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Mundo

Refugiados sírios passam de 4 milhões, diz ONU

Guerra civil forçou 1 milhão de pessoas a deixar o país somente nos últimos dez meses e deixou outros 7,6 milhões de deslocados internos. É a maior população de refugiados de um único país nos últimos 25 anos.

O número de sírios que fugiram do país desde a eclosão da guerra civil ultrapassou a marca dos 4 milhões, tendo um quarto deles se refugiado somente nos últimos dez meses, disse a ONU nesta quinta-feira (09/07).

Os 4 milhões de refugiados são o maior número de pessoas a deixar um país desde a guerra civil do Afeganistão, que forçou 4,6 milhões a fugir a partir de 1992.

"Esta é a maior população de refugiados de um único país desta geração", disse o alto comissário da ONU para Refugiados, António Guterres, em comunicado. "É uma população que precisa do apoio mundial, mas que, em vez disso, está vivendo em condições terríveis e afundando cada vez mais na pobreza."

Os 4 milhões de refugiados não incluem os 270 mil sírios que pediram asilo na Europa. Além disso, a guerra deixou 7,6 milhões de deslocados internos na Síria, de acordo com a agência da ONU para refugiados (Acnur).

A Turquia recebeu grande parte do fluxo de refugiados dos últimos dez meses. Somente em junho, mais de 24 mil pessoas chegaram ao país vindos do norte da Síria, em meio a confrontos entre o grupo extremista "Estado Islâmico" (EI) e combatentes curdos. Os mais de 1,8 milhão de sírios que vivem na Turquia fizeram do país o que mais acolhe refugiados no mundo.

Falta de ajuda internacional

A Acnur criticou a falta de ajuda da comunidade internacional aos Estados que acolhem refugiados da Síria. Segundo Guterres, menos de um quarto dos 5,5 bilhões de dólares da promessa de ajuda humanitária internacional para este ano foi cumprida até agora.

Para sobreviver, cada vez mais sírios se veem obrigados a pedir esmolas, colocar seus filhos para trabalhar ou arranjar-lhes casamentos. A maioria não tem permissão para trabalhar, e somente uma em cada duas crianças tem acesso a algum tipo de educação, diz Guterres.

A maioria dos sírios permaneceu na região, mas a difícil situação está pressionando muitos refugiados a se deslocarem para a Europa Ocidental, percorrendo trajetos arriscados à medida que países europeus resistem ao fluxo.

"As condições de vida e o nível de proteção dos sírios nos países vizinhos estão se deteriorando rapidamente", disse Guterres. "Não podemos deixar os refugiados e as comunidades que os acolhem cair em desespero."

A crise na Síria, que teve início com protestos contra o governo em 2011, resultou numa complexa guerra civil, que envolve o Exército e milícias, sobretudo rebeldes islamistas, forças curdas e grupos extremistas, como o EI.

LPF/dpa/ap/afp

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