições comerciais aos produtos brasileiros, tradicionalmente utilizada por governos democratas.

"O Brasil está enfrentando várias crises em relação a vários produtos – como o algodão – sobre o qual os democratas colocam barreiras, e os republicanos já prometeram que o objetivo deles é facilitar – e não dificultar – o comércio com a América Latina e principalmente com o Brasil", diz Rosa.

Hillary Clinton Antonio Patriota Brasilien Brasilia

Patriota (na foto ao lado de Hillary Clinton) tem por missão fortalecer as relações com os EUA

Conselho de Segurança da ONU

Entretanto, a professora alerta que a política externa de Romney pode vir a desagradar em muitos aspectos o Palácio do Planalto, especialmente pelo fato de ele ter declarado, durante a campanha, que dará carta branca para Israel entrar em guerra contra quem quiser, com o apoio dos Estados Unidos.

Rosa acrescenta que os americanos se ressentem um pouco da posição do Brasil na agenda internacional de segurança. "Eles dizem que, em 80% das decisões que os Estados Unidos tomam, o Brasil vai contra", destaca.

Isso atrapalha diretamente, por exemplo, as pretensões do Brasil a um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, status almejado há anos. "O Partido Democrata e o governo Obama não apoiariam abertamente uma cadeira para o Brasil, ao contrário do que Obama fez com a Índia, a quem declarou apoio público."

Já para Valls Pereira, algumas das questões centrais da política externa – como a reforma do Conselho de Segurança – são questões de Estado, e os partidos não têm posições marcadamente divergentes.

O Itamaraty, segundo Rosa, calcula como agir em ambos os cenários. "Caso Obama se reeleja, o Itamaraty vai querer prosseguir e aprofundar as parcerias estratégicas que tem estabelecido com os Estados Unidos, principalmente na figura do ministro Antonio Patriota, que está no cargo justamente para cumprir esta função: fortalecer as relações do Brasil com os Estados Unidos. Num eventual cenário com Romney eleito, o Itamaraty deve organizar melhor os empresários para que os lucros sejam maximizados na relação comercial e industrial com os EUA."

Autor: Rodrigo Alvares
Revisão: Francis França

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