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Cultura

Reveladas imagens inéditas de atrocidades nazistas

Milhões de fotos novas da Segunda Guerra, inclusive imagens aéreas de Auschwitz, toca numa antiga ferida: por que os Aliados não fizeram nada contra o genocídio nazista antes?

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Foto aérea de Auschwitz, recém-divulgada

As fotos mostram a nuvem de fumaça saindo da chaminé do crematório de Auschwitz. Mostram cenas dos Aliados desembarcando nas praias da Normandia no "Dia D", fotos tão nítidas que dá para reconhecer até o vulto dos GIs norte-americanos. Mostram imagens da cidade de Colônia, em ruínas após meses de pesados bombardeios britânicos.

Ao divulgar tais fotos esta semana, os Arquivos Britânicos de Reconhecimento Aéreo da Universidade de Keele reinflamaram lembranças dolorosas da guerra. Quem sabia de quê e quando? E por que ninguém tomou providências mais cedo, para conter as atrocidades nazistas?

Na segunda-feira (19), a Universidade de Keele, na Grã-Bretanha, divulgou mais de 5 milhões de fotos do gênero em um site especial na internet. Durante décadas, as imagens só eram acessíveis para pesquisadores, mantendo-se desconhecidas do grande público. Mas agora, assim catalogadas e acessíveis a qualquer pessoa via online, as fotos mostram perspectivas absolutamente novas do acontecimento mais horrendo e dramático da Segunda Guerra.

As fotos historicamente mais importantes do site são as tiradas em Auschwitz em agosto de 1944; as do "Dia D", feitas em junho do mesmo ano; e as do encouraçado Bismarck, escondido pelos alemães num fiorde norueguês durante cinco dias em maio de 1941, até ser afundado pelas forças britânicas.

"Estas imagens nos permitem testemunhar a guerra de primeira mão", afirmou o coordenador do projeto, Allan William. "Fiquei realmente emocionado com as fotos dos campos de concentração e dos desembarques no Dia D. É como se fosse uma transmissão live daquilo tudo."

Fotos incomodam

Mas as chocantes imagens de Auschwitz reacenderam o antigo e sério questionamento da conduta dos Aliados em relação ao extermínio de massa nazista: por que não tentaram impedir o massacre, bombardeando as ferrovias por onde se faziam as deportações aos campos de concentração?

"Se tivesse sido publicada no momento em que foi tirada, às 11 horas do dia 23 de agosto de 1944, enquanto os judeus húngaros estavam sendo massacrados lá embaixo, esta foto tridimensional – agora trazida à tona por uma máquina do tempo – poderia ter salvado centenas de milhares de vítimas", notou o jornal britânico The Guardian. A foto foi tirada pelo piloto de um avião de reconhecimento das Forças Aéreas britânicas que sobrevoou a Polônia numa fase em que os alemães, sabendo que estavam com os dias contados, intensificaram o ritmo do extermínio em Auschwitz. Os detalhes são tão claros, que uma foto mostra até mesmo prisioneiros se enfileirando para uma inspeção do campo de concentração.

De acordo com um comentário do historiador alemão Hans-Ulrich Wehler, professor visitante da Universidade de Harvard citado na edição de segunda-feira do diário popular alemão Bild, Londres ficou sabendo dos campos de concentração nazistas o mais tardar em 1943. Do site do Memorial do Holocausto nos EUA, que praticamente representa a posição histórica oficial norte-americana, consta que "em 1943, o informante polonês Jan Karski alertou o presidente Franklin Roosevelt sobre notícias de extermínio em massa recebidas por lideranças judaicas diretamente do gueto de Varsóvia. O aviso não foi seguido de nenhuma decisão executiva imediata." No outono de 1944, segundo aponta o museu, os Aliados sabiam do extermínio de Auschwitz.

O coordenador do arquivo, Allan Williams, justificou que os espiões tiravam as fotos em seqüências rapidíssimas, como uma metralhadora, sendo portanto possível que os documentos nunca tenham recebido a atenção merecida. "É fascinante pensar por que quem tirou as fotos não sabia o que estava acontecendo", acrescentou Williams, conjeturando: "Acho que, como tinham ordens de observar estritamente dados militares, provavelmente nem tinham tempo de pensar no que estava acontecendo".

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