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Mundo

Revolução Islâmica completa 35 anos com Irã ainda sob sombra de Khomeini

Movimento que começou como protesto heterogêneo, reunindo desde liberais a comunistas, derrubou o xá e deu lugar a um regime totalitário. Poder ficou nas mãos da classe religiosa, que até hoje dita as regras no país.

Embora o discurso do presidente Hassan Rohani, eleito em junho, seja de uma maior "cooperação" com o Ocidente e "mais liberdade" para o povo, não significa necessariamente que uma grande mudança será colocada em prática. As promessas do clérico moderado não podem ser implementadas sem o aval do "líder da revolução", a autoridade máxima do país, segundo a Constituição, escrita sob forte influência das teorias do aiatolá Khomeini, figura central da Revolução Islâmica de 1979.

O movimento que derrubou há 35 anos o xá Mohammad Reza Pahlevi começou como um protesto heterogêneo, composto por grupos comunistas, nacionalistas, liberais e forças religiosas, que se uniram para derrubar, com apoio de Washington, a monarquia autocrática que governava o país havia 25 anos. A população se revoltou contra um regime que levava milhões de iranianos a viver abaixo da linha da pobreza, enquanto uma pequena elite desfrutava de um estilo de vida luxuoso.

"A revolução começou principalmente por iniciativa das classes médias", recorda Bahman Nirumand, jornalista iraniano radicado em Berlim, que vivenciou pessoalmente a revolta em Teerã. "O Irã se tornou um país economicamente importante, por causa de seu petróleo. Como resultado, se formou uma classe média relativamente grande nas cidades, a qual reivindicava participação política."

Bildergalerie Revolution 57 im Iran

O começo dos protestos teve participação de diversos movimentos e tendências políticas

Eles queriam um Irã livre e liberal. Por isso, durante os protestos de 1978 muitos empunhavam cartazes com a foto do ex-primeiro-ministro Mohammed Mossadegh, democraticamente eleito e derrubado por um golpe em 1953, com ajuda da CIA (a agência de inteligência americana). Os islamistas chegaram somente mais tarde, também porque o aiatolá Ruhollah Khomeini conseguiu despontar como seu líder.

"Khomeini era o maior crítico religioso do xá", relata o cientista político iraniano Reza Hajatpour, docente da Universidade de Erlangen. "Do exílio parisiense, Khomeini fez discursos inflamados contra o regime, enquanto muitos clérigos no Irã se mantiveram fora da política", diz especialista em islamismo, que na época havia ingressado na faculdade no Irã.

Ele lembra que Khomeini prometia não só ajudar os pobres, mas também acabar com a vida luxuosa em estilo ocidental das elites e realizar uma mudança cultural completa na direção de uma "república islâmica". "E os iranianos o seguiram com entusiasmo", recorda Bahman Nirumand. "Ninguém achava na época que o objetivo era uma islamização total do país."

A curta "primavera da liberdade"

No começo, parecia que havia uma colaboração entre os clérigos e os liberais. Em 1° de fevereiro de 1979, Khomeini retornou do exílio. Apenas quatro dias depois, ele nomeou um político liberal, Mehdi Bazargan, como chefe interino de governo.

Iran Ajatollah Ali Chamenei Archivbild 2010

Khamenei é hoje a autoridade máxima no Irã

"Mas já durante esse período de governo, ficou claro que havia diferenças de opinião entre o clero e as forças liberais", comenta Reza Hajatpour. Os seguidores de Khomeini eliminaram violentamente quase todos os seguidores do xá e colocaram em marcha uma mudança em direção a uma sociedade estritamente islâmica.

A revolta popular contra a vida privilegiada das elites ligadas ao xá fez com que Khomeini encontrasse grande apoio para seu projeto de mudança cultural. "Com uma esmagadora maioria, o povo iraniano aprovou uma nova Constituição islâmica em um referendo em dezembro de 1979, feita aos moldes do líder supremo Khomeini", lembra Nirumand.

Todo poder aos mulás

Esquerda e liberais tiveram poucas chances de se opor ao que ocorria. Mesmo assim, ainda conseguiram manter aberta a luta pelo poder. Em janeiro de 1980, dois meses após a invasão da Embaixada dos EUA em Teerã, o povo elegeu Abolhassan Banisadr como novo presidente. "Mas já dava para perceber que o clero não concordava", conta Reza Hajatpour. "Os religiosos tinham seus próprios candidatos."

Banisadr acabou se tornando um adversário incômodo de Khomeini e repetidamente alertou para o perigo de uma ditadura do clero. "O povo ficou dividido", afirma Bahman Nirumand. "E a decisão só veio com a guerra entre Irã e Iraque. "Ela foi, como Khomeini disse, um presente dos céus."

Em setembro de 1980, o então ditador do Iraque, Saddam Hussein, atacou o Irã − equipado pelos EUA. Durante oito anos, os dois Estados travaram uma guerra sangrenta, em que militarmente não houve vencedor e que deixou um milhão de mortos.

"Mas internamente, a guerra trouxe a decisão final em favor dos clérigos", explica Nirumand. "Porque qualquer oposição podia ser liquidada, com alusão ao inimigo externo." A vítima política mais proeminente foi Abolhassan Banisadr. Ele foi responsabilizado por várias derrotas na frente de batalha e destituído em 21 de junho de 1981 pelo Parlamento iraniano, deixando caminho livre para os clérigos.

Hassan Rohani

Rohani: presidente depende do aval dos mulás

Líder religioso forte, presidente fraco

Ondas de execuções sacudiram o país. Liberais, comunistas, simpatizantes do xá e membros do clero que se opunham foram perseguidos, presos e executados. Mohammad Ali Radschai se tornou sucessor de Banisadr no cargo de presidente. No entanto, ele foi morto por um atentado a bomba apenas 28 dias depois de assumir, sendo sucedido por Sayyed Ali Khamenei. Este, por sua vez, é, desde a morte do próprio Khomeini, o líder religioso supremo e, assim, o homem forte do Irã.

Desde a Revolução, o sistema político iraniano mudou pouco. Ainda hoje, tudo só é decidido com aval do líder religioso supremo. "Mas Khamenei não tem a mesma força carismática de Khomeini", avalia Reza Hajatpour. "E a ideologia da República Islâmica já não desempenha um grande papel. Hoje em dia, prevalece uma espécie de pragmatismo robusto."

É o que se vê também na nova política do presidente Rohani. "Com ele, os iranianos tentam agora refazer tudo o que foi destruído nos últimos anos em termos de política interna e externa", diz o especialista em islamismo. "As pessoas querem mudar, mas o problema já não é tanto o contraste entre o povo e o clero, mas um conflito social entre aqueles que são afetados pelas sanções e pelo desemprego e aqueles que ainda se beneficiam do sistema."

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