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Economia

Reunião de Cancún termina em fiasco

A conferência internacional da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Cancún (México), fracassou. Isto foi anunciado oficialmente na noite do domingo. Os países em desenvolvimento comemoraram vitória.

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Ministros alemães Wolfgang Clement (Economia) e Renate Künast (Agricultura), em Cancún

O fracasso da conferência ficou patente depois que os representantes dos países em desenvolvimento abandonaram a reunião. Na OMC, todas as decisões têm de ser tomadas por unanimidade (e não por maioria). Com a saída dos países do Terceiro Mundo, tornou-se impossível qualquer resolução na rodada de Cancún.

O gesto foi gerado pela indignação com a proposta da mesa diretora de começar os trabalhos com a questão da redução das tarifas aduaneiras e as facilidades para produtos industriais – uma reivindicação dos países ricos – e de deixar a questão das subvenções agrárias para o final do encontro.

Decepção alemã

O governo alemão mostrou-se decepcionado com o resultado da conferência de Cancún. O chanceler federal Gerhard Schröder manifestou contudo a esperança de que as negociações sejam retomadas o mais depressa possível, possibilitando a eliminação das barreiras no comércio internacional.

Segundo Schröder, "em Cancún foi desperdiçada a chance de dar um impulso à conjuntura e ao mercado de trabalho em todo o mundo". O chefe do governo de Berlim anunciou que a Alemanha, juntamente com os parceiros da União Européia, fará gestões no sentido de uma retomada das conversações e a obtenção de um consenso entre os países membros da OMC.

Para a indústria alemã, o fracasso da conferência de Cancún foi uma amarga decepção. Segundo um porta-voz da Federação das Indústrias Alemãs (BDI), perdeu-se uma chance de valor inestimável: um acordo na conferência da OMC teria sido um sinal positivo para a conjuntura econômica mundial, necessitado com urgência.

Acordos bilaterais Também o ministro alemão da Economia, Wolfgang Clement, declarou-se decepcionado, mas ainda tem esperança de que uma nova reunião entre os ministros dos países membros da OMC possa resolver o impasse: "A economia mundial segue seu caminho. A República Federal da Alemanha ocupa o segundo lugar mundial em exportações. Ela continuará cumprindo o seu papel, da mesma forma como a União Européia. Na minha opinião, a UE teve uma influência positiva aqui. É lamentável que isto não tenha tido uma resposta correspondente. Mas espero que esta não seja a palavra final para a OMC."

Wolfgang Clement acredita que, à falta de um acordo multinacional, aumentarão agora as negociações bilaterais entre os países industrializados e em desenvolvimento, visando a obtenção de maiores facilidades de comércio e de investimentos. Imediatamente após o fracasso da conferência de Cancún, o ministro alemão da Economia já recebeu sondagens de países em desenvolvimento, com vistas à negociação de acordos bilaterais de comércio.

Vitória do Grupo dos 21

Muitos países em desenvolvimento consideram-se vitoriosos na disputa de Cancún. Embora não tenham logrado a obtenção de um acordo que lhes abriria os mercados agrários dos países ricos, conseguiram pelo menos impedir a aprovação das reivindicações de redução das tarifas aduaneiras para produtos industrializados e de liberalização do setor de serviços. Isto implicaria em verdadeira invasão dos mercados financeiros e securitários do Terceiro Mundo pelas empresas dos países ricos.

A coesão dos países em desenvolvimento deveu-se sobretudo ao chamado Grupo dos 21, que atuou de maneira extremamente profissional e conseqüente durante toda a conferência de Cancún. Após o encerramento da reunião, os integrantes do Grupo comemoraram o resultado obtido e a sua nova força no cenário internacional.

Também os representantes das ONGs (organizações não-governamentais) consideraram o fim antecipado das conversações como uma vitória. As entidades falaram de uma "vitória defensiva". E elogiaram a coesão dos países em desenvolvimento. Segundo Martin Khor, da Third World Network, o fim da conferência de Cancún "não foi um fracasso, mas sim uma reviravolta. Os países em desenvolvimento demonstraram simplesmente que não se deixam manipular".

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