Renúncia de Wulff pode ameaçar liderança de Merkel | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 18.02.2012
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Mundo

Renúncia de Wulff pode ameaçar liderança de Merkel

Chanceler federal da Alemanha se pronunciou apenas brevemente com relação à renúncia do presidente Christian Wulff, não permitindo perguntas da imprensa. O caso surpreendeu a chefe de governo em momento inoportuno.

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Angela Merkel (esq.) e Christian Wulff,

A renúncia do presidente, o mais alto representante do Estado alemão, traz grandes problemas à chefe de governo. Justamente na hora em que Angela Merkel se encontra envolvida em importantes negociações para resolver a grave crise da divida do euro, ela é surpreendida por uma crise de Estado.

Na manhã de sexta-feira (17/02), ela cancelou repentinamente sua viagem à Itália, onde encontraria o primeiro-ministro do país, Mario Monti. A busca por um sucessor de Christian Wulff e as consultações para encontrar um candidato adequado vão desviar a atenção da chefe de governo da gestão da crise do euro.

Questão de poder

Mas para Angela Merkel o assunto envolve uma questão de poder. Um presidente tem entre suas funções a assinatura de todos os projetos de lei aprovados pelo Parlamento. Se ele não o faz, as leis propostas não podem entrar em vigor. Por isso, a premiê tem um interesse natural em nomear um nome que tenha uma certa proximidade com a sua linha política.

Bundespräsident Wahl Christian Wulff CDU Bundespräsidentenwahl

Wulff foi escolhido apenas na terceira rodada

Para tal, o candidato teria que contar com o apoio amplo da sua coalizão de governo, formada pelos partidos FDP e CDU/CSU, no grêmio que elege o presidente, a Assembleia Federal (Bundesversammlung). Nela, estão os deputados do Parlamento e mais diversas outras pessoas nomeadas pelos governos estaduais.

Já em 2010, a escolha do candidato de Merkel, Christian Wulff, foi obtida somente na terceira rodada de votação, devido à maioria apertada da coalizão de governo. Agora, existe a ameaça de que essa maioria se torne ainda mais reduzida. Até dia 18 de março, a Assembleia Federal deve se reunir para escolher o sucessor de Christian Wulff.

Isso significa que a chanceler federal pode ainda contar com uma maioria naquele grêmio, maioria essa que pode deixar de existir depois do dia 6 de maio, quando ocorrem eleições no estado de Schleswig Holstein. Uma derrota dos partidos do governo alemão naquela região significará a perda da maioria no Bundesrat, a câmara alta do Parlamento. O Bundesrat é composto pelos representantes de 16 estados alemães e eles são responsáveis pela metade dos integrantes da Assembleia Federal.

Reputação de Merkel permanece intacta

Mas a reputação da premiê parece não estar sofrendo com o problema. Nas últimas semanas, seu prestígio até subiu. Segundo as pesquisas de opinião, a população alemã tem apreciado a forma como Merkel vem gerenciando a crise europeia até agora, e não tem associado a chefe de governo com as acusações que pesam sobre o presidente.

Flash-Galerie Horst Köhler

Ex-presidente Horst Köhler renunciou em 2010

Christian Wulff foi o candidato preferido por Angela Merkel para o cargo de presidente. Em 2010, ele ainda gozava de uma boa reputação como governador da Baixa Saxônia, e era tido até como um candidato à Chancelaria Federal. Na opinião de muitos observadores políticos em Berlim, Angela Merkel teria pensado estrategicamente, ao sugerir para a presidência o nome de um possível rival.

A imagem positiva que gozava o político de 51 anos deveria servir para beneficiar não só a presidência em si como a própria Merkel. Em 2010, o então presidente Horst Köhler havia renunciado de forma surpreendente. Assim, seu sucessor deveria ser alguém que colocasse no passado essa situação – embaraçosa para Angela Merkel.

Caso as acusações contra Christian Wulff sejam confirmadas, então chanceler federal teria problemas adicionais, podendo enfrentar reclamações de ter apoiado por tempo demasiado um homem que não merecia tal lealdade. Vozes críticas da oposição já tocaram na questão nesses últimos dias. Mas esse é até agora um debate puramente interno, que não deverá ter repercussão internacional alguma para a chefe de governo.

Autor: Wolfgang Dick (md)
Revisão: Augusto Valente

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