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Economia

Referendo grego divide prêmios Nobel de Economia

Gregos decidirão em consulta popular se concordam com exigências dos credores para concessão de ajuda a Atenas. Christopher Pissarides, Paul Krugman e Joseph Stiglitz avaliam consequências do "sim" e do "não".

A escalada na crise grega, que culminou nesta terça-feira (30/06) num calote técnico no Fundo Monetário Internacional (FMI), divide economistas. Laureados com o Prêmio Nobel de Economia vêm demonstrando distintas interpretações sobre como votariam no referendo do próximo domingo (01/07), em que os gregos decidirão se aceitam ou não as medidas sugeridas pelos credores em troca de um novo pacote de resgate.

Em artigo no jornal britânico The Guardian, o americano Joseph Stiglitz escreveu: "É difícil aconselhar os gregos sobre como votar em 5 de julho. Nenhuma alternativa – aprovação ou rejeição das condições da troica – será fácil, ambas apresentam riscos."

USA Joseph E. Stiglitz Professor Columbia University

Joseph Stiglitz

Mas um "sim" às propostas, continuou o economista, significaria "uma depressão praticamente sem fim". Segundo ele, ao mesmo tempo em que permitiria à Grécia ter um alívio nas dívidas e acesso a ajudas do Banco Mundial nas próximas décadas, os cidadãos teriam que pagar um preço alto.

O resultado, afirma Stiglitz, seria um país marcado pela escassez, que liquidou todos os seus ativos e onde a população jovem acabou emigrando. O economista americano argumenta que votar no "não", por sua vez, abriria finalmente a possibilidade de que a Grécia, "com sua forte tradição democrática", possa assumir as rédeas de seu destino.

"Eu sei como eu votaria", encerra Stiglitz, deixando em aberto ao leitor sua opinião.

Stiglitz: uma história de má gestão

Christopher Pissarides Nobelpreisträger Wirtschaft

Christopher Pissarides

Já o britânico-cipriota Christopher Pissarides expôs uma posição mais clara. O Nobel de 2010, que no início do ano defendeu, em carta aberta assinada com Stiglitz, um alívio da dívida grega, disse que votaria no "sim".

"Eu votaria no 'sim' e vou encorajar todos que puderem a votar no 'sim', porque votar no 'não' seria um completo beco sem saída e acabaria levando o país ao Grexit [termo usado para a saída da Grécia da zona do euro]", disse o economista,

em entrevista à DW.

Pissarides argumentou que, com o voto 'não', ele não consegue ver como Atenas poderia permanecer no euro e obter liquidez do Banco Central Europeu (BCE) para movimentar novamente a economia. "A Grécia estaria caminhando para trás e rumo à mais recessão."

Ele também expressou profunda frustração com a forma com que o governo grego está lidando com os assuntos econômicos. "E tenho que confessar, agora que vejo todo o desenvolvimento da política econômica grega desde a eleição do Syriza em janeiro, que isso [a crise financeira] é realmente uma longa história de má gestão econômica."

Krugman: jogada europeia

Paul Krugman, ganhador do Nobel de Economia de 2008, escreveu em sua coluna no site do jornal americano New York Times sobre a crise grega e sua opinião se assemelha com a de Stiglitz.

Paul Krugman Wirtschaftswissenschaftler Wirtschaft

Paul Krugman

"Votaria no 'não' por duas razões", disse Krugman. "Em primeiro lugar, por mais que a perspectiva de uma saída do euro assuste a todos – a mim inclusive – a troica está agora, de fato, exigindo que o regime político dos últimos cinco anos continue de forma indefinida. Onde está a esperança nisso?"

O segundo argumento de Krugman é que as consequências políticas de votar no "sim" seriam profundamente problemáticas: "A troica claramente fez o oposto de Corleone: fez a Tsipras uma proposta que ele não poderia aceitar e possivelmente fez isso sabendo. O ultimato foi, na verdade, um movimento para substituir o governo grego. E, mesmo que você não goste do Syriza, isso é inquietante para qualquer um que acredite nos ideais europeus."

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