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Futurando!

Reciclagem de óleo de cozinha ajuda o meio ambiente e gera renda

O descarte correto do óleo de cozinha usado ainda gera dúvidas. Jogar o óleo na rede de esgoto ainda é comum, mas o que muitos não sabem é que este ato é extremamente prejudicial ao meio ambiente.

No Futurando desta semana, mostramos uma empresa austríaca que criou um sistema para transformar em energia o óleo de cozinha recolhido na comunidade. Mais de três mil casas são abastecidas pela energia gerada pela empresa. Iniciativas como estas já são utilizadas no Brasil e os pontos de coleta não param de crescer.

A contaminação pelo óleo prejudica estações de tratamento de água e também o meio ambiente. De acordo com Agostinho Catella, pesquisador da Embrapa Pantanal, quando o óleo é descartado diretamente na rede de esgoto, ele pode ir para rios e lagos. Quando isso acontece, o óleo forma uma camada que impede a entrada de luz e a oxigenação da água, prejudicando o meio aquático. Outro problema é o entupimento da canalização, o que exige agentes altamente tóxicos para a limpeza da tubulação. Um litro de óleo na rede de esgoto já pode representar um grande problema.

Iniciativas no Brasil

No Brasil, existem várias empreendimentos e cresce cada vez mais o número de empresas que reaproveitam essa gordura. A organização não governamental Ecóleo é uma iniciativa presente em mais de 16 estados. O projeto trabalha com catadores que coletam o óleo em restaurantes, condomínios, residências e levam até os chamados "eco-pontos". Dos pontos de coleta, os resíduos passam por um tratamento e são transformados em matéria-prima. 

Segundo Célia Marcondes Smith, presidente da organização de coleta e reciclagem de resíduos de óleo comestível, são recolhidos 2,6 milhões litros de óleo residual por mês, o que equivale a apenas 10% do óleo descartado. Setenta por cento do material recolhido é encaminhado para a produção de biodiesel. O restante serve como matéria-prima para tintas, vernizes, sabão, ração animal, lubrificantes, entre outros. 

Em Minas Gerais, a iniciativa já é realidade em 68 municípios. Em troca do óleo, as instituições que contribuem com o projeto ganham produtos de limpeza. Restaurantes, hotéis, redes de fastfood ou associações de moradores e condomínios podem participar do programa.

Fonte de renda

A reciclagem do óleo também pode gerar empregos. A Ecóleo tem uma rede de 1,8 mil coletadores cadastrados. Segundo Smith, são pessoas que sobrevivem apenas da renda vinda do resíduo do óleo. "A iniciativa gera empregos, propicia uma renda e transforma o que iria para o lixo em matéria-prima. Em troca, temos água limpa", diz a presidente da ONG.

Em São Paulo, o Programa Bióleo trabalha com a "logística reversa social", um método que mobiliza organizações não governamentais, associações comunitárias e outras que façam trabalho nos bairros para atuar na rede de coleta. Com o recolhimento, as próprias instituições conseguem renda para financiar seus projetos. O óleo reciclado transforma-se em bioenergia.

 "As pessoas dizem que jogam o óleo fora, mas o que elas precisam enxergar é que este fora não existe, o fora é o nosso meio ambiente", alerta Smith.