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Mundo

Reticência de países ocidentais esfria relação com governo e oposição no Egito

Irmandade Muçulmana e governo interino do Egito divergem politicamente, mas têm a mesma opinião sobre os países ocidentais, segundo especialistas. Ambos os querem como aliados e sentem-se abandonados por eles.

Desde a queda do ex-presidente do Egito Mohammed Morsi, no início de julho, a relação entre a Irmandade Muçulmana e o Ocidente ficou estremecida. A organização acusa o governo dos Estados Unidos de apoiar e comemorar o golpe. "Obama ameaçou Morsi abertamente com sanções econômicas", afirma Essam el-Erian, um dos líderes do Partido Liberdade e Justiça, que é ligado à irmandade.

Mas a relação do governo interino do Egito com os EUA também não é das melhores. O jornal Al youm al-sabi, ligado aos opositores de Morsi, criticou a política americana com duras palavras e acusou o presidente Barack Obama de apoiar a Irmandade Muçulmana para, assim, impor seus interesses no país. "Obama sabe muito bem que qualquer outra coisa representaria a derrota em uma batalha na qual seu governo investiu bilhões de dólares", afirma.

Proteste gegen Barack Obama in Kairo Ägypten

Egípcios protestam contra Obama, acusado de ter apoiado golpe contra Morsi

Para o cientista político Gamal Soltan, da Universidade Americana no Cairo, esse clima antiocidental expressa a sensação que os dois lados têm de terem sido abandonados pelo Ocidente. O Egito passa por um conflito profundo, e tanto a Irmandade Muçulmana quanto o governo interino querem ganhar os países ocidentais como aliados, considera Soltan.

"Por um lado, o governo não se sente suficientemente apoiado pelo Ocidente no que chama de guerra contra o terrorismo. Por outro lado, a Irmandade Muçulmana se sente abandonada na luta por princípios que considera democráticos e de direitos humanos", disse à DW o cientista político.

Segundo o especialista, ambos os lados estão convencidos de que defendem valores ocidentais e têm a impressão de que seus esforços não são devidamente reconhecidos pelo Ocidente.

O presidente do grupo parlamentar Alemanha-Egito do Bundestag (Câmara Baixa do Parlamento alemão), Klaus Brandner, é da mesma opinião. Ele afirma que os dois lados, militares e Irmandade Muçulmana, acham que têm razão. "Ambos acreditam ter procedido de maneira engajada e consequente. Mas, no fim, não tiveram seus anseios atendidos."

Posição de distanciamento

Ägypten Protest Muslimbrüder

Seguidores da Irmandade Muçulmana estão decepcionados com o Ocidente, por se sentirem abandonados na luta por princípios democráticos

Para Brandner, o Ocidente tem bons motivos para manter sua posição contida. "Nós não podemos dizer sim para ambos os lados. Falta-lhes a experiência de que processos democráticos precisam vir acompanhados por certa disposição para negociar", diz.

Para Gamal, o descontentamento evidenciado no momento pela mídia egípcia e nas ruas do país pode durar algum tempo – afinal, os dois lados sentem-se traídos. "Essa impressão com certeza marcará a relação entre futuros governos egípcios e o Ocidente", afirma.

Já Brandner espera que a atual ira diminua. A ligação com o Ocidente é muito importante para o Egito, que reconhece os resultados alcançados no trabalho em conjunto com os países ocidentais, afirma o político.

"Naturalmente, não se trata apenas dos êxitos econômicos, mas também das conquistas em direitos humanos e de liberdade. Além disso, uma parcela mais ampla da população passou a ter acesso à educação", diz Brandner.

Os países ocidentais estão diante de um dilema. Não importa o que declarem ou como se comportem, um dos dois grupos egípcios sempre vai se sentir traído. Segundo Soltan, ambos compreendem a reação contida do Ocidente como apoio ao lado oposto e não conseguem ver a situação de outra maneira.

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