1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

América Latina

Redistribuição de renda diminui a violência

Projetos nas favelas do Rio de Janeiro e Florianópolis mostram caminhos para diminuir as altas taxas de criminalidade no Brasil. Peritos dizem que a chave para combater a violência é melhorar a distribuição da renda.

default

Rocinha: estigmatizada como símbolo de pobreza e criminalidade

Dois indicadores mostram que o Brasil ainda está longe de resolver dois de seus problemas mais graves – a pobreza e a criminalidade. O primeiro: o nível de pobreza caiu de 28,2% da população em 2003 para 22,77% em 2005, mas ainda atinge 42,5 milhões de pessoas. Para chegar a este número, a Fundação Getúlio Vargas considerou pobre todo brasileiro com renda individual de até R$ 121 por mês.

O segundo problema envolve números estarrecedores. De acordo com o Ministério da Justiça, cerca de 55 mil brasileiros morrem por ano (mais de 150 por dia) vítimas da violência. Isso são alguns milhares a mais do que os mortos da guerra no Iraque, que já dura três anos. Esta estatística assusta ainda mais quando se planeja, por exemplo, uma visita à favela da Rocinha, no Rio de Janeiro.

Gangue do aeroporto

Com um pouco de medo, desembarquei numa madrugada de meados de outubro passado no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio, Estado com a maior taxa de assassinatos do Brasil. O primeiro choque veio logo na alfândega. "Cuide bem de seu notebook. Existe uma gangue operando aqui dentro. Se você bobear, lhe roubam tudo", advertiu uma funcionária.

Enquanto o táxi cruzava as favelas que cercam a Linha Vermelha, no caminho do aeroporto ao centro, contei a história da gangue do aeroporto ao motorista. "Uma funcionária da alfândega lhe disse isso? Ela está querendo gerar pânico. O Rio não é tão violento assim", tranqüilizou-me.

Luciano Francelli, assistente do Programa de Segurança Humana da ONG Viva Rio, dá razão ao taxista. "Eu sei que moro numa cidade violenta, mas não me privo de fazer o que quero. É claro que tomo as minhas precauções. A insegurança gera desconfiança em relação a tudo e a todos", diz.

Entrega de armas

Abrüstung in Brasilien - Großbild

Soldado vigia montanha de 10 mil armas confiscadas no Rio

O Viva Rio é uma ONG que nasceu em 1993, após uma onda de seqüestros, o massacre de oito meninos junto à Igreja da Candelária e a chacina de 21 pessoas no bairro Vigário Geral. Hoje coordena projetos contra a violência em 350 favelas e comunidades de baixa renda da região metropolitana do Rio de Janeiro, alguns deles financiados pela União Européia (UE).

Por conta destas e outras iniciativas, no ano passado, foram recolhidas e destruídas 500 mil armas que estavam em mãos de civis. Mesmo assim, os dados da criminalidade em 2004 e 2005 mostram que quase 20% dos assassinatos no Brasil ainda acontecem no Estado do Rio de Janeiro. Mas a taxa, que era de 66 mortos por 100 mil habitantes, caiu para 61 por 100 mil habitantes. Em São Paulo, caiu de 23,9 por 100 mil habitantes para 18,9 por 100 mil habitantes.

Num plebiscito realizado em outubro de 2005, quase dois terços dos eleitores brasileiros (63,94%) rejeitaram a proibição do comércio de armas de fogo e munição no Brasil. Apesar disso, a coordenadora de comunicação da Rio Vivo, Mayra Jucá, está convicta de que, "para combater a violência, é preciso combater o porte de armas para civis". Calcula-se que haja 17,5 milhões de armas de fogo em circulação no Brasil, 90% nas mãos da população civil.

Leia mais: Visita a favelas no Rio e Florianópolis

Leia mais