Retórica de ódio pode ser causa de atentado nos EUA, apontam críticos | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 10.01.2011
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Mundo

Retórica de ódio pode ser causa de atentado nos EUA, apontam críticos

Atentado no estado norte-americano do Arizona, que deixou um saldo de seis mortos, desencadeia discussão sobre a agressividade que vem permeando o discurso político nos EUA nos últimos tempos.

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Atmosfera política responsável pelo ocorrido?

Ainda não se sabe ao certo quais foram os motivos do atentado ocorrido nos EUA no último sábado (08/01), em um centro comercial de Tucson, no Arizona. O ataque causou seis vítimas fatais e deixou 14 feridos, entre os quais a congressista democrata Gabrielle Giffords, baleada na cabeça. Analistas apontam uma possível relação com o grau de agressividade com a qual determinados políticos do país defendem suas posições.

No dia seguinte ao atentado, Dick Durbin, senador pelo estado de Illinois, criticou pela televisão o slogan "Não recue, recarregue", propagado pela ex-governadora do Alasca, Sarah Palin. "Penso que essa retórica venenosa leva pessoas instáveis a acreditar que esta seja uma resposta aceitável", disse Durbin.

Atmosfera de ódio e rancor

Palin / Washington / Konservative / Republikaner

Sarah Palin: discurso de ódio e rancor

Para Raul Grijalva, deputado do Partido Democrata, o atentado talvez seja o ato de "um maluco isolado". Ainda assim, ele alertou para a atmosfera política no país, que caracteriza o marca com "ódio, ira e amargura". O delegado de polícia Clarence Dupnik, responsável pelas investigações, afirmou não haver dúvidas de que se trata da ação de um "indivíduo extremamente perturbado".

Os republicanos, por outro lado, insistem em não ver nenhuma ligação entre o atentado e a explosiva atmosfera política dos EUA. Por sua vez, o senador Lamar Alexander, do Tennessee, associou o ato a ideologias extremistas. Segundo ele, o acusado teria publicado na internet conteúdos comunistas e nazistas. "Esse não é um perfil de um membro típico do Tea Party", ressalvou Alexander, referindo-se ao partido conservador de Sarah Palin, sobre o qual Giffords alcançara uma vitória eleitoral em 2010.

O deputado Raul Labrador, eleito em Idaho principalmente por simpatizantes do Tea Party, pediu moderação no debate político: "Há extremos dos dois lados. É nossa tarefa falar de forma racional com as pessoas e acalmar a retórica".

Vítima: alerta anterior

Gabrielle Giffords, parlamentar ferida no atentado, encontra-se em coma induzido. Ela havia alertado há meses para os riscos de ataques verbais no debate político norte-americano. As críticas nesse contexto recaem, sobretudo, sobre Sarah Palin.

Em março último, a política do Tea Party publicou em sua página da rede social Facebook um mapa dos EUA com cruzes de mira sobre regiões adeptas do Partido Democrata, assim como marcações sobre 20 parlamentares democratas. "Estamos na lista negra de Sarah Palin", disse Giffords na época. O mapa foi retirado da rede pela equipe de Palin depois do atentado, sob o argumento de que as cruzes de mira teriam apenas um caráter simbólico.

Anschlag Arizona USA Gabrielle Giffords

Parlamentar Gabrielle Giffords encontra-se em coma induzido

O xerife Dupnik afirmou em entrevista à emissora Fox News que o presumível autor do atentado, Jared Lee Loughner, de 22 anos, visava atingir a deputada Giffords. Com 40 anos, ela apoiou aberta e veementemente as reformas do sistema de saúde propostas pelo presidente Barack Obama, assim entrando na mira dos conservadores radicais.

Após o atentado, Palin publicou em sua página, também no Facebook, uma carta de condolências às famílias das vítimas. A maioria republicana no Parlamento cancelou todas as votações marcadas para esta semana. Democratas e republicanos deverão se reunir em sessão conjunta.

A mídia norte-americana continua discutindo o quanto o debate acirrado em torno dos estrangeiros no país pode ter contribuído para a chacina do último sábado.

SV/dpa/afp
Revisão: Augusto Valente

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