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Alemanha

Renúncia do Papa é recebida com compreensão e respeito na Alemanha

De líderes políticos a personalidades religiosas, louvores são unânimes. Brilho de Ratzinger como teólogo e intelectual é colocado em primeiro plano. Mas também há críticas isoladas a seu conservadorismo ferrenho.

A notícia da renúncia do papa Bento 16, nesta segunda-feira (11/02), foi recebida em seu país natal com consternação, compreensão, mas também com críticas isoladas. Políticos e prelados da Alemanha louvaram o atual líder da Igreja Católica como importante teólogo, que demonstra coragem e soberania de espírito resignando ao posto.

O presidente Joachim Gauck lembrou que "um alemão assumir a sucessão de João Paulo 2º foi de significado histórico para o nosso país". Em Joseph Ratzinger unem-se "alta formação teológica e filosófica com linguagem simples e afabilidade", apontou o chefe de Estado.

A chefe de governo Angela Merkel manifestou "o mais profundo respeito" pelo Sumo Pontífice, elogiando seu diálogo, tanto com as demais Igrejas cristãs, quanto com judeus e muçulmanos. Bento 16 "é e permanecerá um dos mais importantes pensadores religiosos de nosso tempo", comentou a premiê democrata-cristã.

O presidente da Conferência dos Bispos Alemães, Robert Zollitsch, mencionou seus "grandes gestos humanos e religiosos". O papa estaria dando "um luminoso exemplo de verdadeira consciência de responsabilidade". Seu desejo de conciliar fé e razão atravessaria toda sua atuação "como um fio de Ariadne", declarou o arcebispo.

Para Nikolaus Schneider, presidente do conselho da Igreja Luterana da Alemanha (EKD), a renúncia é "comovente". Faz parte "da medida do humano" que cargos só sejam exercidos por prazo limitado, e é um bom sinal Bento 16 estar expressando esse fato, através de sua resignação.

Papst Benedikt XVI Brasilien 2007

Bento 16 em Aparecida, Brasil, 2007

Crítica ao conservadorismo

Joseph Ratzinger, nascido na Baviera em 1927, é o principal representante do 1 bilhão de católicos de todo o mundo desde 2005. Consta que ele passará seus anos de descanso em Roma. Segundo suas próprias palavras, ele abandona o pontificado em 28 de fevereiro próximo "para exercer o serviço de Pedro de forma adequada", já que, devido à idade, suas forças não mais lhe permitem permanecer no cargo. No entanto, segundo seu irmão, o padre e músico Georg Ratzinger, trata-se fundamentalmente de uma decisão de consciência, reforçada pelas considerações de saúde.

Após a divulgação da decisão do Papa, ele também recebeu louvores e reconhecimento por parte de entidades judaicas e islâmicas da Alemanha. Segundo o Conselho Central dos Judeus, seguindo os passos de seu antecessor, João Paulo 2º, Bento 16 deu "novos impulsos" à relação judaico-cristã e "a preencheu de cordialidade". Para a associação islâmica DITIB, ele deixou claro que os muçulmanos são uma parte inalienável da Alemanha.

Já o teólogo católico suíço Hans Küng, de 84 anos, manifestou respeito, mas também a esperança de que Ratzinger não tenha qualquer influência sobre a escolha do futuro pontífice, que terá como missão tirar a Igreja "de sua múltipla crise". No entanto, "será difícil encontrar uma pessoa no Conselho de Cardeais, que é altamente conservador devido à fatal política de pessoal dos últimos dois papas". Radicado em Tübingen, Alemanha, Küng foi punido em 1979 pelo Vaticano por questionar a infalibilidade do Papa.

O diretor do Instituto de Pesquisa Ecumênica de Estrasburgo, Theodor Dieter, observou: "Apesar de todas as críticas, nenhum papa conhecia a teologia e religião luterana tão bem quanto Bento 16, e ele sempre foi um bom interlocutor em questões ecumênicas". Assim, sua renúncia poderá vir a ter consequências negativas para o relacionamento entre as igrejas católica e luterana.

AV/kna/epd/afp
Revisão: Francis França

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