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Mundo

Reformistas excluídos de eleições iranianas

No Irã as eleições parlamentares foram precedidas de uma crise política, marcada por uma ofensiva das correntes conservadoras contra as reformistas. Leia a reportagem do enviado especial da Deutsche Welle, Peter Philipp.

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O líder conservador Ali Khamenei vota

As eleições iranianas despertaram pouco interesse da população, ao contrário do último pleito, realizado em 2000. Em Teerã, cidade de 16 milhões de habitantes, a vida prossegue normalmente. A propaganda eleitoral foi realizada sobretudo através de panfletos, passados de mão em mão. Os grandes cartazes foram proibidos pelo governo.

Festas em vez de comícios

Os jovens, que ajudaram a eleger o presidente reformista Mohammad Khatami, desta vez não se mobilizaram. Vestindo roupas no estilo ocidental, a juventude prefere se encontrar nos restaurantes de fast food a participar de comícios. E, à noite, percorrem as ruas do bairro ao norte de Teerã à procura de festas, cujos endereços são trocados através de telefones celulares.

Aliás os celulares tornaram-se também um instrumento de campanha eleitoral. As mensagens por SMS convocam tanto para ir às urnas como também para boicotar as eleições.

Faltam alternativas

O desinteresse da maioria dos iranianos pelas eleições que se realizam nesta sexta-feira (20/02) se explica pela falta de uma verdadeira alternativa. Em mais de cem distritos eleitorais de país há apenas um candidato e, mesmo onde há mais de um candidato, faltam opções polítics.

O Conselho de Guardiães, órgão que controla politicamente o Irã, excluiu quase um terço dos oito mil candidatos que se apresentaram inicialmente às eleições. Dentre os excluídos estão alguns deputados que pertencem ao sexto Majilis – ou seja o sexto Parlamento desde a revolução iraniana há 25 anos.

Ainda que o Conselho de Guardiães tenha voltado atrás, permitindo que alguns excluídos se reinscrevessem nas eleições, as medidas afetaram sobretudo a Frente de Participação do Irã Islâmico (FPII), o maior partido de oposição que é liderado por Mohammad Reza Khatami, irmão do presidente Mohammad Khatami.

Separar a política da religião

Reza Khatami, que foi proibido de participar das eleições, vem exigindo publicamente uma separação entre a política e a religião. Esta opinião, segundo ele, é compartilhada pela maioria dos iranianos, só que não se sabe ainda o que fazer para se atingir este objetivo.

O Conselho de Guardiães ordenou o fechamento de alguns jornais independentes e de um site internet, que publicavam críticas ao regime. Um desses jornais é o Yaseh-Nohn. Seu redator-chefe, Morad Vaisi, disse que o problema do Irã não é a constituição, e sim o papel político do Conselho de Guardiães.

A constituição, afirmou Morad Vaisi em entrevista à Deutsche Welle, garante eleições livres, mas o Conselho de Guardiães exige que as eleições sejam realizadas em duas etapas: primeiro o Conselho escolhe os candidatos e em seguida o povo pode votar entre os escolhidos. A solução, segundo Vaisi, é separar a administração política da administração religiosa.

Oposição fora do Parlamento

Vaisi não tem nenhuma ilusão de que os reformistas tenham algum papel no futuro Parlamento iraniano. O trabalho de oposição será realizado fora do Majilis e o contato com as ONGs deverá ser intensificado. Ele exclui também a cooperação com o presidente Mohamad Khatami, que permanecerá no cargo até o próximo ano.

O comportamento do presidente Khatami, segundo Vaisi, está próximo dos conservadores. Ele teve o voto de 22 milhões de eleitores, mas após oito anos de governo, os reformistas consideram que a sua conduta é hoje muito dura e perniciosa.

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