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Cultura

Rap de família do Fanta4 volta em novo álbum

Os quatro fantásticos, festejados como a primeira banda de hip hop em alemão, lançam seu sétimo álbum de estúdio na esteira do sucesso do anterior e provam que o hip hop também foi feito para durar.

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Da crítica da elegância à elegância da crítica

Coletivos de hip hop não são lá constelações das mais duráveis – Run DMD, Public Enemy, N.W.A. – a maioria acaba cruzando a tênue linha que separa compositores de produtores, outros criam gravadoras próprias e abrem caminhos para outros. Mas certas formações fogem à regra e não se deixam abalar por projetos paralelos, por mais freqüentes que sejam.

Um bom exemplo são os Beastie Boys. No ar desde 1981, eles usam o hip hop como base para uma mistura de estilos e influências que já se tornou característica. Os alemães do Die Fantastischen Vier (Os quatro fantásticos) mostram uma perseverança semelhante.

A banda começou a carreira nos subúrbios de Stuttgart (o que na Alemanha não necessariamente significa condições precárias, portanto, sem romantizar) e ainda é festejada como "o primeiro grupo de hip hop em alemão". Hoje se passaram 18 anos, seis álbuns de estúdio e três ao vivo, uma coletânea com os principais sucessos, 40 clipes, 650 shows e mais de seis milhões de discos vendidos.

Die Fantastischen Vier

Michi Beck, Smudo, Andy e Thomas D

Rap sossegado

Essa maturidade, por assim dizer, talvez seja o que distingue os Fanta4, como foram carinhosamente apelidados, da maioria dos rappers alemães, e dispensa a agressividade pubertária que é marca registrada dos rapeiros do Aggro Berlin, por exemplo. No começo da década, o selo roubou a cena, deu e ainda dá trabalho às autoridades alemãs de "proteção à juventude", por sugerir violência desnecessária e sexismo em suas letras.

Pelo contrário: desde o princípio, Smudo (MC CoolCat), Andreas Rieke (ou And.Ypsilon), Michi Beck (D-Jot Hausmarke) e Thomas D são a prova de que é perfeitamente possível ser crítico sem ser antipático e, o mais importante, sem cair no chavão do machismo e do sexismo. Por mais que eles abusem em clipes da imagem de "milionários pé-no-chão", lembra o Süddeutsche Zeitung.

Os quatro estouraram em 1992 com o hit "Die da!?!" (Aqueles lá!?!) do segundo álbum de 1992 e foram erroneamente interpretados pela revista adolescente Bravo como uma boyband. Só com o terceiro álbum Die vierte Dimension (A quarta dimensão) é que veio o devido reconhecimento como uma banda de hip hop, com letras refletidas e atitude.

Pulando a cerca

Mas o tempo não pára e, assim como com os três pioneiros de Nova York, também os Fanta4 tiveram a vontade/necessidade de satisfazer a veia artística pessoal: Thomas D lançou dois álbuns solo, Michi Beck lançou dois discos bem-sucedidos com o amigo DJ Thomilla sob o codinome Turntablerocker, e os outros tentaram a sorte como produtores.

Basecaps der Fantastischen Vier

O que eles têm na cabeça?

A essa altura, a banda já desfrutava de popularidade e prestígio na Alemanha, e tinha desenvolvido um estilo próprio inconfundível, o que os álbuns seguintes puderam comprovar. Aí veio o convite para gravar um Acústico MTV. Na época, Herbert Grönemeyer (link abaixo) era o único alemão a ter tido a honra do convite e os Fanta4 foram a primeira banda de hip hop alemã a gravar um acústico. O álbum, claro, rendeu um disco de ouro.

Falta de inspiração?

O sétimo e recém-lançado disco Fornika é mais uma prova de que o tempo não pára. Só que, desta vez, a maturidade pode ter trazido efeitos negativos. Como cantam em uma das letras: " Die Jungs haben sich kaum verändert, außer den Augenrändern" (algo como: os rapazes quase não mudaram, só as olheiras aumentaram).

Recebido sem muita ansiedade pela imprensa, o álbum apresenta a mesma elegância fonética e profundidade sonora, típicas dos Fantásticos, agora investindo menos em samples e mais em composições próprias. Mas deixa a ousadia completamente de fora. Praticamente não há novidades, continuando exatamente onde o anterior parou.

Die Fantastischen Vier: Fornika - Plattencover

Capa de 'Fornika'

"Da última vez, foi difícil recomeçar depois de quatro anos", explica Michi. Mas as pausas talvez sejam o verdadeiro segredo do processo de composição do grupo, tempo para escutar coisas novas, buscar inspiração externa. "Só sabemos o que não queremos. Nossa técnica é uma mistura entre táticas de esquivo e confronto de receios íntimos", conta Smudo. O sucesso deixou um gosto de "eles podem fazer o que quiserem" e a mídia agora cobra inspiração. A banda se defende: "É tão difícil compor um disco. É um verdadeiro sofrimento ficar tendo idéias novas. Será que isso é cool? Quem se interessa por isso? Eu gosto disso? Não podemos responder a nenhuma destas perguntas", argumenta Smudo. "Não é verdade que podemos fazer o que queremos", reclama Andy.

A sorte é que, ao que parece, o anterior não parou: ainda sob impacto do sucesso da turnê do sexto álbum Viel, vista por mais de um milhão de pessoas, eles dispensaram a longa pausa que punham entre um disco e outro e lançaram Fornika logo na sequência.

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