Renúncia de altos comandantes militares abala Turquia | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 30.07.2011
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Mundo

Renúncia de altos comandantes militares abala Turquia

Há 250 oficiais presos no país, acusados de conspirar contra governo islâmico-conservador. Reunião no início de agosto é chance para premiê fechar lacunas, designando militares mais favoráveis a seu partido.

FILE - In this Aug. 27, 2008 file photo,Turkey's Chief of Staff Gen. Ilker Basbug, left, and Turkish army's Land Forces Commander Gen. Isik Kosaner seen during a ceremony in Ankara, Turkey, Turkey's current Chief of Staff Gen. Kosaner and other top commanders have resigned Friday, July 29, 2011 Gen. Kosaner and top army commanders have resigned Friday, July 29, 2011 in what is seen as tensions with the Islamic-rooted government.(Foto:Burhan Ozbilici, File/AP/dapd)

General Işık Koşaner renuncia

As forças militares da Turquia e o primeiro-ministro Tayyip Erdoğan travam uma nova prova de força. Na noite desta sexta-feira (29/07), quatro dos mais altos comandantes do país renunciaram em conjunto. Deste modo, manifestam seu protesto pela prisão de 250 oficiais, acusados de conspiração contra o governo em Ancara.

ARCHIV - Der türkische Ministerpräsident Recep Tayyip Erdogan grüßt seine Anhänger von der AKP am 05.06.2011 in Istanbul. Die islamisch-konservative Partei AKP von Ministerpräsident Erdogan ist einer Prognose zufolge deutlicher Sieger der Parlamentswahl in der Türkei. Die AKP komme in ersten Auszählung auf 55,6 Prozent der Stimmen, berichtete der Nachrichtensender CNN Türk am Sonntag (12.06.2011) nach Schließung der Wahllokale auf Grundlage inoffizieller Berechnungen. Vor vier Jahren hatte die AKP knapp 47 Prozent der Stimmen bekommen.Foto: TOLGA BOZOGLU +++(c) dpa - Bildfunk+++

Premiê Erdogan durante as eleições de junho

O general Işık Koşaner fora designado chefe do Estado-Maior das Forças Armadas turcas há apenas um ano. Em seu comunicado de despedida aos "irmãos de armas", ele alegou não ser mais possível permanecer no posto, já que ele era incapaz de defender os diretos dos homens presos em consequência do que classificou como um processo jurídico falho.

Embora sem mencionar seus motivos, o gabinete de Erdoğan informou que renunciaram, além de Koşaner, também os supremos comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica.

Operação "Marreta"

A Turquia possui o segundo maior contingente militar entre os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte. Suas poderosas Forças Armadas se consideram defensoras do legado secular do fundador da nação Mustafa Kemal Atatürk, e nos últimos 50 anos derrubaram vários governos.

Por meio de uma série de reformas, o premiê Erdoğan pôs fim a essa dominância. Uma de suas metas é, assim, melhorar as chances de o país ser admitido na União Europeia. As relações entre os militares e o AKP, partido islâmico-conservador do chefe de governo, são tensas, desde a primeira vitória eleitoral deste, em 2002. Nas eleições parlamentares de junho último, o AKP voltou a ganhar pela terceira vez, angariando 50% dos votos.

A desvantagem dos generais tornou-se inegável quando, no ano passado, a polícia começou a prender oficiais em massa. Eles são acusados de, em 2003, haver discutido um golpe militar contra o regime de Erdoğan, durante um seminário militar, sob o codinome "Marreta". Os oficiais rebatem as acusações como sendo forjadas: segundo eles, tratava-se meramente de jogos de estratégia militar.

Chance para o partido do premiê

Turkish Land Force Commander Gen. Yasar Buyukanit, center, and other army officers salute the coffin of Muhremin Basaran, one of five Turkish soldiers killed by Kurdish rebels in mountainous southeast Turkey, in Haymana near Ankara, Thursday, April 6, 2006. Turkey's leaders promised Thursday an enhanced fight against Kurdish militants without backtracking on any democratic reforms carried out as part of its bid to join the European Union. (AP Photo)

Turquia tem 2º maior contigente da Otan

Na próxima segunda-feira, o Supremo Conselho Militar terá uma reunião de rotina, voltada a decisões importantes de pessoal. Segundo o gabinete em Ancara, a conferência transcorrerá como planejado. Supõe-se que Erdoğan pretenda ocupar rapidamente os postos que ficaram subitamente vagos. Segundo observadores, agora o primeiro-ministro turco terá a chance de instalar no alto escalão oficiais mais favoráveis a seu partido.

Atualmente, encontram-se encarcerados 42 generais ativos – quase 10% de todos comandantes militares do país. Segundo a imprensa nacional, na sexta-feira um promotor público haveria impetrado mandado de prisão contra 22 outros militares, entre os quais, altos comandantes. O jurista em questão está investigando mais um suposto complô contra o chefe de governo.

Aparentemente, essas novas prisões teriam sido o motivo da renúncia de Koşaner. Nos últimos dias, o general tivera vários encontros com Erdoğan, visando uma solução do conflito antes da reunião de segunda-feira.

AV/rtr/dapd/afp
Revisão: Bettina Riffel

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