Richard Wagner e a World Wide Web | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 27.07.2011
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Cultura

Richard Wagner e a World Wide Web

Gênio músico-teatral nascido há quase 200 anos segue despertando paixões violentas, em especial no contexto do Festival de Bayreuth. E tem na internet o veículo, porta-voz e mercado ideais para sua biografia e obra.

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Richard Wagner (1813-1883)

Durante toda a vida, Richard Wagner (1813-1883) foi o que se poderia chamar de um fanático pelo futuro. "Crianças, criem coisas novas!" é uma de suas máximas mais célebres. Ele conseguiu realizar, ainda em vida, tanto o sonho de um teatro próprio, exclusivamente dedicado a suas obras, como o de uma orquestra invisível. Isso tudo, porém, à custa de vários apertos financeiros para o Estado bávaro e outros patrocinadores.

Multimedia Auge Cyberwar

Internet é o veículo ideal para o artista visionário

Assim, não é difícil imaginar o quanto as possibilidades de aquisição de verbas oferecidas pela nossa contemporânea internet o teriam fascinado. O titã da comunicação – afinal, cerca de 10 mil cartas do punho wagneriano chegaram até nós – teria seguramente adorado usar o correio eletrônico para fazer pressão sobre seus amigos e mecenas, ou para lançar suas obras e ideias ao redor do globo, com um simples clique.

Discussões violentas

Tudo isso é um grande salto de fantasia, claro. Mas não há como deixar de admirar a forma como Wagner guarda, ainda hoje, o poder de reunir seus discípulos por todo o mundo em fóruns e newsgroups. Alguns são bem comportados, antes informativos, como o wagneropera.net (em inglês), uma espécie de pacote completo sobre a vida e obra do mestre. Mas Wagner não seria Wagner se o seu culto gerasse apenas pura concórdia.

No fórum do periódico Nordbayerischer Kurier (forum.festspiele.de – em alemão), por exemplo, as batalhas verbais são ainda mais violentas do que a do segundo ato dos Mestres-cantores de Nurembergue – e isso o ano inteiro, mesmo fora da temporada do Festival de Bayreuth. Por trás de cognomes inofensivos, travam-se debates altamente polêmicos.

De tal maneira que, em certo ponto, se esquece tratar-se, afinal, "apenas" de um compositor nascido há quase 200 anos e do seu legado. Mais do que um fórum de fãs, parece que aqui se delibera apaixonadamente – e a sério – sobre o futuro do Festival de Bayreuth. Nem mesmo os moderadores do Nordbayerischer Kurier conseguem sempre debelar o caos digital.

Uma especialidade desse fórum é a suspeita crônica de que toda a liderança de Bayreuth o frequente, por trás de codinomes cifrados. Isto é, as diretoras Katharina e Eva Wagner ou o consultor musical Christian Thielemann podem estar ocultos por trás de qualquer "Dino", "Franz" ou "Lobesam" – da mesma forma que o nibelungo Alberich se escondia sob o Elmo Mágico, em O ouro do Reno.

Assim, há sempre alguém tentando desmascarar um dos membros do fórum, alegando ter decifrado um codinome. Uma ocupação altamente divertida, ainda que um tanto paranoica.

Flash-Galerie 100. Bayreuther Festspiele - Eröffnung

A famosa Colina Verde em Bayreuth, na abertura do festival em 2011



Bayreuth se atualiza

Poucos anos atrás, a direção do Festival de Bayreuth não possuía nem mesmo um aparelho de fax. Mas a coisa mudou radicalmente com a nova geração, pelo menos do ponto de vista tecnológico. Katharina Wagner se comunica com a maior naturalidade via iPhone e Facebook. E mesmo a homepage do festival www.bayreuther-festspiele.de, antes tão comportada e retrógrada, ganhou uma cara multimídia na 100ª edição do evento.

Se antes o site tinha tanto charme informativo quanto panfletos semanais de supermercados, hoje uma visita guiada virtual pelo teatro, ou videoblogs como podcast.bfmedien.de/MEDIA/163/320x180.mp4 atiçam a vontade de participar, comprando entradas para a próxima temporada livre – daqui a 12 anos. E com a abertura das vendas online, a partir do outono europeu, pela primeira vez crescem as chances de, com alguma sorte, poder estar na Colina Verde a partir de 2022. Ou será que não?

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Partitura manuscrita de Wagner

Quem não estiver disposto a esperar tanto tempo assim pode receber o festival a domicílio. Toda a Festspielhaus sobre a Colina Verde cabe agora na menor escrivaninha ou sobre os joelhos de qualquer proprietário de um notebook. Uma possibilidade bem no espírito do gesamtkunstwerk – a obra de arte total – e que o visionário Wagner certamente teria adorado: apresentações ao vivo de suas óperas, acessíveis a todos, de Anchorage a Adelaide, a preços socialmente aceitáveis, ou mesmo grátis.

Em 14 de agosto de 2011, Lohengrin pode ser assistida em livestream no site live.bfmedien.de/pre.html, com a alternativa de participar até do programa do intervalo e de uma discussão interativa. Em relação ao ano anterior, o preço foi agradavelmente corrigido para baixo: 14,90 euros, o que, em Bayreuth mesmo, dá com muita sorte para comprar um salsichão e uma bebida no intervalo. A loja do festival (shop.bayreuther-festspiele.de/accessoires/) oferece, ainda, o pacote para fãs (chaveiro, caneta e broche) por 2,50 euros. E está completo o deleite operístico doméstico.

Para os músicos

Quem quiser se preparar em nível profissional para essa transmissão encontra as partituras de todas as óperas de Wagner, assim como as reduções para canto e piano, em formato PDF e outros, na Biblioteca Musical Petrucci (imslp.org/wiki/Página_inicial). Ao todo, ela disponibiliza quase 100 mil publicações musicais de numerosos compositores, assim como alguns milhares de gravações para serem baixadas de graça.

Também grátis, no site www.simfy.de (em alemão) se podem escutar online CDs inteiros das grandes firmas fonográficas, como Sony, Universal, Warner e EMI. Entre eles há um volume respeitável de gravações de óperas do gênio músico-teatral realizadas em Bayreuth.

Enfim, com o auxílio da World Wide Web, revelam-se mais proféticas do que nunca as palavras do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900): "Em algum momento vamos todos estar sentados juntos em Bayreuth e nos perguntar: como é que conseguimos aguentar estar em outros lugares?".

Bayreuth / Festspiele / Tannhäuser / 2011

A versão 2011 de 'Tannhäuser', que abriu o festival deste ano



Autor: Stefan Mauss / Augusto Valente
Revisão: Alexandre Schossler

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