Reformistas reclamam de falta de diálogo na visita do Papa à Alemanha | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 25.09.2011
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Alemanha

Reformistas reclamam de falta de diálogo na visita do Papa à Alemanha

Bento 16 celebrou missa ao ar livre para mais de 100 mil fiéis no último dia de visita a seu país de origem. Críticos reformistas disseram estar decepcionados com programação baseada apenas em discursos e sermões.

Papa instou católicos alemães a permanecerem fiéis a Roma

Papa instou católicos alemães a permanecerem fiéis a Roma

Os primeiros três dias da visita do Papa a seu país de origem foram preenchidos com compromissos oficiais e ecumênicos. No domingo (25/09), último dia de sua viagem, Bento 16 celebrou missa para cerca de 100 mil fiéis em Freiburg, cidade de grande tradição católica no sul da Alemanha.

O Papa exortou os católicos presentes a desafiarem a si mesmos para formar uma relação mais próxima de Deus e somente de forma indireta referiu-se à crise atual da Igreja, com a evasão de fiéis e os atuais escândalos de abuso sexual

"A Igreja na Alemanha irá superar os grandes desafios do presente e do futuro e continuará a ser um fermento na sociedade se os sacerdotes, os consagrados e consagradas, e os fiéis leigos […] trabalharem juntos em união", disse o Papa, falando para peregrinos que se reuniram num antigo campo de pouso.

Dissidência entre os fiéis

Os ensinamentos da Igreja sobre o celibato sacerdotal, a contracepção, a homossexualidade e a proibição de mulheres sacerdotes são fortemente contestados na Alemanha. A forma como a Igreja tratou a série de escândalos de abuso sexual irritou ainda mais muitos alemães.

Na noite de sábado (24/09), Bento 16 fez uma alusão à dissidência na Igreja, dizendo que "o dano à Igreja não vem de adversários, mas de cristãos descomprometidos". Ele foi ainda mais longe no domingo, instando os católicos a permanecerem fiéis e obedientes a Roma, "neste momento de perigo e mudança radical" e de "crise da fé."

"A Igreja na Alemanha continuará a ser uma bênção para todo o mundo católico, se ela permanecer fielmente unida aos sucessores de São Pedro e os apóstolos", disse o Papa.

Mais de 100 mil fiéis participaram da missa papal em Freiburg

Mais de 100 mil fiéis participaram da missa papal em Freiburg

Primeira visita de Estado

Em seu último dia na Alemanha, o Papa teve um almoço com líderes religiosos, posteriormente uma reunião com juízes do Tribunal Federal Constitucional do país e uma audiência com um grupo de católicos. À noite ele retorna ao Vaticano.

Após o almoço com membros da Conferência dos Bispos da Alemanha (DBK, na sigla em alemão), o Papa elogiou os bispos do país num discurso espontâneo e emocionado, segundo o coordenador da viagem do Papa à Alemanha, Hans Langendörfer. Bento 16 disse considerar os bispos alemães como "bons pastores".

No passado, a relação entre Roma e a DBK nem sempre foram fáceis, já que tradicionalmente a Conferência dos Bispos Alemães defende posições mais liberais que o Vaticano.

Primeiro balanço

Num primeiro balanço da visita do Papa, o movimento de reforma da Igreja Católica na Alemanha Wir sind Kirche (Nós somos Igreja), reagiu sobretudo com decepção em relação à viagem de Bento 16 à Alemanha. O programa da visita papal com 17 discursos e sermões "foi uma atuação respeitável do Papa, mas nenhuma agenda de diálogo", disse a organização neste domingo.

Apesar da modéstia pessoal do Papa, a viagem mostrou o desejo de poder que a Igreja Católica Apostólica Romana ainda representa, acrescentou. Wir sind Kirche afirmou que o "encontro agradável" no Convento Agostiniano de Erfurt entre o Papa e representantes da Igreja Evangélica da Alemanha não pôde esconder "que do Papa não se deve esperar novos impulsos, apesar de ele ter prometido, ao ser eleito, que se engajaria por sinais de ecumenismo concretos e visíveis".

Antes desta viagem, Bento 16 visitara a Alemanha duas vezes desde que se tornou Papa, mas esta é a sua primeira visita como chefe de Estado. O pontífice nasceu no sul da Alemanha em 1927. Ele foi eleito Papa em 2005.

CA/afp/ap/dpa/epd
Revisão: Mariana Santos

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