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Alemanha

República senil favorece a juventude

Há mais mortes que nascimentos na Alemanha. Há anos. Em pouco tempo, os anciães constituirão a grande maioria da população alemã.

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A população é cada vez mais velha na Alemanha

Segundo os prognósticos das Nações Unidas, a população alemã diminui em cerca de 200 mil pessoas a cada ano. Para melhor exemplificar o que significa tal número abstrato, o semanário Die Zeit lançou mão de um artifício, em artigo publicado recentemente. Sugeriu que se tome um mapa da Alemanha e, a cada ano, se apague uma cidade que tenha em torno de 200 mil habitantes. No ano de 2050, existiriam então 47 cidades-fantasmas no território alemão. E todas de médio porte, como Lübeck, Magdeburg, Erfurt ou Kassel.

A população alemã envelhece e se reduz a olhos vistos. De uma forma tão rápida, que até mesmo uma imigração maciça ou uma explosão repentina do número de nascimentos não solucionariam o problema. Serviriam apenas de paliativo, retardando um pouco o processo. Para evitar o rápido envelhecimento da população da Alemanha, calculam os especialistas da ONU, seria necessária uma imigração anual de 3,4 milhões de pessoas jovens. Isto significaria o acolhimento de cerca de 160 milhões de estrangeiros até o ano 2050: o dobro da atual população alemã.

Velhice é tabu

Apesar da gravidade da situação, o problema ainda é praticamente ignorado pelos políticos e pela própria população. Die Zeit cita Rainer Münz, professor de Demografia na Universidade Humboldt de Berlim, segundo o qual o assunto só será realmente levado em conta quando seus alunos atuais estiverem sentados em cadeiras de roda e já não exista ninguém para empurrá-los.

O tema da velhice é um verdadeiro tabu, talvez um dos últimos que restam aos alemães. Não se pergunta a idade, ninguém fala dela. Velhos são sempre os outros. Todos os aposentados sentem-se mais jovens do que realmente são. Isto pode ser interpretado como uma prova de vitalidade. Mas também pode ser uma perda coletiva do senso de realidade.

O desapreço aos velhos assume formas bizarras. Alguns bancos não concedem empréstimos a pessoas de mais de 68 anos. Cientistas de renome têm de emigrar, por exemplo para os Estados Unidos, se quiserem continuar pesquisando depois de atingir a idade de aposentadoria – 65 anos. Os desempregados que tenham ultrapassado a idade de 58 anos não são incluídos nas estatísticas de desemprego.

Discriminação etária

Um estudo da Fundação Bertelsmann, citado no artigo de Die Zeit, constatou que nenhum outro país industrializado tem tão poucos empregados com mais de 55 anos de idade como a Alemanha. Somente um terço dos homens alemães entre 60 e 64 anos tem emprego. Nos Estados Unidos, a metade dos homens nesta faixa etária está empregada.

Na maioria dos países industrializados existem leis que controlam tal tipo de discriminação etária. Não, na Alemanha. Na cidade de Colônia, há uma organização que trata do tema. E ela não encontra apoio sequer dos sindicatos. Pois, foi dos próprios sindicatos que partiram os inúmeros modelos de aposentadoria precoce, a fim de abrir novas vagas para os desempregados jovens.

A incúria da classe política em relação ao assunto tem também um fundo histórico. Expressões do tipo "política populacional" ou "política demográfica" evocam na memória coletiva dos alemães a recordação da demência racial dos nazistas. E isto faz com que as autoridades alemãs sempre evitem falar abertamente da questão. Ao contrário, por exemplo, dos Estados Unidos – o único país industrializado com crescimento populacional. Lá, os políticos citam claramente a taxa de fertilidade dos americanos e vêem os jovens como garantia da força e do dinamismo do país.

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