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Mundo

"Reality show" holandês promete rim ao vencedor

Apesar dos protestos, o canal de televisão holandês BNN deverá transmitir um "reality show" com uma potencial doadora gravemente doente e que escolherá, entre três candidatos, quem receberá um de seus rins.

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Show controverso da televisão holandesa

Três pacientes em estado grave disputam publicamente a doação urgente de um órgão: apesar dos protestos, o canal público de televisão holandês BNN não desistirá de transmitir seu reality show De Grote Donor Show (O grande do show do doador) na próxima sexta-feira (01/06).

Segundo a emissora, o show produzido pela empresa Endemol (Big Brother etc) deverá chamar a atenção do público para a situação precária da doação de órgãos na Holanda. Críticos, no entanto, consideram o programa como antiético e vulgar.

O rim pertence a uma mulher de 37 anos conhecida somente pelo nome de Lisa e portadora de um tumor cerebral inoperável. O órgão deverá ser transplantado ainda antes de sua morte, explica Marieke Saly, porta-voz da BNN. Pela lei holandesa, somente assim haverá garantia de que o rim venha a beneficiar o candidato por ela escolhido. Para a operação, no entanto, não há garantia. O segundo rim de Lisa deverá ir para um paciente da lista de espera de transplante de órgãos.

"A realidade é ainda mais chocante"

Durante o programa, a mulher de 37 anos assistirá a entrevistas com os três candidatos, as suas famílias e os seus amigos. Com o envio de mensagens de texto pelo celular, os telespectadores poderão, em seguida, votar no paciente que eles acham que deva receber o rim. Em shows televisivos, tais mensagens custam em torno de 1 euro. O preço exato não foi informado por Saly.

Caberá à Lisa, no entanto, decidir "quem é o felizardo", salientou a porta-voz da emissora que produz, anualmente, 325 horas de programas de televisão e que tem grande aceitação entre a juventude.

Niederlande Fernsehen Nieren Show BNN Bart de Graaff

Segundo BNN, Bart de Graaff teria morrido por falta de doador

"Nós sabemos que o programa é bastante controverso e que há muita gente que o acha vulgar, mas acreditamos que a realidade seja ainda mais chocante e ainda mais vulgar: esperar por um transplante é como jogar na loteria", comenta Laurens Drillich, presidente da BNN. Segundo Drillich, um doente espera em média quatro anos por uma doação de órgãos na Holanda. Cerca de 200 pacientes morrem, anualmente, por não receberem a tempo o esperado transplante.

"Desapropriado e antiético"

Muitos deputados fazem agora apelos ao governo holandês para que proíba a transmissão do reality show . Entretanto, durante um debate no Parlamento, na última terça-feira, o ministro holandês da Educação, Ronald Plasterk, explicou que uma proibição não seria possível. Segundo o ministro, o programa seria "desapropriado e antiético, sobretudo devido ao elemento de concorrência", mas a Constituição holandesa proibiria intervenções no conteúdo de programas. "Isso seria censura", explica Plasterk.

Paul Beerkens, representante do Instituto do Rim holandês, comenta que é "fantástico" que a emissora BNN chame a atenção para a falta de doação de órgãos. "Mas a maneira como o fazem não nos agrada de forma alguma", declarou Beerkens à agência holandesa de notícias ANP.

"Muito mau tom"

A Comissão Européia também criticou a planejada transmissão do programa. O espetáculo seria de "muito mau tom", declarou Philip Tod, porta-voz do comissário de Saúde da União Européia Marko Kyprianou, na terça-feira em Bruxelas.

O porta-voz anunciou para esta quarta-feira (30/05) a apresentação de um modelo de aperfeiçoamento da cooperação entre os Estados-membros para "melhorar a qualidade e a segurança das doações e dos transplantes de órgãos na Europa". Além disso, a "disponibilidade de órgãos para transplantes" deverá ser ampliada.

Segundo a emissora BNN, o programa da próxima sexta-feira também seria uma homenagem ao fundador da empresa, Bart de Graaff, que teria morrido, em 2002, na vã espera por um transplante de rins. (wga/ca)

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