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Brasil

Rio+20 não deverá trazer acordo abrangente, diz chefe do IPCC

Indiano Rajendra Pachauri, do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, diz que expectativas sobre Rio+20 não deveriam ter sido tão altas. Negociações sobre mudanças climáticas estão fora da conferência.

A atual conferência das Nações Unidas no Rio de Janeiro está focada em definir objetivos para o desenvolvimento sustentável. A área de Rajendra Pachauri – chefe do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) – está fora do debate.

O indiano, no entanto, acredita que os assuntos estão interrelacionados, e foi isso que o trouxe à Rio+20. Pachauri reconhece o clima de pessimismo que ronda a conferência, e diz que as expectativas não deveriam ter sido tão elevadas. Não só os países desenvolvidos, mas também nações como Brasil e Índia não estariam fazendo o bastante pelo clima, acredita.

O IPCC recebeu 50% a mais de candidaturas de cientistas que gostariam trabalhar no próximo relatório sobre mudanças climáticas. Atualmente, 871 cientistas trabalham na pesquisa – e não recebem qualquer remuneração da entidade.

Deutsche Welle: O senhor acha que as negociações sobre mudanças climáticas e as negociações dos objetivos de desenvolvimento sustentável deveriam acontecer em esferas tão separadas?

Rajendra Pachauri: A justificativa racional vem do fato de que a Convenção-Quadro das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês) tem o seu próprio processo no qual, espera-se, as decisões sejam tomadas e um acordo seja alcançado.

As duas negociações deveriam, talvez, ser mantidas separadamente. O que eles estão discutindo aqui na Rio+20 é algo mais extenso, desenvolvimento sustentável – embora eu ache que haja uma grande sobreposição dos dois temas.

As mudanças climáticas não podem ser enfrentadas sem que haja desenvolvimento sustentável. Ao mesmo tempo, não se pode ter um desenvolvimento sustentável sem que as mudanças climáticas sejam consideradas.

O clima geral da Rio+20 é de pessimismo. O que o senhor espera como resultado da conferência?

Eu não acho que as pessoas devam ter expectativas muito altas de um evento como esse. Eu tenho dúvidas se daqui sairá um acordo abrangente, que fará o mundo mudar da noite para o dia. Mas o que nós realmente precisamos é de uma mudança de percepções, de prioridades e de direção.

Acho que se o Rio de Janeiro for capaz de nos dar isso, então, pelo menos, nós começaremos a caminhar na direção certa. Gandhi estava absolutamente correto quando disse que velocidade é irrelevante quando estamos nos movendo na direção errada.

A UNFCCC foi criada no Rio de Janeiro, em 1992. De lá para cá, o senhor acredita que estamos fazendo o que deveríamos?

Acho que há muitas histórias de sucesso. Tem coisas acontecendo em diferentes partes do mundo que nos dá bastante esperança. Ontem eu estava lendo no jornal sobre a quantidade de pessoas que agora estão usando bicicletas nos Estados Unidos.

Não conseguimos encontrar um acordo legal que se aplique a todos os países do mundo [nos moldes do Protocolo de Kyoto], mas estou feliz em dizer que houve um grande aumento de conscientização. Em 1992, o nível de entendimento sobre o tema mudanças climáticas era muito limitado.

Ainda há aqueles céticos que continuam afirmando que as mudanças climáticas não estão acontecendo...

Para ser honesto, isso sempre aconteceu em todas as áreas novas do conhecimento. Se olharmos para a história da humanidade, sempre houve alguém que questionou e se opôs a novos conceitos quando eles surgiram. E a ciência, de fato, se desenvolve na base da discussão, de questionamento.

O fato é que você tem que ter boas intenções por trás [dos questionamentos]. Se a intenção é discutir ciência com base na ciência, então, isso ajuda no desenvolvimento do conhecimento. Mas também dissemos no quarto relatório do IPCC em 2007 que, se o desejo é que ocorram mudanças no setor de energia, por exemplo, existirão interesses que tentarão barrar essa iniciativa.

Acho que precisamos separar as coisas: se os questionamentos são científicos – o que eu acho que é muito saudável – ou se eles vêm de pessoas que sentem que seus interesses serão prejudicados.

O que o senhor pode adiantar sobre o próximo relatório, que deve ser publicado no ano que vem?

Há muitas áreas que estamos cobrindo. Estamos incluindo nuvens e aerossóis, questões de ética e igualdade, geoengenharia. Há muitas coisas que serão mais detalhadas. Temos mais informações regionais especificas. Acho que avançaremos bastante no próximo relatório.

Entrevista: Nádia Pontes, do Rio de Janeiro
Revisão: Carlos Albuquerque

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