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Mundo

Religião: óleo ou água na fogueira?

Durante três dias, 550 líderes religiosos e milhares de leigos participaram em Aachen de um encontro em que se debateu o papel e a responsabilidade das religiões no mundo de hoje — entre a guerra e a paz.

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Diferentes religiões unidas em Aachen em prol da paz

Atentados de palestinos islâmicos contra judeus, conflitos entre xiitas e sunitas, hinduístas e muçulmanos, cristãos e ortodoxos, católicos e protestantes. Um presidente cristão que faz uma guerra reportando-se à luta do "bem" contra o "mal". Quem acompanha o noticiário sobre os acontecimentos em nosso mundo não pode furtar-se à impressão de que grande parte dos cerca de 30 conflitos armados que acontecem atualmente em todas as partes do globo têm motivação religiosa.

Serão as religiões a principal causa de conflitos e guerras, ou serão elas apenas institucionalizadas para essa finalidade? Esta foi a questão central debatida em mais de 30 painéis por líderes e leigos católicos, protestantes, ortodoxos, budistas, muçulmanos, judaicos, hinduístas, xamanistas e de outras comunidades religiosas durante três dias, em Aachen, cidade alemã situada na fronteira com a Holanda e a Bélgica.

Raízes na oração pela paz de João Paulo II

"As religiões podem ser o óleo que é atirado na fogueira para que as chamas ardam com maior intensidade e violência. Mas elas podem também — e esta é sua vocação — ser a água, capaz de apagar por completo o fogo", afirmou na abertura do evento o historiador italiano Andrea Riccardi. A esperança contida nesta declaração é a mola propulsora do fundador do movimento laico Sant' Egidio, que vem promovendo este encontro internacional pela paz há 17 anos.

Inspirado pelo sucesso da primeira oração pela paz com líderes de diferentes religiões que atenderam ao convite do papa João Paulo II e compareceram a Assis, em 1986, Riccardi passou a promover, com sua organização laica fundada já em 1968, encontros mundiais anuais em diferentes cidades européias. O evento realizou-se este ano pela primeira vez na Alemanha.

Os cristãos e suas responsabilidades

Ao lado de altos dignitários e líderes, foram os leigos que se destacaram nos pódios, buscando um diálogo honesto e autocrítico, sem se deixar abater pelos reveses dos conflitos que se multiplicam. E levados pela fé de que a fraternidade é "a única saída para o futuro da humanidade", como salientou Francisco Whitaker num painel que tratava das "responsabilidades dos cristãos em meio ao caos do mundo".

Whitaker, membro da Comissão Brasileira Justiça e Paz e do Secretariado do Fórum Social Mundial, único brasileiro a participar do evento, apontou como caminho para a paz a "retomada da ação transformadora das estruturas econômicas e políticas que a humanidade construiu até agora e que se situam entre as causas da atual tragédia".

Percorrer esse caminho é possível, por exemplo, através da participação num dos milhares de movimentos da sociedade civil mundial comprometidos com "um convívio efetivamente democrático, o respeito à diversidade, a troca horizontal de conhecimentos e experiências", tendo em vista a "co-responsabilidade pelo futuro do mundo". Essa imensa força coletiva é, para Whitaker, uma fonte de esperança. E manter a esperança, conclui, é "a maior de nossas responsabilidades enquanto cristãos".

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