Renúncia do presidente da Bertelsmann surpreende | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 29.07.2002
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Economia

Renúncia do presidente da Bertelsmann surpreende

Em quatro anos Thomas Middelhoff (49) transformou a Bertelsmann na quinta empresa de mídia do mundo, com faturamento de 20 bilhões de euros. Nem todos, porém, concordavam com sua visão empresarial.

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Thomas Middelhoff: o capitão abandona o bem sucedido barco

Ron Sommer, ex-presidente da Deutsche Telekom, não foi o único executivo a deixar a presidência de uma grande empresa alemã em julho. Em pleno domingo (28), anunciou sua demissão Thomas Middelhoff, presidente da Bertelsmann, o grande império de mídia alemão. Ambos na faixa dos 50 anos, Sommer e Middelhoff têm em comum boa reputação como executivos, mas a situação de suas empresas divergiam diametralmente.

Enquanto a Telekom está às voltas com a crise no setor de telecomunicações e altas dívidas, a Bertelsmann cresceu e floresceu sob a administração de Middelhoff até transformar-se no quinto grupo de mídia do mundo. Seu afastamento deu margem a especulações de que ele poderá ser o próximo presidente da Telekom.

Planos demasiado arrojados

Thomas Middelhoff foi demasiado arrojado em seus planos, o que desagradou os conservadores no conselho fiscal, sobretudo seu presidente, Gerd Schulte-Hillen. Este teria conseguido convencer a familia Mohn, proprietária do grupo, a dispensar o executivo. Os motivos teriam sido divergências quanto à estratégia da empresa e o lançamento de ações em 2005.

Ao que tudo indica, foi isso que mais pesou: sua tentativa de levar a Bertelsmann à bolsa, a fim de criar um império que nada ficasse a dever à AOL Time ou à Disney. Seu entusiasmo pela Internet e sua disposição em comprar empresas também assustaram os altos escalões de uma empresa fundada no século XIX como editora de livros de canções e que até hoje tem sua sede perto de Gütersloh, cidade da Westfália que não chega a ter 100 mil habitantes.

O império Bertelsmann

A primeira grande compra do executivo foi a da Random House americana, com o que passou a pertencer ao grupo a maior editora do mundo. Depois, a Bertelsmann assumiu a maior parte das ações no grupo RTL, que possui inúmeros canais de televisão na Alemanha. O grupo tem 81 mil funcionários e atividades em 60 países.

A compra do Napster, o programa de troca de títulos musicais na rede, também foi um dos pomos da discórdia. Principalmente a atitude de Middelhoff de apoiar o Napster mesmo quando as grandes gravadoras anunciaram processos por causa de violações do copyright.

Fato é que o império por ele criado hoje se apoia em três pilares: conteúdos, clientes e serviços de mídia, incluindo TV, gravadoras, editoras e Internet. Em termos de aumento de lucro e faturamento, Middelhoff é um dos executivos mais bem sucedidos da Alemanha.

Tendo assumido a presidência da empresa em 1998, logo no primeiro ano conseguiu aumentar o faturamento em 42%. No ano passado, com novo aumento de 25%, a Bertelsmann faturou 20 bilhões de euros. O lucro operacional de 3 bilhões de euros estabeleceu um novo recorde em 2001. O capital próprio aumentou 300%, os investimentos, 100%. Como se isso não bastasse, as dívidas diminuíram 95% para 100 milhões de euros.

Quem tem um currículo desses não ficará muito tempo sem emprego. Imediatamente surgiram especulações de que Thomas Middelhoff iria para a Deutsche Telekom, que está com presidente interino desde a saída de Ron Sommer. O governo alemão, que teria interferido pressionando a saída de Sommer, por conta de a União ser o maior acionista da Telekom, não quis fazer nenhum comentário. Um porta-voz disse apenas que cabe ao conselho fiscal escolher o novo presidente da gigante alemã das telecomunicações.

Os boatos deram impulso à ação da Telekom, que chegou a valorizar-se 5% nesta segunda-feira (29). Segundo o diário alemão Bild, não houve nenhum contato com a Telekom, mas o executivo teria recebido uma oferta da AOL/Time Warner nos EUA.

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