1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Brasil

Rio vive clima de tensão antes da chegada do papa Francisco

Embora menores, manifestações continuam violentas e põem em dúvida capacidade da cidade de lidar com protestos durante visita do pontífice. Sérgio Cabral garante segurança e descarta ajuda oferecida por Dilma.

default

Protesto deixou rastro de destruição em bairros nobres no Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro respira um clima de tensão a quatro dias da chegada do papa Francisco para a Jornada Mundial da Juventude, que começa na terça-feira (23/07). A escalada de violência nos últimos protestos – como o realizado em frente à casa do governador Sérgio Cabral – preocupa o governo estadual, que já admite não saber lidar com manifestantes que entram em confronto com a polícia.

O protesto realizado na quarta-feira próximo à casa de Cabral, no bairro do Leblon, terminou em confronto com a Polícia Militar quando um grupo de encapuzados depredou lojas e agências bancárias nas proximidades da residência do governador. A atuação da PM dividiu moradores e gerou dúvidas sobre a capacidade policial de garantir a segurança durante a visita do papa.

"A polícia não sabe usar suas equipes de inteligência para isolar os núcleos de violência e bagunça que aparecem em todas as manifestações de rua. Mas isso não é de hoje", diz Atila Roque, diretor-executivo da Anistia Internacional no Brasil. "Estamos apreensivos como vão se dar esses próximos encontros entre a polícia e manifestantes. Que eles atuem de forma preventiva e, quando ocorrer depredações, por exemplo, que eles atuem de forma focada nestes grupos que estão vandalizando."

Brasilien bereitet sich auf Papst-Besuch vor

Campus Fidei, em Guaratiba: segurança vai ser reforçada e PM vai revistar bolsas

O papa deve ter uma recepção até muito calorosa na segunda-feira, quando deverá ser recebido no Palácio Guanabara, sede do governo estadual, por um protesto organizado pelo grupo AnonymousBrasil. Até a tarde desta sexta-feira, mais de 5.800 pessoas já haviam confirmado presença na manifestação por meio do Facebook.

De acordo com informações postadas na rede social, o objetivo da manifestação é protestar contra os gastos públicos com a Jornada Mundial da Juventude, a permanência do governador Sérgio Cabral no cargo, a violência da polícia e em defesa de um Estado laico. "Não vamos parar até que os protestos se tornem insuportáveis e que a Fifa procure outro país para a Copa do Mundo", escreveu um participante no Facebook.

Controle rigoroso na missa final

Segundo o jornalista Luiz Paulo Horta, especialista em questões relacionadas ao Vaticano, há um clima de nervosismo porque o Brasil mudou e há incerteza em relação aos protestos no país. "É bem possível que os manifestantes queiram se aproveitar politicamente da Jornada da Juventude", disse Horta, que também é membro da comissão de cultura da Arquidiocese do Rio de Janeiro.

A onda de protestos tem deixado as forças de segurança em constante alerta. Nos últimos dois meses, decidiu-se que o número de soldados do Exército, Marinha e Aeronáutica destacados para fazer a segurança da Jornada Mundial da Juventude passará dos 8.500 inicialmente previstos para 14.300. Além deles, estarão em ação milhares de policiais civis e militares.

Na missa final a ser realizada por Francisco no domingo (28/07), em Guaratiba, estarão em ação 20 mil homens, entre eles policiais, soldados e membros do corpo de bombeiros. Os presentes, estimados em mais de um milhão, serão proibidos pela PM de usar máscaras. As bolsas e mochilas serão controladas, e objetos perigosos serão confiscados.

"Estamos um pouco preocupados com a segurança", confessa a voluntária Thalia Martins da Costa, mineira de 22 anos que decidiu enfrentar protestos e peregrinos só para ver o papa. "Eu disse para a minha mãe: Que bom que estive em Madri e vi o antigo papa Bento 16. Agora preciso ver o papa Francisco."

Sem ajuda federal

Papst Franziskus Lampedusa Flüchtlinge Italien

Papa Francisco deverá presenciar diversas manifestações no Rio de Janeiro

Até há poucos dias, o governo brasileiro ainda estava absolutamente convencido de que os protestos não se voltariam contra o papa nem poderiam surtir efeitos negativos sobre a Jornada Mundial da Juventude.

Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, havia declarado anteriormente que os jovens de todo o mundo e o povo brasileiro iriam garantir a segurança do pontífice. Segundo Carvalho, Francisco poderia viajar "despreocupado" para o Rio.

Em entrevista coletiva realizada nesta sexta-feira, o governador do Rio, Sérgio Cabral, disse que dispensou o apoio do governo federal para lidar com a situação na cidade – oferta feita através de telefonema de Dilma na véspera.

"Eu disse que não precisaria [de ajuda federal]. As forças de segurança estão presentes [no combate à violência nas manifestações]”, disse Cabral a jornalistas. Mesmo com as manifestações marcadas durante a visita do papa, Cabral disse que não considera mudar o local do encontro com o pontífice

Leia mais