Resgate da Grécia deverá incluir participação de credores privados | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 21.07.2011
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Economia

Resgate da Grécia deverá incluir participação de credores privados

Pelo projeto que está sendo debatido em Bruxelas, países da zona do euro vão correr o risco de a Grécia ser classificada como incapaz de pagar suas dívidas pelas agências de rating.

Merkel chega a Bruxelas para participar do encontro

Merkel chega a Bruxelas para participar do encontro

O segundo bilionário pacote de ajuda à Grécia deve incluir a participação de credores privados, mesmo correndo o risco de uma classificação de "default seletivo" pelas agências de rating para os títulos gregos, segundo um rascunho do acordo ao qual a imprensa teve acesso.

De acordo com o documento, o setor privado concorda em participar dos planos para salvar a Grécia, desde que a participação se dê de forma voluntária.

O acordo está sendo debatido nesta quinta-feira (21/07) em Bruxelas pelos chefes de governo da zona do euro. A principal oposição à participação dos credores privados vinha do presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet.

Ele argumentava que, caso os títulos gregos fossem classificados como "default", não poderiam mais ser aceitos como garantia para o provimento de liquidez aos bancos gregos pelo BCE. Isso levaria a um colapso do sistema bancário grego.

Segundo a agência de notícias Reuters, Trichet cedeu durante uma reunião em Berlim, na noite de quarta-feira, da qual participaram também a chanceler federal alemã, Angela Merkel, e o presidente da França, Nicolas Sarkozy.

A exigência de Trichet é que os demais países da zona do euro deem garantias extras aos títulos gregos, para que eles possam continuar sendo aceitos pelo BCE, afirma a Reuters.

Detalhes do plano

Segundo diplomatas que participam das negociações, o segundo pacote para a Grécia deverá ficar entre 115 bilhões e 120 bilhões de euros. O valor virá do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) – ou seja, dos demais países da União Europeia –, do FMI e também do setor privado.

A parte da União Europeia e do FMI somaria 71 bilhões de euros, o setor privado arcaria com 17 bilhões de euros – por meio da troca de títulos – e a Grécia entraria com 30 bilhões de euros oriundos do seu programa de privatização.

A participação dos credores privados – bancos e seguradoras, por exemplo – se daria por meio de uma troca de papéis. Eles trocariam os títulos atuais por outros, de vencimento mais longo. Isso representaria perdas financeiras, mas em troca haveria maior segurança. A adesão é voluntária.

Entre as condições acordadas pelos líderes da zona do euro relativamente ao empréstimo concedido pelo FEEF está uma redução da taxa de juros de 4,5% para 3,5% ao ano, assim como uma ampliação do vencimento da dívida de sete anos e meio até um máximo de 15 anos.

Além disso, o FEEF deverá ter poderes para comprar títulos de países europeus no mercado financeiro, o que também traria uma redução da dívida grega, já que os títulos gregos são no momento cotados a valores inferiores ao de emissão. A Alemanha se opunha a essa ideia.

A criação de uma taxa bancária para financiar parte da dívida grega, uma ideia defendida principalmente pela França, foi descartada já na reunião entre Merkel, Sarkozy e Trichet em Berlim.

A decisão final sobre o segundo pacote de ajuda à Grécia é aguardada para a noite desta quinta-feira em Bruxelas.

AS/rtr/afp/dpa/lusa
Revisão: Roselaine Wandscheer

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