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Alemanha

Refugiados na Alemanha, agora sem arame farpado

O número de imigrantes e refugiados no país aumentou nos últimos anos. Mas só agora abrigos coletivos estão sendo trocados por casas, em que requerentes de asilo convivem normalmente com vizinhos alemães.

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Residências: 50 'felizardos'

Integração de estrangeiros na Alemanha é um assunto delicado. A começar pela grande comunidade turca – são quase três milhões de pessoas –, a dificuldade do país em aceitar "gente diferente" é evidente. Embora tenha sido praticamente ignorada na campanha eleitoral deste ano, a questão da imigração na Alemanha – especialmente quando se considera a história do país – é sempre um terreno para debates.

Otto Schilly Bundesinnenminste PK streetfootball world festival 06 in Berlin-Kreuzberg 28.05.2006 Foto: Michael Tschochner

Schilly: dia de integração

Embora 6,7 milhões dos 82 milhões de habitantes da Alemanha tenham uma outra nacionalidade, o país parece ter problemas para decidir se quer ou não ser uma terra que acolhe imigrantes: as leis de permanência facilitaram a entrada de estrangeiros com alto nível de qualificação, mas, por causa da oposição democrata-cristã, deixou de ter a amplitude anunciada pelo governo social-democrata. Em outras palavras: o recado dado à população não foi claro o suficiente.

Para derrubar (pre)conceitos e pavimentar o caminho da aceitação de imigrantes e refugiados no país, foi criado o "Dia da Integração", a ser comemorado todos os anos em 25 de setembro. É um evento promovido pelo Ministério do Interior para relembrar a importância da comunicação intercultural. Além do dia oficial, o objetivo de integrar os estrangeiros que vivem na Alemanha é perseguido por meio de cursos sobre a cultura e o idioma do país.

Integração: via de mão única?

Entretanto, o funcionamento das políticas de integração está longe de ser perfeito. Especialmente em relação às pessoas que buscam asilo político – e que, por isso mesmo, têm de sair de suas nações de origem às pressas –, o discurso de integração ainda esbarra em claras práticas de segregação, em que a linha entre "cidadão alemão" e "estrangeiro" é demarcada com tintas fortes.

Stadt Münster - Flüchtlingsunterbringung

Cozinha completa: melhor que contêiner

Um exemplo prático deste tipo de pensamento são os alojamentos temporários criados para abrigar refugiados que chegam ao território alemão: famílias são abrigadas em contêineres, muitas vezes separados do restante da sociedade por uma cerca de arame farpado, lembrando um acampamento militar.

É o tipo de alojamento que impede, mais do que a barreira idiomática, qualquer contato dos refugiados com as comunidades em que estão instalados, além de frisar simbolicamente que os dois grupos de pessoas – estrangeiros e alemães – pertencem a "classes" bem diferentes.

Cidadão médio

"Quando alguém aqui (na Alemanha) vê um alemão sentado em um banco, bebendo uma cerveja, não tem problema nenhum. Mas quando um refugiado senta no mesmo banco e toma a mesma cerveja, dizemos: 'vejam só, estão desperdiçando o nosso dinheiro'", diz Wilfried Teuteberg, que trabalha como voluntário em um projeto-piloto de integração de imigrantes em Münster, resumindo a impressão que ainda impera em relação a estrangeiros no país.

O projeto em que Teuteberg trabalha é pioneiro ao tentar mostrar que os refugiados que chegam à Alemanha também podem chamar o país de "casa". Os contêineres e o arame farpado foram substituídos por sobrados geminados, em que cada família tem seu espaço.

Os requerentes de asilo foram instalados em um bairro comum, lado a lado com vizinhos nascidos e criados na Alemanha. E os resultados foram muito bons: passado o natural estranhamento inicial, a convivência passou a ser normal, pois o processo de aceitação envolve os dois lados.

"Agora melhorou"

Illegale Einwanderung Symbolfoto

Cidadão comum: desconfiança em relação ao estrangeiro

O pedagogo Stephan Schluer, que também trabalha em Münster, vê a iniciativa como positiva, embora tenha percebido que os vizinhos alemães do projeto tenham mantido uma distância inicial dos vizinhos. "Existiu um período de observação, com comentários correndo pela vizinhança, que acabou sendo superado. Acho que a integração se deu de maneira natural."

Até agora, apenas 50 pessoas foram beneficiadas pelos novos alojamentos. Os que já trocaram os acampamentos cercados por casas comuns se mostram bastante satisfeitos: "Aqui é muito melhor. E quero agradecer pelo empenho com nossas crianças. Temos quartos maiores, nossa vida é melhor desde que estamos aqui", frisa Suljo Berisha, cuja família veio para a Alemanha em busca de asilo durante a Guerra de Kosovo, em meados da década de 90. Desde então, é a primeira vez que ele tem uma "casa normal".

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