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Mundo

Rússia toma bases militares na Crimeia

Ucrânia começa a preparar retirada de seus cidadãos da península e diz que ministro da Defesa e vice-premiê tiveram negada autorização para entrar no território, agora sob controle russo.

Milícias pró-Rússia, apoiadas pelo Exército de Moscou, tomaram nesta quarta-feira (19/03) o quartel-general da Marinha ucraniana no porto de Sebastopol, na Crimeia. Pouco depois, a base de Novoozerne, no oeste da península, também passou a ser controlada pelos russos. Em nenhum dos dois casos as forças locais ofereceram resistência.

Nas últimas semanas, a Rússia enviou milhares de soldados para a Crimeia, que já servia de base para sua frota naval no Mar Negro. O acordo com a Ucrânia permitia a presença de 12.500 soldados do país vizinho na península, mas, desde o referendo, o número teria saltado para 22 mil. Na consulta popular, os crimeanos optaram, por esmagadora maioria, por uma anexação à Rússia.

A tomada das bases acontece no momento em que o governo de Kiev começa a se movimentar para elaborar um plano para, em caso de necessidade, retirar seus cidadãos, civis ou militares, da Crimeia. Na península, vivem cerca de 2 milhões de pessoas, 60% delas de origem russa, 24% ucraniana e 12% tártara.

"Prevemos que o processo poderá ser realizado em grande escala", afirmou o porta-voz do governo ucraniano, Ostal Semerak. "O plano contempla encarregar todos os órgãos do Poder Executivo a realizarem a etapa preparatória e a cumprirem as tarefas que já no dia de hoje têm que enfrentar."

O governo em Kiev diz que tentou ainda enviar seu ministro da Defesa interino, Ihor Tenyukh, e seu vice-primeiro-ministro, Vitaly Yarema, para a Crimeia na terça-feira para negociar o destino dos cerca de 20 mil soldados ucranianos ainda presentes na península. O pedido, porém, foi negado pelas autoridades pró-Rússia atualmente no poder na região.

Krim Krise Marinestützpunkt 19.03.2014 Sewastopol

Acompanhados por militares russos, ucranianos deixam base militar em Sebastopol

Trâmites legais

O Tribunal Constitucional da Rússia aprovou o acordo de anexação à Crimeia. Segundo o tribunal, o documento estaria em conformidade com a Constituição do país. "A decisão foi unânime", disse o presidente da corte, Valeri Sorkin.

Agora, o acordo, já assinado pelo presidente Vladimir Putin, deve ser ratificado pelo Parlamento russo e pelo Conselho da Federação, num processo tido como meramente burocrático. Segundo a mídia, a Rússia pretende encerrar os trâmites legais da anexação da Crimeia ainda nesta semana.

A Ucrânia e o Ocidente acusam a Rússia de violação do direito internacional no processo de anexação da Crimeia. Na cúpula da União Europeia, na próxima quinta-feira em Bruxelas, a crise será o tema principal. O presidente do Conselho da UE, Herman Van Rompuy, e o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, anunciaram que os chefes de Estado e governo europeus vão aprovar "uma resposta conjunta".

Na pior crise desde o fim da Guerra Fria, UE e EUA já aprovaram o bloqueio de contas e a proibição de entrada de autoridades da Rússia e da Crimeia. O Japão e a Austrália também aprovaram sanções. Segundo o governo alemão, a cúpula ainda não deverá aprovar, no entanto, sanções econômicas contra a Rússia.

"De acordo com o status atual, vejo para o Conselho da UE um debate da fase 2", disse um representante do governo em Berlim. Ele fez alusão ao processo de sanções em três fases aprovado em 6 de março. Segundo o plano, a fase 3, que prevê sanções econômicas, só será ativada se o conflito ultrapassar a Crimeia e se espalhar para outras partes da Ucrânia.

Durante a cúpula da UE, deverá ser assinada a parte política do acordo de associação entre a Ucrânia e a União Europeia. Essa parte também aborda a cooperação em questões legais e da política de relações exteriores.

CA/afp/dpa/rtr

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