Romeno-alemã Herta Müller ganha Prêmio Nobel de Literatura 2009 | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 08.10.2009
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Cultura

Romeno-alemã Herta Müller ganha Prêmio Nobel de Literatura 2009

Herta Müller conquista o júri por retratar "a paisagem dos despossuídos" durante o regime comunista pós-Segunda Guerra Mundial na Romênia. "Ela tem realmente uma história para contar", afirma a Real Academia Sueca.

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A escritora alemã nascida na Romênia Herta Müller, de 56 anos, foi distinguida nesta quinta-feira (08/10) com o Prêmio Nobel de Literatura 2009. Na justificativa pela escolha de seu nome, a Real Academia Sueca de Ciências destacou que ela, "com a densidade da poesia e a franqueza da prosa, retrata a paisagem dos despossuídos".

Membro de uma família de minoria alemã na Romênia, Herta Müller conheceu os campos de trabalhos forçado do regime comunista depois da Segunda Guerra Mundial, realidade que marcou sua obra como escritora.

"Quando a ditadura de Ceausescu ruiu, em 1989, tive finalmente a sensação de que agora não serei mais ameaçada", declarou nesta quinta-feira.

"Herta Müller tem realmente uma história para contar. Ela sabe o que é crescer em meio a uma ditadura como parte de uma minoria", disse o Secretário da Academia Sueca, Peter Eglund.

Literatur-Nobelpreis für Herta Müller

Escritora Herta Müller deixa sua residência após anúncio do prêmio

"Eu estou muito surpresa, mal posso acreditar, nesse momento é só o que posso dizer", foi a primeira reação pública da escritora, segundo divulgou a Editora Carl Hanser nesta quinta-feira.

Mais tarde, em entrevista à imprensa em Berlim, Herta Müller ainda se mostrava surpresa. "Não consigo nem falar sobre isso. Preciso de tempo para assimilar", afirmou. "Não sou eu, são os livros. E eles estão prontos. Eles não são a minha pessoa."

Sobre a Alemanha, Herta Müller disse que encontrou uma pátria segura: "Sou uma escritora alemã porque escrevo em alemão", declarou aos jornalistas.

Biografia

Müller nasceu em Nytzkydorf, na Romênia, em 1953 em uma família de minoria alemã e só aprendeu romeno aos 15 anos. Estudou filologia germânica e romena e trabalhou como tradutora numa fábrica, de onde foi demitida por se recusar a trabalhar para o serviço secreto comunista.

BdT Buchcover Atemschaukel

Seu livro recém-publicado Atemschaukel fala da vida nos gulag soviéticos

Seu primeiro livro de contos, Niderungen, só foi publicado em 1982 depois de passar pela censura da ditadura. Ela mudou-se definitivamente para Berlim em 1987, depois de ter seus livros proibidos pelo regime de Nicolae Ceaucescu.

Reconhecida como cronista da rotina diária durante o regime comunista, ela ganhou importância na literatura internacional no começo dos anos 1990, quando seus livros foram traduzidos em mais de 20 idiomas. No Brasil, o livro O Compromisso foi lançado pela Editora Globo em 2004, com tradução de Lya Luft.

Seu romance mais recente Atemschaukel fala dos campos de trabalhos forçados do regime comunista (Gulag) e da deportação de cerca de 80 mil romeno-alemães para a União Soviética depois da Segunda Guerra Mundial.

Herta Müller é a 12ª mulher a ganhar o Nobel de Literatura. Também já receberam o prêmio escritoras como a chilena Gabriela Mistral (1945), a sul-africana Nadine Gordimer (1991) e a austríaca Elfriede Jelinek (2004). O Nobel da Literatura é entregue anualmente desde 1901.

FF/kann/ap/dpa/lusa
Revisão: Alexandre Schossler

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