Revolução Alemã de 1848 marcou busca pela unificação em um reino | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 17.06.2009
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Mundo

Revolução Alemã de 1848 marcou busca pela unificação em um reino

A Assembleia Nacional reunida na Igreja de São Paulo, em Frankfurt, fracassou em sua tentativa de estabelecer um Estado nacional alemão no centro da Europa. 16º episódio da série "Os Europeus".

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Assembleia Nacional alemã, na Igreja de São Paulo

Heinrich von Gagern

Político liberal Heinrich von Gagern

Em 18 de maio de 1848 a Assembleia Nacional alemã se reuniu pela primeira vez. Os delegados, encarregados de elaborar uma Constituição e preparar as eleições, nomearam Heinrich von Gagern (1799-1880) presidente do grêmio.

O arquiduque João da Áustria (1782-1859) foi incumbido com a regência interina; até a realização de eleições livres, ele deteve o poder central na Confederação Germânica. Sua nomeação foi a primeira de uma série de decisões equivocadas. Para os radicais da Assembleia Nacional, ele era representante do antigo sistema a ser derrubado. Colaborar com ele era inimaginável para essa facção.

Erzherzog Johann von Österreich 1782 - 1859

Arquiduque João da Áustria

O próximo problema surgiu no verão de 1848, após o cessar-fogo de Malmö, que pôs fim a um conflito armado em Schleswig-Holstein. Nessa região, uma revolução contra o soberano dinamarquês, rei Frederico 7º (1808-1863), fora reprimida, apesar da intervenção prussiana. A Assembleia Nacional teve que reconhecer que, sem um exército próprio, não podia defender os interesses de seus membros.

União de Estados

Além disso, os delegados não tardaram a perceber que um exército próprio não era a única coisa que faltava. Também se carecia de todos os outros ingredientes necessários para a fundação de um Estado: capital, instituições nacionais, leis comuns ou um consenso sobre quais regiões deveriam se integrar no reino alemão a ser fundado.

Robert Blum Vizepräsident des Frankfurter Vorparlaments 1848

Político alemão Robert Blum

A maioria dos deputados, com formação acadêmica, tinha a tendência de se estender em longas discussões. O precioso tempo das reuniões transcorria, por exemplo, com debates sobre os direitos dos cidadãos, sobre liberdade de imprensa e de opinião, enquanto os opositores da revolução ganhavam tempo para mobilizar suas forças.

Mesmo quando Robert Blum (1807-1848), delegado da Assembleia Nacional alemã, foi executado durante um levante reprimido de forma sangrenta na Áustria, os deputados continuavam discutindo em Frankfurt. Até o fim de dezembro de 1848, eles ficaram debatendo a lista de direitos fundamentais e humanos, sem se dar conta das relações reais de poder.

"Grande solução" ou "pequena solução"?

O ponto central dos debates era quais estados deveriam integrar o reino alemão. Uns achavam que deveriam ser os membros da Confederação Germânica, a Prússia e a Áustria – esta era chamada a "grande solução alemã". Outros preferiam que a Áustria ficasse de fora, sugerindo com isso uma "pequena solução". Fato é que ambas as propostas eram impraticáveis.

Os defensores da "grande solução" sonhavam com uma Alemanha sob a coroa dos Habsburgos, tinham fascínio pelo antigo império medieval e revestiam suas ideias com um toque de zeitgeist liberal. Mas, no fundo, o que eles queriam era reavivar o Sacro Império Romano Germânico, derrubado em 1806 pela política hegemônica de poder de Napoleão.

Franz Joseph I.

Francisco José 1º, imperador da Áustria (1848-1916) e rei de Hungria

O que eles ignoravam, no entanto, eram os vários milhões de não-alemães que seriam obrigados a viver no reino alemão. Considerando que esse plano necessariamente provocaria a cisão da Áustria, não é de se admirar que o imperador austríaco Francisco José 1º (1830-1916) tenha se oposto veementemente à ideia.

Mas a "pequena solução", abrangendo a Confederação Germânica e a Prússia, sem a Áustria, também foi rejeitada pelo imperador austríaco, pois acarretaria perder sua influência sobre a Alemanha. Além disso, essa solução também contrariava a meta de unir no novo reino "todas as pessoas de língua alemã".

Durante meses, ambas as facções se mostraram inconciliáveis, sobretudo porque também havia divergências quanto a uma outra questão: o novo reino deveria ser uma república ou uma monarquia constitucional?

Rei prussiano recusa

A votação foi no dia 27 de março de 1849. Uma maioria apertada votou a favor de uma monarquia constitucional com o rei prussiano à frente, como imperador alemão. Uma delegação foi enviada imediatamente a Berlim, a fim de oferecer a coroa a Frederico Guilherme 4º (1795-1861).

Preußen König Friedrich Wilhelm IV.

Frederico Guilherme 4º

No entanto, o soberano a rejeitou bruscamente. Para ele, a oferta da Assembleia Nacional mais significava uma "coleira de ferro". Como não pretendia se deixar coroar pela "canalha", deu aos alemães a última chance de se agregar em um Estado nacional a partir de um movimento sustentado pelo povo.

Quando as últimas tropas capitularam um pouco depois, em Rastatt, a Revolução Alemã entrava em colapso. Os deputados haviam fracassado não só pela falta de uma base de poder, mas também por não terem solucionado a questão das fronteiras do Estado.

Uma exclusão da Prússia e da Áustria teria levado à solução insatisfatória de estabelecer um Estado alemão aleijado, incapaz – como a Confederação Germânica – de sobreviver de forma autônoma e dependente da boa vontade dos outros dois blocos germânicos. Por outro lado, a inclusão da Prússia e da Áustria teria levado necessariamente à cisão de ambos os Estados, pois grande parte de sua população não era alemã.

Prelúdio de uma era de instabilidade

Versailles Spiegelsaal

Salão de espelhos no Castelo de Versailles

Desta forma, acabou se mantendo o status quo no centro da Europa. Os acontecimentos da Revolução Alemã, no entanto, deixaram claro que o perigo de uma desestabilização aumentara. Cerca de 22 anos depois, acabou-se fundando então um reino alemão, mesmo que sem a participação do povo.

A cerimônia de fundação foi realizada no Salão de Espelhos de Versailles, em janeiro de 1871. Desta vez, o rei prussiano Guilherme 1º (1797-1888) não recusou.

Durante alguns anos, ainda foi possível manter a paz na Europa. Mas a política do novo imperador alemão Guilherme 2º (1859-1941) acabou se tornando cada vez mais agressiva, provocando uma erupção de dimensões imprevistas.

Autor: Matthias von Hellfeld
Revisão: Augusto Valente

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