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Alemanha

Resistência à construção de mesquitas na Alemanha

Cidadãos de Colônia e de Berlim resistem à construção de mesquitas em seu bairro. O conflito pode ser esclarecido através de informação ou acirrado por populismo de direita.

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Papel das Igrejas cristãs depende das autoridades locais

Após a polêmica das caricaturas de Maomé e o controverso projeto de institucionalizar um teste de naturalização especial para requerentes muçulmanos, o debate sobre o exercício da religião muçulmana dentro da sociedade majoritária cristã na Alemanha ganha um novo campo: os planos de construção de mesquitas em duas cidades alemãs que primam pela mistura multicultural, Berlim e Colônia.

Moschee

Mesquita de Neukölln, em Berlim, com minaretes de 40 metros de altura, os maiores na Alemanha

Nas duas cidades, a população residente nas imediações dos terrenos onde devem ser construídas as mesquitas se revoltou contra os projetos autorizados pelo governo. No momento, as autoridades tentam acalmar os ânimos dos moradores através de iniciativas de esclarecimento sobre o islã e sobre detalhes dos projetos. Mas os dois casos são diferentes.

Islã e diferentes vertentes

Em Colônia, trata-se de uma iniciativa da União Islâmica Turca (Ditib), que quer construir uma mesquita central, moderna e representativa num bairro com uma grande população estrangeira e especialmente turca, Ehrenfeld. A Ditib é a maior organização islâmica da Alemanha, associando cerca de um milhão dos 2,5 milhões de muçulmanos do país.

Fathi Moschee wird eingeweiht

Sala de orações da mesquita de Wülfrath, perto de Düsseldorf

Em Berlim, o debate foi desencadeado pelos planos de construção de uma pequena mesquita para a comunidade muçulmana Ahmadiyya, com apenas 200 membros. No entanto, esta deverá ser a primeira mesquita de Berlim Oriental, a ser construída num terreno baldio, próximo do acesso rodoviário de Pankow-Heinersdorf, no nordeste da cidade. E a população do bairro, com 6,3 mil moradores ali residentes desde antes da reunificação alemã, é bastante homogênea, sem quase nenhum estrangeiro.

Medo de fundamentalismo

Um bairro multicultural no centro de uma cidade de porte médio no Oeste alemão e uma comunidade de moradores de um bairro periférico de uma cidade grande no Leste são palcos distintos para um conflito semelhante: a população resiste à instalação de uma comunidade religiosa muçulmana em seus arredores por medo e falta de informação.

A resistência não deixa de ter causas superficiais, como a preocupação com o aumento de trânsito nas ruas e o volume da recitação do muezim convocando à oração. Mas o medo de estar exposto ao extremismo islâmico é um fator irracional básico nos dois casos.

Abu Bakr Moschee in Bremen

Mesquita Abu Bakr, em Bremen

Em Berlim, a comunidade que pretende construir a mesquita é bastante conservadora, proibindo – por exemplo – meninas de participar de excursões de escola ou aulas de natação. Mas, segundo avaliação da Secretaria do Interior de Berlim, a Ahmadiyya é um agrupamento pacífico do islã.

Atuação política pesa

Em Colônia, o projeto conta com o apoio institucional das bancadas de todos os partidos e das duas grandes Igrejas cristãs. As únicas críticas provêm do próprio Conselho Central dos Muçulmanos, que lamenta a falta de representatividade do projeto por sua ligação direta com a Turquia.

Modell der Großmoschee in Köln

Maquete do projeto vencedor para grande mesquita de Colônia: decisão ainda em aberto

A grande controvérsia em Colônia é em torno dos símbolos muçulmanos a serem explicitados ou não no projeto arquitetônico da mesquita. Já na periferia da capital alemã, o caso tem um agravante, sendo utilizado como instrumento de populismo eleitoral por parte de democrata-cristãos e neonazistas.

Os protestos da associação de cidadãos de Pankow-Heinersdorf receberam o apoio da União Democrata Cristã (CDU) e da Igreja Luterana, além de terem sido acompanhados por radicais de direita do NPD (Partido Nacional Democrático da Alemanha). Um filiado da CDU foi expulso do partido por ter participado ativamente de uma manifestação neonazista em oposição à mesquita.

Esta não é a primeira vez que a construção de mesquitas na Alemanha conta com a resistência da população. Mas os atuais casos de Berlim e Colônia mostram a importância de autoridades políticas e religiosas tentarem solucionar o conflito através de diálogo e informação, ao invés de acirrá-lo e instrumentalizá-lo para fins eleitorais.

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