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Alemanha

Recém-nascidos no escurinho do cinema

Em várias cidades alemãs, salas alternativas oferecem sessões de cinema para pais, mães e seus bebês. A iluminação é adequada, o som suave e até fraldas estão à disposição.

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Bebê de seis meses: iniciação na sétima arte?

Uma das supostas causas da baixa natalidade na Alemanha é a aversão da população à presença de crianças no espaço público. O que acaba gerando um ciclo vicioso, pois quanto menos contato com crianças as pessoas têm, tanto mais elas se desacostumam delas. Adultos sem filhos, principalmente os que passaram da casa dos 30, passam a não suportar o "ruído incoveniente" provocado pelos baixinhos.

Outro fator de grande importância para o alemão, a previsibilidade, acaba indo por água abaixo, quando se trata de crianças. Elas não são "planejáveis". Gritam onde não "deveriam", puxam objetos na fila do caixa do supermercado, correm de um lado para o outro, quando o vizinho do lado, dentro de um trem, gostaria de ler "em paz" seu livro.

Nicho de mercado

Como a baixa taxa de natalidade no país começa a preocupar políticos e mídia, surgem alguns sinais, ainda sutis, de que a sociedade precisa se abrir para a presença dos "pequenos imprevisíveis". A escolha de lugares "próprios" para serem freqüentados com crianças, por exemplo, costuma ser um problema para os pais.

Alguns cinemas, em várias cidades do país, descobriram este nicho de mercado e abriram sessões de cinema especiais, chamadas Kinderwagenkino (cinema com carrinho de bebê) ou Babykino (cinema de bebê).

Isso não significa que os bebês vão assistir aos filmes, mas que seus pais, na impossibilidade de freqüentar outros ambientes, onde possivelmente incomodariam uma provável maioria sem filhos, têm à disposição mais uma opção de lazer.

Fraldas no caixa

Familie mit Kleinkindern

Nem o carrinho incomoda o vizinho: todos na mesma situação

"Fomos os primeiros a oferecer sessões para mães e pais com bebês na Alemanha, o que já se tornou uma oferta fixa no nosso programa. As sessões acontecem uma vez por mês e o número de freqüentadores oscila, de acordo com o filme em cartaz", conta Torben Scheller, do cinema Apollo, em Hannover.

A mesma empresa é resposável por outro cinema, o Studio Kino, em Hamburgo, onde também acontecem sessões "carrinho de bebê" uma vez por mês.

Em Berlim, o cinema Babylon-Mitte oferece desde abril último tais sessões para pais com bebês regularmente duas vezes por semana. Na entrada há um "estacionamento" para os carrinhos e no caixa fraldas descartáveis disponíveis. Nos banheiros, estão instaladas mesas para a troca de fralda, caso seja necessário.

Iluminação e som suaves

Também o volume do som e a iluminação são regulados de acordo com a sensibilidade dos pequenos "cinéfilos": o ambiente não é de todo escuro, mas mantido na penumbra. E o volume um pouco mais baixo do que em uma sessão convencional. "Para não incomodar os bebês", explica o site do cinema.

O interessante é que, por questões legais, não é permitido às salas exibir qualquer filme que não tenha censura livre. "Infelizmente não podemos colocar no programa vários filmes interessantes, que muitas vezes são liberados para freqüentadores acima de seis anos", conta Scheller.

Isso mesmo sabendo que os bebês certamente ou dormem no escurinho do cinema ou passam o tempo todo querendo engatinhar pelo chão, quando já estão "grandes" o suficiente para isso.

Mais mães que pais

Das Deutsche Museum in München

Museu Alemão, em Munique: fórum anexo tem salas de cinema para bebês

Em Munique, são também oferecidas sessões, a cada duas semanas, para os pais com seus bebês. A ilusão de que tanto pais e mães dividem o cuidado dos filhos no país cai por terra quando se ouve o depoimento de Martin Danner, do Fórum do Cinema Alemão, onde acontecem as sessões: "Incluímos o cinema com carrinho desde o início de abril último em nosso programa. Até agora, apareceu apenas um pai. De resto, apenas mães".

Sol ou chuva

Danner observa que, ao contrário das sessões tradicionais de cinema, bem mais freqüentadas no país quando o tempo está nublado ou chuvoso – uma vez que os alemães costumam aproveitar ao máximo os dias do sol do ano, permanecendo em parques ou bares ao ar livre – as sessões com a presença dos bebês funcionam às avessas.

"Quando o dia está ensolarado e a gente partiria do pressuposto de que seria um dia de salas completamente vazias no cinema, as sessões carrinho de bebê ficam mais cheias do que nunca. Acho que isso acontece porque, num dia desses, as mães têm mais vontade de sair de casa e acabam também almoçando também no nosso restaurante. Num dia de chuva ou frio, elas provavelmente têm preguiça de enrolas as crianças em muitas roupas, pegar o carrinho e sair de casa", acredita Danner.

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