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Economia

Receitas européias contra desemprego incluem renúncia salarial

Taxa de desemprego na Alemanha caiu levemente em março, mas ainda é de 12,5%. Especialistas acreditam que país poderia gerar mais postos de trabalho se adotasse receitas aplicadas na Inglaterra e Holanda.

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Clement: otimismo, apesar das estatísticas sombrias

A situação crítica do mercado de trabalho alemão permaneceu praticamente inalterada em março. Em relação a fevereiro, quando a Alemanha registrou o desemprego recorde do pós-Guerra (5,2 milhões), o número de pessoas sem trabalho diminuiu em 41 mil. Mas, na comparação com o mesmo mês de 2004, esse número aumentou em 628 mil. A taxa de desemprego foi de 12,5% em março de 2005.

"A tendência é que a situação agora melhore", disse o ministro alemão da Economia, Wolfgang Clement, com um otimismo meio forçado. Analistas calculam que, descontados os efeitos sazonais, o desemprego até aumentou em março. As novas estatísticas, divulgadas nesta quinta-feira (31/03), em Nurembergue, levam os alemães a sentirem inveja de outros países europeus.

Liberdade britânica

A Inglaterra, por exemplo, parece ter realizado um verdadeiro milagre no mercado de trabalho nos últimos 10 a 15 anos. A taxa de desemprego do país caiu de mais de 10% em 1993 para 4,7% em 2004, quando na Alemanha o índice era de 9,5%.

"Se conhecêssemos a receita de sucesso dos britânicos, bastaria copiá-la", diz Holger Schäfer, especialista em mercado de trabalho do Instituto da Economia Alemã, em Colônia. Ele explica que o mercado de trabalho britânico é bem menos regulamentado do que o alemão. Além disso, houve um corte nas contribuições sociais e no seguro desemprego, com efeitos semelhantes ao pacote de reformas Harz IV em fase inicial de implementação na Alemanha.

Schäfer ressalta, no entanto, que há uma diferença fundamental entre os dois países: enquanto os ingleses há muito tempo são fortes no setor de serviços, os alemães ainda estão encalhados na crise do inflado setor da construção civil.

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Sala de espera da Agência Federal do Trabalho

Segundo Ingo Kolf, da Confederação dos Sindicatos Alemães (DGB), no Reino Unido, o sistema de intermediação de empregos é bem mais eficiente do que na Alemanha. "Nesse ponto, podemos aprender dos ingleses, mas em outros aspectos eles não servem de exemplo", afirma.

Ele diz que o número de desempregados nos dois países não pode ser comparado. "A cota dos que se retiraram definitivamente do mercado de trabalho britânico, supostamente por motivos de saúde, é o dobro da registrada na Alemanha. Considerando esses 'excluídos', o Reino Unido tem 2,5 milhões de desempregados, o que torna pequena a diferença em relação ao mercado alemão", explica.

Jornada parcial holandesa

A situação – continua Kolf - é semelhante na Holanda, que tem uma taxa de desemprego de apenas 4,7%. Mas mesmo que os números "enfeitem" a realidade, a Alemanha pode aprender dos holandeses, cujo mercado de trabalhado brilha pela flexibilidade. "Enquanto 40% dos holandeses trabalham em jornada parcial, empresas que 'alugam' mão-de-obra nessa base na Alemanha tinham, até dois anos atrás, a fama de praticarem dumping salarial", compara.

"Renúncia salarial" é a receita de sucesso dos holandeses, acredita Holger Schäfer. Diante da fraca conjuntura econômica, em 2003, o governo, sindicatos e empresários fecharam um acordo pelo qual os trabalhadores renunciaram a aumentos salariais nos dois anos seguintes. Em compensação, o governo desistiu de um plano de cortes sociais.

Mão-de-obra cara

Segundo Schäfer, "a mão-de-obra na Alemanha é simplesmente cara, mas a produtividade ainda é alta". Ele acredita que a redução das contribuições sociais dará um sinal positivo para o mercado de trabalho. Uma redução dos impostos sobre os lucros das empresas também poderia ajudar, acrescenta.

"A relação entre impostos e contribuições sociais não é equilibrada. Efetivamente, a Alemanha tem a cota tributária mais baixa da Europa. Estamos dispostos a participar das negociações de uma reforma fiscal, mas é preciso também tapar os buracos das exceções", conclui o porta-voz da DGB, Markus Franz.

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