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Mundo

Risco é pequeno, mas Europa se blinda contra ebola

Fluxo de refugiados e imigrantes aumenta possibilidade de doença entrar no continente. Países minimizam chances, mas tomam medidas nas fronteiras e em aeroportos para evitar chegada do vírus.

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Especialistas italianos examinam barco com imigrantes

"Nos três países em que os Médicos Sem Fronteiras combatem a epidemia, infelizmente, o ebola está fora de controle." A afirmação é de Max Gerstein, membro de um grupo de pesquisas do Instituto Robert-Koch.

O médico acaba de retornar da Guinea, um dos países atingidos pelo mais mortal surto da doença da história. Ele diz que, diante de uma epidemia, a prevenção é decisiva, mas no caso de muitas regiões africanas afetadas, é quase impossível de ser alcançada.

Ao mesmo tempo, a Europa começa a admitir que existe risco de o ebola chegar ao continente, ainda que pequeno. Até agora, as únicas suspeitas foram descartadas após exame: uma na Espanha e duas no Reino Unido. Todas relacionadas a viajantes provenientes do oeste africano.

As autoridades britânicas se queixam de falta de esclarecimentos e de instruções para o pessoal de segurança na fronteira. Lucy Morenton, responsável pela proteção das fronteiras, não acha que sua equipe teria condições de reagir de forma adequada diante de um infectado pelo vírus.

"Muitos guardas fronteiriços se disseram preocupados e perguntaram como lidar com um caso de ebola e, sobretudo, como se proteger contra o contágio. Não existem instalações de saúde nas fronteiras, tampouco dispositivos de segurança", afirma Moreton.

O governo britânico convocou um comitê de crise para discutir sobre como tratar eventuais casos de ebola. O chanceler Philip Hammond descreveu a doença como uma ameaça grave e também disse temer que uma pessoa infectada pelo vírus entre no Reino Unido. Ele assegurou, no entanto, que o país possui as capacidades e os recursos para lidar com a doença.

"Nós sabemos desse potencial, mas, ao mesmo tempo, estamos muito satisfeitos por termos especialistas bons e experientes no Ministério da Saúde, que são capazes de reduzir o perigo se alguém entrar no Reino Unido", garantiu o ministro da Saúde, Jeremy Hunt.

De acordo com Hunt, as autoridades competentes começarão a treinar os guardas de fronteira e os funcionários do aeroporto sobre como reconhecer os sintomas do ebola.

Ebola Sierra Leone Ärzte ohne Grenzen

Combate ao ebola em Serra Leoa

Cresce o estado de alerta na Itália

A rápida propagação do vírus na África Ocidental aumenta o estado de alerta dos países europeus. E nem todas as fronteiras podem ser monitoradas de forma apropriada.

Centenas de refugiados vindos da África desembarcam na costa italiana diariamente. Entre eles, muitos são de Serra Leoa. Autoridades italianas, porém, descartam a possibilidade de o vírus entrar na Europa através de seu território.

É verdade que existe o risco, admitem, mas o tempo de incubação do ebola, que é de três semanas, é tão longo que os imigrantes ilegais acometidos pela doença já teriam apresentado os sintomas durante a perigosa travessia pelo mar. Além disso, diz o Ministério da Saúde, todos as pessoas que chegam à Itália são examinadas pelos especialistas.

"O risco de o vírus ser trazido para a Europa é pequeno", disse ao jornal Le Parisien a ministra da Saúde francesa, Marisol Touraine. É necessária extrema vigilância frente a essa doença séria e muito contagiosa", alerta.

Na França, as autoridades se preparam para um eventual caso de ebola. Entre as providências, são distribuídas recomendações para os viajantes com destino às regiões afetadas. As equipes hospitalares também foram alertadas e estão preparadas para reconhecer os sintomas e reagir adequadamente.

O belga Peter Piot, que descobriu o vírus do ebola em 1976 e que atualmente é diretor da Faculdade de Higiene e Medicina Tropical de Londres, também vê o risco como pequeno. Mesmo se um portador do vírus viajar para a Europa, os Estados Unidos ou outra parte da África, ele não acredita que isso provocaria uma epidemia: "Não estou preocupado que o vírus se espalhe por aqui. Para uma transmissão, é preciso um contato muito próximo."

Ele exclui as chances de que Max Gerstein ou outros especialistas levem o vírus para a Europa ao retornarem das regiões afetadas: "Como epidemiologista, pude me dar ao luxo de não entrar em contato de fato com os doentes. O contato é feito através das grossas camadas de borracha das nossas roupas de proteção. Nos últimos anos, nenhum dos nossos funcionários foi contaminado e nenhuma doença foi transportada para outro local."