Relatório da OMS registra vitórias e falhas no combate à tuberculose no mundo | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 12.11.2010
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Mundo

Relatório da OMS registra vitórias e falhas no combate à tuberculose no mundo

Sucessos em 2009, sobretudo nos países pobres. Organização planeja, até 2015, reduzir número de mortes à metade, em relação a 1990. Porém faltam US$ 14 milhões para pesquisas. Cepas multirresistentes são grande ameaça.

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Conquistas na Índia foram 'espetaculares'

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou na quinta-feira (11/11), em Genebra, seu relatório anual sobre a situação da tuberculose no mundo. Embora a doença continue sendo uma das principais causas de morte nos países pobres, foram registrados importantes sucessos.

Nos últimos 15 anos, 41 milhões de pessoas foram tratadas com êxito e a tendência é especialmente encorajadora em 13 de 22 países do Hemisfério Sul, onde a incidência da moléstia infecciosa é maior, informou a OMS, destacando o Brasil, a China, Camboja, Índia, Tanzânia e Uganda.

Excetuada a África do Sul, em todos os 22 países o número de novos casos está em queda ou estável, indicou Philippe Gazeou, um dos autores do relatório. Ainda assim, em 2009 um total de 1,7 milhão de pessoas morreu da moléstia. A principal causa de preocupação para os médicos é a assim chamada tuberculose multirresistente, que não reage a antibióticos.

Faltam US$ 14 milhões

As duas nações mais populosas do planeta foram as mais atingidas pelo bacilo de Koch: na China, 1,8 milhão de pessoas sofriam a doença no ano passado, na Índia eram 3 milhões. O total no planeta chegou a 14 milhões de homens, mulheres e crianças, estimando-se em 9,4 milhões o número de novos casos, volume equivalente ao de 2008.

A taxa de mortalidade devido à doença caiu, em todo o mundo, cerca de 35%, entre 1990 e 2009. Caso essa tendência se mantenha, até 2015 ela poderá ter-se reduzido em 50%, em relação a 1990, estimou a organização.

Mario Raviglione

Mario Raviglione, do Stop TB Department da OMS

O médico Mário Raviglione, diretor do chamado Stop TB Department, o serviço de combate à tuberculose da OMS, ressaltou que a Índia "teve uma melhoria espetacular", graças à forte ampliação da cobertura dos serviços de saúde em grande parte de seu território.

A OMS renovou seu apelo urgente aos governos nacionais e doadores privados: ainda faltam 14 milhões de dólares, até 2015, para financiar a pesquisa de novos tratamentos, melhores métodos de diagnóstico e vacinas para a tuberculose pulmonar, forma mais difundida da doença. Na maioria dos países, os laboratórios ainda empregam métodos de diagnóstico de mais de 100 anos atrás.

Multirresistência medicamentosa

O especialista em doenças tropicais Kai Braker, da organização humanitária Médicos Sem Fronteiras, alertou que, nas próximas décadas, muitos dos medicamentos usuais perderão o efeito contra os bacilos causadores da doença.

Ele acredita haver dois fatores envolvidos: por um lado, determinadas cepas Mycobacterium tuberculosis desenvolveram multirresistência aos antibióticos de praxe, fenômeno observado primeiramente na Ásia.

Por outro lado, nos países da extinta União Soviética, costumavam ocorrer panes no abastecimento dos medicamentos antituberculose. Além do mais, lá se adotava muitas vezes a monoterapia – tratamentos empregando um único antibiótico.

"Quando a doença é tratada desse modo, fica mais fácil para as bactérias desenvolver resistência. E, uma vez que se formam cepas resistentes, elas se transmitem com maior facilidade", explica Braker. Já é realista falar de um problema global: em certas regiões, entre 10% e 20% das novas infecções são causadas por germes resistentes.

Erradicação possível?

Themenbild Kindersterblichkeit

Mulher etíope e seu filho tuberculoso no hospital de Gode

A tuberculose incide, sobretudo, nas nações onde a assistência médica é ruim, assim como em regiões de crise e de guerra. Os mais atingidos atualmente são os países ao sul do Sahara e do Sudeste da Ásia, destacando-se Mianmá, Camboja, Coreia do Norte e Timor Leste.

A doença também grassa em proporções alarmantes nos países da antiga URSS, assim como em alguns poucos das Américas Central e do Sul. Na União Europeia, apenas a Lituânia, Romênia e Bósnia-Herzegóvina apresentam taxas elevadas de incidência. Na Alemanha, estas são baixas e continuam caindo, limitando-se a 4.500 casos em 2008. Contudo as imigrações e as viagens mantêm a ameaça de novas infecções.

Braker subordina a três fatores a possibilidade de, algum dia, a tuberculose ser erradicada. Um deles é a epidemia de aids: "Sobretudo na África, muitos têm o sistema imunológico debilitado, sendo, portanto, mais vulneráveis aos bacilos da tuberculose", explica.

Em segundo lugar, sobretudo nos países pobres, os sistemas de saúde "não estão suficientemente avançados para que se diagnostique e trate a tuberculose a tempo". O terceiro problema é a resistência medicamentosa: para as formas multirresistentes da doença, não há terapia satisfatória, apontou o representante da ONG Médicos Sem Fronteiras.

AV/dpa/epd/lusa
Revisão: Roselaine Wandscheer

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