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Economia

Recolhendo os cacos

Após quatro polêmicas semanas, a greve dos metalúrgicos do leste alemão chegou ao fim. Uma derrota histórica para os sindicalistas, com possíveis conseqüências imediatas para a liderança sindical.

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Jürgen Peters, responsabilizado pelo fracasso

"A amarga verdade é que a greve fracassou." Com estas palavras o presidente do sindicato dos metalúrgicos da Alemanha, Klaus Zwickel, anunciou o fim de quatro semanas de paralisações no leste do país. A capitulação diante dos empregadores foi dolorosa, é claro, porém a maior derrota do IG Metall foi diante de si mesmo.

Numa época de conjuntura fraca, grande parte dos metalúrgicos nem conseguiu entender qual a relevância da reivindicação central: equiparar a jornada semanal dos trabalhadores dos antigos estados comunistas – atualmente de 38,5 horas – às 35 horas de seus companheiros do oeste.

Desde o início Zwickel duvidara do sucesso da mobilização, mas não conseguiu se impor contra seu atual vice e sucessor designado, Jürgen Peters. No fim, restou aos metalúrgicos aceitarem exatamente o que os patrões haviam oferecido antes da greve: uma jornada semanal variável, que oscilará de 35 a 40 horas de acordo com as necessidades e possibilidades de cada empresa.

A delegaçãoda decisão sobre um tópico de tal importância ao conselho de funcionários de cada empresa representa considerável perda de credibilidade e prestígio para o IG Metall. E, até segunda ordem, a reivindicada adoção – em 2009 ou 2011, conforme o caso – da semana de 35 horas nas fábricas da extinta República Democrática Alemã permanecerá utopia.

Catarse e o bode expiatório

A greve foi realizada em nome dos 310 mil empregados dos setores de metalurgia e de eletricidade no leste do país. Grandes montadoras, como a BMW e a Volkswagen, chegaram a ser forçadas a interromper parte de sua produção no oeste, por falta de peças. Seus conselhos de fábrica criticaram severamente o sindicato, especialmente na pessoa do vice-presidente, considerado linha-dura e propulsor das paralisações inoportunas.

Segundo Klaus Franz, diretor do conselho de fábrica da Opel, a suspensão da greve trará graves danos ao IG Metall: "Serão necessários anos, senão décadas, até a organização se recuperar", declarou ao periódico Financial Times Deutschland.

Durante a reunião de crise do sindicato, no domingo (29), o cabeça das negociações, Hasso Düvel, assumiu a responsabilidade pelo fracasso. Entretanto continuam soando cobranças para que Peters renuncie à planejada ascensão para a presidência, no segundo semestre.

O porta-voz dos sindicalistas, Claus Eilrich, admitiu que houve má avaliação, tanto do clima político quanto das condições econômicas. Em sua opinião será necessária uma "tempestade catártica" durante as próximas deliberações, antes que o IG Metall possa retornar à ofensiva. A cúpula da organização voltará a reunir-se em 8 de julho para decidir sobre conseqüências internas da greve.

Por sua vez, o representante do empresariado, Martin Kannegiesser, assegurou que a indústria metalúrgica não se aproveitará da vitória para tentar impor também no oeste a semana de 38,5 horas.

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