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Mundo

Rival de Putin decide futuro político em eleição à prefeitura de Moscou

Principal líder da oposição, Alexei Navalny está longe do candidato governista, Serguei Sobyanin, nas pesquisas de opinião. Mas disputa pode decidir seu futuro político e provocar mais protestos contra o Kremlin.

Era fim de tarde do sábado passado em Moscou. O advogado Alexei Navalny, 37 anos, um dos principais nomes da oposição ao presidente Vladimir Putin, pregava sobre a luta contra a corrupção no país quando um grupo de policiais cerca o palco onde Navalny discursa.

Cerca de 5 mil pessoas estão ali para ouvir o discurso do blogueiro, que concorre para prefeito de Moscou nas eleições deste domingo (08/09). Diante da intimidação policial, o público reage gritando "vergonha". Já Navalny reage com ironia. "Acho que os policiais querem se juntar à nossa manifestação", diz. Ele é levado em um automóvel da polícia para dar explicações sobre supostas "transgressões" durante o comício e liberado horas depois, à noite.

Gato e rato

Para o opositor de Putin, o episódio é simbólico. No dia 18 de julho, Navalny foi condenado a cinco anos de prisão, acusado de organizar um esquema para desviar dinheiro de uma madeireira quando era conselheiro do governador de Kirov, e levado para a cadeia. No dia seguinte à sua prisão, a Justiça surpreendeu e decidiu soltá-lo, enquanto analisa um recurso da defesa.

Muitos observadores na Rússia falam sobre um jogo de "gato e rato" entre o Kremlin e o popular blogueiro. Agora, ele também está sendo acusado de usar recursos estrangeiros na campanha eleitoral, algo vetado pela legislação russa – denúncia confirmada pela Procuradoria-Geral do país. Não seria algo incomum na atual Rússia a eventual saída do páreo do candidato da oposição. Navalny, porém, continuará concorrendo.

Alexey Nawalny

Oposicionista Navalny, ao ser detido temporariamente durante comício

Reduto da oposição

Estas eleições em Moscou terão um significado especial para a Rússia. A capital é a maior e a mais rica cidade do país. A metrópole de 12 milhões de habitantes responde por praticamente um quinto do PIB russo, segundo dados oficiais.

Moscou é também reduto do movimento de oposição ao governo Putin que surgiu no fim de 2011. Na época, as eleições parlamentares e presidenciais foram marcadas por sérias acusações de manipulação. A classe média deu sustentação aos protestos, que tiveram Navalry como um de seus principais líderes. Por isso, são evidentes os esforços de Putin para deixar transparecer que as eleições para governador em Moscou correrão sob bases democráticas.

Esta é a primeira vez em dez anos que a população de Moscou poderá eleger diretamente o chefe do Executivo local. Até então, era o presidente quem escolhia um nome, que precisaria ser aprovado pelo Conselho da Cidade. Agora, seis candidatos concorrem no pleito. O presidente do conselho, Vladimir Platonov, ressaltou em seu blog que a corrida eleitoral está ocorrendo de maneira "honesta e aberta".

Alguns especialistas, porém, discordam de Platonov. "Esta eleição não vai proporcionar uma concorrência justa", avalia o sociólogo Denis Volkov, da organização independente Centro Levada. Ele acredita que o pleito foi empurrado em dois anos para frente a fim de que o atual prefeito e homem de confiança de Putin, Serguei Sobyanin, pudesse pavimentar o caminho para permanecer no poder, desta vez escolhido pelo povo. Sobyanin, que assumiu o cargo em 2010, aparece como favorito na pesquisa de opinião elaborada pelo Centro Levada.

De acordo com o levantamento, Sobyanin tem 60% das intenções de voto, bem à frente de Nevalny, que ocupa o segundo lugar, com apenas 18%. "Fica claro que Nevalny foi autorizado a concorrer agora porque, apesar do bom resultado, ele não representa qualquer risco para as autoridades no poder", avalia Volkov.

Outro fator de influência é o fato de que a mídia, especialmente a televisão, está sob controle estatal. Sobyanin recusou a participação no debate da TV, mas Volkov ressalta que suas declarações são divulgadas diariamente na televisão.

O mesmo não vale, porém, para Navalni e outros concorrentes. Mas o blogueiro tenta tirar vantagem disso. Como nenhum outro candidato, ele faz uso da internet para disseminar suas ideias e mobilizar seus simpatizantes. Até mesmo o dinheiro da campanha, ele coleta pela rede de computadores. Juntamente com as centenas de voluntários, o oposicionista revolucionou as eleições na Rússia.

Russland Moskau Wahlen Bürgermeister

Prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, em campanha por reeleição

Alerta para Putin

A oposição não está fechada nestas eleições. Alguns criticam Navalny por ele ter sido nomeado candidato da oposição com apoio de deputados do partido Rússia Unida (que apoia o governo Putin) no Conselho da Cidade de Moscou – justamente o partido que nega legitimidade a Navalny. Outros acusam o blogueiro de agir como um populista de direita.

Navalny propõe mandar de volta para casa milhares de estrangeiros que migraram para a Rússia e aplicar necessidade de visto para as pessoas que vêm dos países da antiga União Soviética localizados na Ásia Central. Gerhard Mangott, da Universidade de Innsbruck, acredita que o tom nacionalista poderia ajudar o candidato a conseguir mais votos. "Temos que lembrar que Navalny não tem praticamente nada diferente para oferecer, além do tema anticorrupção", ressalta o especialista.

Mas o tom nacionalista do blogueiro coloca os oposicionistas liberais num dilema: devem criticar o próprio candidato ou se calarem, para evitar um fortalecimento do representante do Kremlin na disputa eleitoral?

Navalny e seus apoiadores querem que as eleições para prefeito em Moscou funcionem como um alerta para Putin. Acredita-se, também, que o pleito deverá determinar o futuro do líder da oposição. Quanto mais votos ele receber, menores as chances de ele receber uma condenação definitiva.

Se isso faz sentido, ainda não se sabe. Mas uma coisa é certa, acreditam observadores. Moscou deve viver dias de intensos protestos organizados pelos apoiadores de Navalny logo após as eleições. Volkov ainda arrisca uma estimativa, prevendo que as manifestações poderão reunir até 30 mil pessoas nas ruas da capital russa.

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