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Mundo

Rebeldes assumem controle de terceira maior cidade do Iêmen

Milícias houthi tomaram Taiz, localizada ao sul da capital. Cidade fica a 180 quilômetros de Aden, onde presidente Al-Hadi buscou abrigo. Perante escalada de violência, EUA decide retirar todos seus funcionários do país.

Numa escalada no conflito pelo poder no Iêmen, rebeldes do grupo xiita houthi assumiram neste domingo (22/03) o controle da terceira maior cidade do país, Taiz, localizada a cerca de 250 quilômetros ao sul da capital, Sanaa.

Moradores de Taiz disseram que milícias houthi tomaram o aeroporto militar local sem grande resistência das autoridades no final do sábado. Testemunhas na província central de Ibb relataram ter visto dezenas de tanques e veículos militares rumo a Taiz, partindo de áreas controladas pelos houthi.

Segundo autoridades, milhares de manifestantes saíram às ruas de Taiz em protesto contra a tomada da cidade. Ativistas disseram que atiradores houthi dispararam para o ar para dispersar os protestos contra a presença do grupo.

A invasão ocorreu dois dias após os ataques a duas mesquitas em Sanaa: quatro homens-bomba detonaram explosivos em meio a centenas de fiéis xiitas, deixando pelo menos 142 mortos e 350 feridos.

Taiz fica entre Sanaa e a segunda maior cidade do país, Aden, no sul do país, onde o presidente iemenita, Abd Rabbuh Mansur al-Hadi, buscou refúgio em fevereiro, depois que os rebeldes assumiram o controle da capital, e instalou uma base de apoio.

Jemen Tais Anti-Huthi Demonstration

Moradores de Taiz protestam contra presença de milícias houthi

Retirada americana

A crescente onda de violência também levou os Estados Unidos a anunciarem no sábado a retirada de todos seus funcionários do Iêmen, inclusive os das forças de operações especiais, por razões de segurança. A retirada representa um grande retrocesso no combate ao grupo terrorista Al Qaeda na Península Árabe (Aqap), braço da organização na região.

"Devido à deterioração da segurança no Iêmen, o governo dos Estados Unidos vai retirar temporariamente seu pessoal do país", informou em comunicado o porta-voz do Departamento de Estado, Jeff Rathke.

Mas, apesar da retirada, Washington afirmou que continuará monitorando as ameaças terroristas na região e tem capacidade para resolvê-las. Com ataques realizados por drones, os americanos coordenavam no Iêmen o combate à corrente da Al Qaeda no país.

Conflitos intensos

Desde quinta-feira, aviões das milícias houthi bombardeiam o palácio presidencial de Aden, na sequência dos violentos combates no aeroporto entre forças partidárias e opositoras do presidente.

Diante da escalada do conflito, o Conselho de Segurança da ONU se reúne em sessão extraordinária neste domingo para debater sobre o conflito iemenita. A reunião foi um pedido do presidente Al-Hadi, que apela para que o conselho intervenha de todas as maneiras possíveis para acabar com o confronto e evitar um golpe no país.

As disputas sectárias no Iêmen vêm ganhando contorno de guerra civil desde o ano passado, quando os houthis, apoiados pelo Irã, tomaram parte do norte do país, incluindo a capital, Sanaa.

CN/afp/rtr/ap/lusa

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