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Rio 2016

Rio importa da Alemanha estratégia contra hooligans para Copa e Olimpíadas

As autoridades do Rio de Janeiro planejam criar um banco de dados para barrar torcedores violentos nos estádios, estratégia que já foi utilizada pelos alemães na Copa de 2006.

Olhos focados para o que acontece nos estádios da Europa. É assim que o Rio de Janeiro se mune de estratégias contra torcedores violentos, os chamados "hooligans" – risco iminente em jogos de seleções internacionais durante a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. As políticas aplicadas em outros países, como a Alemanha, dão o tom do que deve ser adotado na cidade. A cúpula da Segurança Pública do Estado estuda criar um banco de dados para identificar pessoas com histórico de atos de violência nas torcidas. A proposta é que o acesso seja proibido nas partidas de futebol para quem tiver o nome na lista.

A restrição aos "hooligans" nos estádios foi uma das medidas tomadas pela Alemanha na Copa do Mundo de 2006. Aliás, foi a experiência bem-sucedida do país com os jogos que motivou um simpósio, na cidade do Rio de Janeiro, para troca de informações com representantes de vários setores de inteligência do Brasil. Foram 14 workshops, nos quais as autoridades alemãs relataram e analisaram o esquema de planejamento e atuação na área de segurança durante o mundial. Mais de 200 policiais de vários estados participaram do encontro. "O objetivo do evento foi disponibilizar para o Brasil as informações sobre os mais diversos temas que envolvem a segurança de um evento deste porte e as soluções que alemães aplicaram", explicou, em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro (Seseg).

Brasilien Ausbildung der Polizei in Rio de Janeiro für die Olympischen Spiele

Treinamento do Batalhão de Choque para emprego de armamento menos letal

Treinamento especial

Para atuar na Copa do Mundo e nas Olimpíadas, a polícia do Rio de Janeiro precisa aprender táticas de segurança não usuais na rotina de combate à violência na cidade. Encabeça a lista o treinamento dos agentes para ataques terroristas, para a presença de homens-bomba e atentados contra autoridades e atletas de países em conflito. Os cursos já começaram a ser feitos, principalmente com foco no Aeroporto Internacional Tom Jobim, maior porta de entrada dos turistas.

A Alemanha não é o único país em que o Brasil vai se espelhar para implementar políticas de segurança. Dos EUA, foram importadas técnicas avançadas para identificar fraudes em passaportes. Uma das estratégias ensinadas para os peritos do Rio de Janeiro é o estudo de pontos do rosto que não mudam, mesmo após uma complexa cirurgia plástica.

De uma parceria com a Espanha, foi possível qualificar policiais em treinamentos voltados para grandes eventos, como cursos sobre desarmamento de bombas e incidentes com armas químicas. Os espanhóis compartilharam ainda sua experiência com a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) católica, ocorrida em 2011, em Madri. O evento se repete na capital carioca em julho de 2013. Mais de 2,5 milhões de jovens católicos devem comparecer às missas e cerimônias com o Papa Bento XVI.

Realidades diferentes

O mais díficil, no entanto, é adaptar a realidade das polícias do Rio aos procedimentos que os alemães usaram para garantir proteção nos alojamentos dos atletas, nos deslocamentos das comitivas e nos estádios. Isso porque até alcançar o padrão desejado, o governo terá que solucionar um problema básico no Estado: a falta de efetivo. Até setembro, a Polícia Militar tinha 45.154 homens nos seus batalhões para atuar no patrulhamento diário e nos projetos especiais, como as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Até o final de 2014, a promessa é que esse contingente suba para 60 mil na ativa. No caso da Polícia Civil, esse número atualmente é de 11 mil. A projeção até os jogos não foi informada.

Para o antropólogo e especialista em Segurança Pública, Paulo Storani, não há mais tempo hábil para ampliar o efetivo como o governo planeja. Segundo ele, no máximo, será possível formar mais 6 mil homens na Polícia Militar até 2016. Na Civil, cerca de 2mil. "Não acredito que tudo aquilo que foi planejado será executado. Primeiro, porque já estamos correndo contra o relógio para fazer aquilo que já deveria ter começado. Depois, porque não existe infraestrutura para aumentar o efetivo em 15 mil – não é apenas fazer concurso, tem que preparar todo esse pessoal", afirmou Storani, que também é ex-capitão do Bope.

A expectativa das autoridades do Rio para as Olimpíadas é otimista. Um ano antes dos jogos, eles esperam que 12,6 mil policiais civis e militares – 22% do contingente atual — formem uma tropa de elite com nível de capacitação que permita reagir a situações extremas, como a ataques com armas biológicas.

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