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Alemanha

Renúncia de vice-chanceler alemão traz incerteza à coalizão

Com a renúncia de Franz Müntefering, Angela Merkel perde seu mais forte aliado entre os social-democratas. Os ataques do novo vice-chanceler Frank-Walter Steinmeier a Merkel deixam incerto o futuro da grande coalizão.

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Novo vice-chanceler Frank-Walter Steinmeier criticou recentemente Merkel

Um dia após a saída do vice-chanceler alemão, os partidos da grande coalizão de governo trocam as mais graves acusações, até agora, quanto à adoção de um salário mínimo para o setor de correio, tema de discórdia dos partidos da coalizão SPD e União (CDU/CSU) e suposto motivo da renúncia do antigo ministro do Trabalho e vice-chanceler Franz Müntefering (SPD).

"O tom dos social-democratas em relação à chanceler federal é indecente", afirmou o secretário-geral do CDU Ronald Pofalla, nesta quarta-feira (14/11), em Berlim. Pofalla rebateu assim as acusações do seu colega do SPD, Hubertus Heil, de que Merkel teria se deixado levar pelo lobby de empresas interessadas em impedir a introdução de um salário mínimo para o setor, cujo monopólio do Deutsche Post acaba em janeiro próximo.

Se este será o tom entre os partidos de coalizão, daqui por diante, ainda não se sabe. O certo é que, com a saída de Müntefering, a chanceler federal perdeu seu maior aliado no SPD. Merkel terá agora que construir uma relação de confiança com Frank-Walter Steinmeier (SPD), atual ministro das Relações Exteriores e sucessor de Franz Müntefering no cargo de vice-chanceler.

Merkel e Steinmeier

Bundeskanzlerin Angela Merkel, rechts, und Vize-Kanzler Franz Muentefering, links, berichten waehrend einer Pressekonferenz am Freitag, 24. August 2007, in Berlin ueber die Ergebnisse der Kabinettskla

Müntefering foi grande aliado de Merkel no SPD

Apesar de a Chancelaria Federal e as lideranças do SPD afirmarem que os trabalhos irão continuar mesmo sem o antigo vice-chanceler, todos estão de acordo que as relações de forças se deslocaram, na grande coalizão, após a saída de Franz Müntefering. Isto não se refere somente à posição de Steinmeier, mas também à do presidente dos social-democratas, Kurt Beck, governador do estado da Renânia-Palatinado, que decidiu continuar no cargo de governador de seu estado.

Além de Beck, a relação entre Merkel e Steinmeier influenciará o clima na grande coalizão. No entanto, antes da recente viagem surpresa de Merkel ao Afeganistão, Steinmeier a havia criticado por ainda não ter visitado o país, como também considerou um erro grave a recepção de Angela Merkel ao Dalai Lama.

Dois terços dos temas previstos no contrato de coalizão já foram trabalhados e assim também boa parte daquilo que os parceiros se propuseram fazer. A tentação de destacar o perfil de cada partido se acentua com a chegada das eleições estaduais e, aparentemente, o SPD tenta desbancar a popularidade de Merkel, acusando-a de não ter sido correta quanto ao tema do salário mínimo.

"O tema do salário mínimo toca as pessoas, e isto será sentido pela senhora Merkel nas eleições estaduais", afirmou o antigo ministro das Finanças Hans Eichel (SPD), em entrevista à rede de TV N24, nesta quarta-feira.

Reações da imprensa

Diversos jornais internacionais avaliam a renúncia de Franz Müntefering e advertem para os perigos contra a grande coalizão:

O diário suíço Neue Zürcher Zeitung comenta: "Os social-democratas alemães, cuja popularidade e autoconfiança, como parceiros da coalizão berlinense, não repousam em base sólida, terão agora que se arranjar sem o tradicional soldado do partido 'Münte'. Sabe-se que, na política, ninguém é insubstituível… Possivelmente, ficará mais difícil para a chanceler federal Merkel manter a grande coalizão como parceria com capacidade de ação sem o apoio de Müntefering".

Para o jornal austríaco Der Standard, "a inesperada renúncia de Müntefering é um grande choque: não somente o SPD foi pego de surpresa, mas também a coalizão como um todo. Pois a data da saída não poderia ser mais inconveniente para o partido: após a convenção partidária de outubro, as divergências entre Beck e Müntefering pareciam estar superadas, pelo menos superficialmente. No encontro dos camaradas, uma coisa ficou clara: Beck é o chefe do partido, mas as palmas foram para Müntefering".

O milanês Corriere della Será escreve: "Angela Merkel está agora frente a um parceiro social-democrata implacável. Mas também para Kurt Beck a situação não é fácil. Com Müntefering fora do jogo, ele solidifica seu completo poder no partido. Com o direcionamento mais à esquerda do SPD, há o perigo de perda de votos do centro, e a ascensão de Steinmeier traz um concorrente partidário interno com vistas à decisão de quem vai desafiar Merkel nas eleições de 2009". (ca)

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