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Mundo

Revoltas no mundo árabe alteram rota de refugiados para Europa

Os levantes no Oriente Médio não criaram somente uma nova divisão de poder em diversos lugares, mas também alteraram as rotas dos refugiados. Desta forma, o caminho para o continente europeu fica cada vez mais perigoso.

O barco não resistiu à travessia. Ele balançava sobre as ondas, à deriva, enquanto a água entrava cada vez mais, até que finalmente virou. Várias pessoas morreram, entre elas, uma enfermeira síria, que se aventurava até a Europa com o esposo e dois filhos. Seu corpo pôde ser resgatado. O marido decidiu que essa morte não seria em vão, e liberou o fígado e rins da esposa para transplante. Dessa maneira, ele pôde ajudar a três italianos que esperavam desesperadamente por órgãos de reposição.

A morte da jovem é apenas uma entre as muitas que atingem os refugiados sírios em barcos e que o Acnur – Alto Comissariado da ONU para os Refugiados – vem registrando cada vez mais nos últimos meses. Embora a maioria dos sírios tente a sorte por terra, um número cada vez maior procura escapar da guerra civil em sua pátria também usando o caminho marítimo, afirmou o porta-voz do Acnur, Babar Baloch.

Para esses, o mar se apresenta como última saída, já que muitas fronteiras terrestres se encontram fechadas. De fato, os países vizinhos da Síria, que já acolheram 2 milhões de pessoas, não pretendem mais receber refugiados.

Cada vez mais fogem pelo mar

Assim, um número cada vez maior de sírios tenta deixar o país de forma ilegal. Eles procuram abrigo não somente em países vizinhos, mas também na Europa, com tendência crescente. Sempre que possível, tomam o caminho menos por perigoso por terra. Bill Frelick, responsável por refugiados na organização de ajuda humanitária Human Rights Watch, explica que muitos dos sírios que conseguem chegar até a Turquia, tentam a partir daí prosseguir até a Bulgária, país membro da União Europeia.

Flüchtlinge ertrinken vor Lampedusa

Corpos de refugiados resgatados após naufrágio no Mediterrâneo

No entanto, os que não chegam à Turquia são obrigados a escolher uma rota diferente. Esta leva ao sul – e, consequentemente, a algum lugar na costa do Mar Mediterrâneo. Nos últimos meses, um número crescente de sírios tem arriscado a travessia em embarcações muitas vezes precárias. Somente no período entre agosto e meados de setembro deste ano, o Acnur registrou mais de 30 travessias bem-sucedidas do Norte da África para o sul da Itália.

Dessa forma, por volta de 3,3 mil refugiados sírios conseguiram chegar à Europa, entre eles, 230 crianças não acompanhadas. A maioria dos barcos partia do Egito. Recentemente, o Acnur também tem observado viagens a partir da Líbia. Contudo a situação dos refugiados sírios não é fácil em nenhum dos dois países.

Egito, a última estação

Nos últimos tempos, a situação para refugiados estrangeiros no Egito, principalmente para os sírios, piorou novamente, disse Babar Baloch. Até a queda o presidente Mohammed Morsi, no início de julho, os sírios eram bem-vindos no Egito. "Desde então, no entanto, as autoridades agem com eles com rigor cada vez maior." Segundo Baloch, os refugiados precisam de um visto especial e têm que passar por inúmeros controles de segurança. "Além disso, de acordo com nossas fontes, muitos sírios que pretendem deixar o país pelo mar, acabam presos."

Observações semelhantes também foram feitas pela Human Rights Watch (HRW). Segundo a organização de ajuda humanitária, cada vez mais sírios são presos e enviados de volta à sua pátria, ao tentar deixar o Egito pelo Mar Mediterrâneo.

Mas também para refugiados de outros países, principalmente da África Subsaariana, a situação ficou mais difícil. Por exemplo, a rota através da Península do Sinai, utilizada no passado por muitos refugiados africanos para chegar até Israel, encontra-se atualmente fechada. Isso se deve, por um lado, à cerca construída por Israel para isolar suas fronteiras ao sul, mas, por outro, também dos conflitos no próprio Sinai, os quais "transformaram região num local extremamente perigoso", aponta a HRW.

Italien Lampedusa Schiffsunglück

Destroços de barco na Ilha de Lampedusa

Xenofobia na Líbia

Diante de tais dificuldades, os refugiados sírios passaram a levar em consideração até mesmo a Líbia, que se localiza ainda mais a oeste, como ponto de partida para a travessia do Mediterrâneo. Mas ali a situação também não é fácil.

Sob o governo de Muammar Kadafi, não havia leis para proteção de refugiados, relata Bill Frelick, e o o novo governo tampouco cobriu essa lacuna. Além disso, as instituições públicas são fracas, portanto o país não está em condições de proteger os refugiados, acrescenta Frelick. "Assim, a Líbia é um buraco negro, onde a xenofobia é bastante disseminada."

Igualmente inescrupulosa é a forma como os atravessadores procedem com os refugiados. As travessias são mal organizadas, explica Bill Frelick, da HRW. "São também utilizados barcos sem condições de navegar. Se os refugiados não querem embarcar, talvez sejam até ser obrigados."

A essa altura, os refugiados já pagaram o preço da travessia. Para os atravessadores, não importa que se trate de uma viagem rumo à morte. Enquanto isso, a Europa dá sinais de não saber como lidar com a situação.

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