1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Ratzinger "pode ser o próximo papa"

Influência do cardeal alemão aumenta com a debilidade da saúde de João Paulo II, que, pela primeira vez em seu pontificado, não participa das cerimônias da Semana Santa.

default

Ratzinger (e): braço direito de João Paulo II

A ausência do papa João Paulo II nas cerimônias da Semana Santa reativou as especulações sobre seu estado de saúde e sua possível sucessão. Em entrevista à Rádio Vaticano, nesta quinta-feira (24/03), o cardeal alemão Joseph Ratzinger, garantiu que, "apesar das dores corporais, o papa trabalha com absoluta clareza de espírito e continua liderando a Igreja Católica. Ele sente uma responsabilidade única que só Deus lhe pode tirar".

As declarações de Ratzinger, considerado o braço direito de João Paulo II, são interpretadas pela mídia européia como tentativa de tranqüilizar os católicos, cada vez mais preocupados com o estado de saúde do papa. A Igreja Católica alemã reza para que João Paulo II se recupere e ainda possa participar da Jornada Mundial da Juventude, de 16 a 21 de agosto de 2005, em Colônia.

Quebra de tabu

Kardinal Angelo Sodano

Cardeal Angelo Sodano, secretário de Estado do Vaticano

Houve um tempo (no papado de Bonifácio III) em que era ameaçado de excomunhão quem se aventurasse a especular sobre a sucessão papal. Há três anos, no entanto, o próprio Ratzinger, prefeito da Congregação da Doutrina da Fé (ex-Santo Ofício), quebrou um tabu ainda maior, ao se tornar o primeiro importante clérigo a falar em uma possível renúncia do papa.

Um repórter de um jornal religioso de Munique perguntou se Ratzinger sabia o que o papa pensava sobre um eventual recolhimento. "Eu ainda não lhe perguntei nada sobre isso, mas, se ele percebesse que não poderia absolutamente [continuar], com certeza ele renunciaria", disse o cardeal em maio de 2002.

À medida em que diminuem as aparições públicas de João Paulo II, após a recente traqueostomia (operação na garganta), aumenta o número de clérigos e críticos da Igreja que pedem abertamente a renúncia do papa. O teólogo alemão Hans Küng, por exemplo, considera que a Igreja Católica se encontra em uma "profunda crise, causada pela ausência física do papa enfermo e aparentemente sem poder de decisão".

Líder dos papáveis?

Kardinal Giovanni Battista Re

O cardeal Giovanni Battista Re comanda quatro mil bispos católicos

O poder no Vaticano – dizem os observadores - na atual situação é exercido por um quarteto de cardeais: Ratzinger e os italianos Angelo Sodano (secretário de Estado), Giovanni Battista Re (prefeito da Congregação para os Bispos – ao todo, quatro mil) e Camillo Ruini (vigário de Roma).

O vaticanista John L. Allen Jr, colaborador do jornal The New York Times, autor do livro Conclave (Editora Record) e da biografia Cardinal Ratzinger: The Vatican's Enforcer of the Faith (Cardeal Ratzinger: O Defensor da Fé do Vaticano), inclui o clérigo alemão numa lista de 19 cardeais que considera papabili, entre eles, também o arcebispo de São Paulo, dom Cláudio Hummes.

Kardinal Camillo Ruini

Cardeal Camillo Ruini, vigário de Roma

Dependendo da fonte, Ratzinger até lidera a lista dos "candidatos" à sucessão de João Paulo II, seguido por cardeais latino-americanos, como os colombianos Dario Castrillón Hoyos (prefeito do Clero) e Alfonso López Trujillo (prefeito do Conselho Pontifício para a Família), e o mexicano Javier Lozano Barragán, que preside a área de Pastoral.

"Conservador cordial"

Joseph Ratzinger nasceu em Marktl, na diocese alemã de Passau, em 16 de abril de 1927. Recebeu a ordenação sacerdotal em 29 de junho de 1951, a episcopal em 1977 e, no mesmo ano, foi nomeado cardeal no consistório convocado por Paulo VI. Sob João Paulo II, tornou-se um dos homens mais influentes do Vaticano. Ele personifica a voz da ortodoxia católica, sendo conhecido no Brasil, sobretudo, como adversário da Teologia da Libertação.

Kardinal Joseph Ratzinger

Cardeal Joseph Ratzinger: "conservador cordial"

Segundo Stefan Kempis, da Rádio Vaticano, a imagem do cardeal como "clérigo conservador, reservado e até frio não corresponde à sua cordialidade e até calor humano que mostra às pessoas que trabalham com ele ou o visitam". "Em um conclave, Ratzinger obteria a maioria dos votos na primeira votação", disse o chefe da redação alemã da Radio Vaticano, padre Ebehard von Gemmingen, em entrevista à DW-WORLD.

Diante da longa duração do papado de João Paulo II, não são poucos os que desejam um pontificado mais curto para seu sucessor. Como o cargo de papa é vitalício, uma opção para um pontificado mais curto seria eleger um cardeal idoso, um critério que favoreceria Ratzinger, com 77 anos de idade. Segundo a revista Time, caso fosse eleito, o cardeal alemão estaria disposto a "renunciar ao cargo depois de um tempo prudente, quando ainda estivesse com plenas faculdades". Isso, sim, seria uma revolução na Igreja Católica.

Leia mais