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Mundo

Riscos não justificam guerra contra Iraque

Enquanto o presidente Bush advertiu para o perigo que Bagdá representa, o ministro alemão das Relações Exteriores, Joschka Fischer, advertiu para os riscos de uma guerra contra o Iraque.

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Joschka Fischer adverte, na ONU, para conseqüências dramáticas de uma guerra contra o Iraque no Oriente Médio

Por isso, o ministro Fischer não só confirmou, na Assembléia-Geral da ONU, a resistência categórica da coalizão de governo social-democrata e verde a uma guerra contra o Iraque, mas também uma solidariedade vigorosa com os EUA. O governo alemão concorda que tem de ficar claro para Bagdá que as resoluções da ONU têm de ser cumpridas e os inspetores de armas devem ter acesso ao arsenal iraquiano. Mas Berlim não admite que um não atendimento da exigência deva resultar, automaticamente, numa ofensiva militar contra o Iraque. Com esse esclarecimento e muitos argumentos, o chefe da diplomacia alemã, Joschka Fischer, do Partido Verde, rejeitou, na Assembléia-Geral da ONU, em Nova York, a exigência do presidente americano, George W. Bush, para que o Conselho de Segurança apresente um ultimato de dias ou semanas ao regime de Saddam Hussein.

Em nome do gabinete social-democrata e verde do chanceler federal Gerhard Schröder, o ministro rejeitou também a ameaça dos EUA de agirem sozinhos, se for necessário, caso Bagdá não cumpra a exigência.

Mais desestabilização no Oriente Médio

Fischer apresentou vários argumentos contra um ataque militar ao Iraque. Primeiro, é cada vez maior o perigo de uma guerra no Oriente Médio sair fora de controle. Pois, ao contrário da guerra contra o regime talibã no Afeganistão, uma cruzada contra Bagdá não teria o apoio de uma coalizão antiterrror. Quase todos os líderes árabes já deixaram isso bem claro.

Ainda mais dramático é que a situação já muito tensa no Oriente Médio sofreria uma desestabilização maior com uma guerra. O reino da Jordânia confronta-se com uma população de maioria palestina cada vez mais insatisfeita e amargurada. No Egito, só uma repressão policial maciça poderia impedir distúrbios internos de grandes proporções. A Síria está à espera de uma oportunidade, como um guerra contra o Iraque, para se tornar líder das massas árabes não privilegiadas.

Gabinete israelense quer a guerra

O gabinete do primeiro-ministro israelense, o falcão Ariel Sharon, por sua vez, pressiona os EUA para deflagrar uma guerra contra o Iraque, porque com isso Washington se comprometeria mais com a segurança de Israel. O problema palestino, o conflito central no Oriente Médio, não seria solucionado com uma intervenção militar contra Bagdá. Muito pelo contrário, se agravaria mais. Além do mais, uma eventual derrubada do presidente Saddam Hussein também não eliminaria a maior ameaça para a segurança dos cidadãos israelenses.

Não foi uma tarefa fácil para o ministro Fischer esclarecer essa posição alemã no auditório da comunidade internacional em Nova York e na cidade que foi abalada pelos ataques terroristas mais terríveis que o mundo já viu. Afinal, uma atitude negativa do gabinete alemão frente à política americana pode ser facilmente entendida por Washington como deslealdade de um aliado.

Tigre de papel em Nova York

A missão do ministro alemão em Nova York foi complicada pela posição quase esquizofrênica em que a Alemanha se encontra. Embora seja uma das potências maiores e mais importantes da Europa, tanto econômica quanto politicamente, Berlim não passa de um tigre de papel em Nova York. A Alemanha não é um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido) e somente estes países têm influência nos acontecimentos mundiais.

Foi bom, todavia, que Fischer tenha expressado os temores do governo alemão em Nova York. Longe da campanha eleitoral na Alemanha, suas advertências podem surtir maior efeito do que em casa, pois nem todos na comunidade internacional estão convencidos de que um ataque militar solucione o problema, como argumenta o presidente Bush e seus fiés seguidores. A União Européia também está dividida e mesmo políticos americanos questionam a posição do presidente dos EUA. (ef)