Reino Unido quer restringir imigração devido à crise financeira | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 20.10.2008
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Mundo

Reino Unido quer restringir imigração devido à crise financeira

Governo britânico planeja tornar mais rígido o controle sobre o ingresso de estrangeiros por temer que a crise financeira leve a um corte na oferta de empregos. ONG de apoio a imigrantes critica planos do novo ministro.

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Pessoas caminham por West End: diversidade de culturas é marca de Londres

O Reino Unido planeja dificultar a entrada de estrangeiros no país devido às dificuldades causadas pela crise financeira mundial, principalmente a ameaça de elevação da taxa de desemprego. "No passado foi muito fácil entrar nesse país, mas agora será mais difícil", declarou o novo ministro britânico da Imigração, Phil Woolas, ao diário The Times.

"Quando as pessoas ficam desempregadas, o tema imigração se torna extremamente delicado", disse Woolas. "Este governo não permitirá que a população do país chegue a 70 milhões." Em torno de 61 milhões de pessoas moram no Reino Unido.

Para o ministro, é necessário haver um equilíbrio entre o número de pessoas que entram e o de pessoas que saem. Ele disse que, em momentos de dificuldades econômicas, os empregadores deveriam dar prioridade aos cidadãos britânicos. Do contrário, correm o risco de fomentar o racismo na sociedade.

Expansão da União Européia

O governo trabalhista britânico estimula a entrada de estrangeiros no país desde 1997 e adotou, este ano, um sistema de pontuação para priorizar o ingresso no país de estrangeiros qualificados e necessários à economia britânica. Entre 2001 e 2007, a população britânica aumentou 2 milhões de pessoas, principalmente devido à imigração. O índice de desemprego no Reino Unido atingiu 5,7%, o mais alto índice em oito anos.

Após a expansão da União Européia em 2004, o governo britânico renunciou a medidas de restrição ao ingresso de pessoas dos novos países-membros. Essas medidas foram adotadas por vários dos "antigos" países-membros, entre eles a Alemanha.

Essa situação não poderá ser alterada por Woolas. Por isso, o alvo do seu discurso são os imigrantes ilegais oriundos de países que não fazem parte da União Européia.

Imigrantes do leste da Europa

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Em 2004, o governo do Reino Unido calculava que no máximo 13 mil pessoas vindas do Leste Europeu chegariam ao país a cada ano. Mas o número anual de imigrantes chegou a bater os 300 mil. Segundo o The Times, mantida a atual política, em 2012 o país teria um "saldo" de 200 mil novos moradores por ano, subtraindo o número de pessoas que saem do total que entra.

O novo discurso do governo não agrada ao presidente da ONG Serviço de Consultoria à Imigração, Keith Best. "O que irrita nessas declarações de ministros é que fica no ar a mensagem 'não queremos mais trabalhadores estrangeiros aqui'. Espero que não seja isso o que ele quer dizer. Também não acredito que seja isso", afirmou à emissora Deutschlandfunk.

De acordo com Best, os estrangeiros são sempre os culpados quando surge uma recessão. "Isso é injusto. Também em tempos de recessão precisamos de imigrantes porque há muito trabalho que os britânicos simplesmente não querem mais fazer", argumentou.

É esse o caso da polonesa Mariola, de 33 anos, que trabalha como camareira num hotel de Londres. "Trabalho há um ano aqui e não há nenhum problema. Minha família continua vivendo na Polônia, que considero o meu país", explicou.

Asilados não podem trabalhar

O iraquiano Agrin Mohammed, de 25 anos, enfrenta uma situação bem mais difícil. Ele é requerente de asilo político desde que deixou o Iraque, em 2002, e vive de um auxílio do governo de 35 libras por semana. Agrin nunca pôde trabalhar no Reino Unido, pois requerentes de asilo são proibidos de trabalhar desde que ele chegou ao país.

Ele não está satisfeito com a sua situação. "Não temos o direito de trabalhar. Esse direito seria bom para ambos os lados, tanto para nós como para o governo, que não precisaria mais nos dar dinheiro para comida, moradia e outras coisas", declarou.

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