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Mundo

Rússia quer papel ativo no cenário político internacional

A briga pelo gás com a Ucrânia, a ambição pela filiação definitiva ao G8 e a intermediação com o Irã ou com o Hamas são sinais da busca de Moscou por um papel ativo no cenário mundial.

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O Kremlin na Praça Vermelha

O Kremlin não está deixando escapar nenhuma oportunidade diplomática para salientar suas pretensões de contribuir para a resolução de problemas que preocupam a comunidade internacional. Isto ficou claro em dois fatos que se sucederam em menos de 24 horas.

No encontro de representantes da política exterior da Áustria, Reino Unido e Finlândia com o colega de pasta russo, em Viena, na noite de quarta-feira (15/02), foi enfocada, entre outros temas, a reunião da próxima segunda-feira com a delegação iraniana sobre o programa nuclear deste país.

Hamas e paz no Oriente Médio

Na manhã desta quinta-feira, foi formalizado o convite a uma delegação do grupo radical islâmico Hamas, vencedor das eleições na Palestina, para que visite a Rússia. Membros do Hamas na Palestina e no exílio pretendem atender ao convite "já nos próximos dias", respondeu o representante do grupo radical, Ismail Haniyeh.

Wladimir Putin

Vladimir Putin

O anúncio do presidente Vladimir Putin, na semana passada, de que pretendia receber representantes do Hamas em Moscou, foi alvo de duras críticas de Israel. A intenção do presidente russo é conversar sobre o futuro do processo de paz no Oriente Médio, já que seu país faz parte do chamado Quarteto do Oriente Médio, do qual fazem parte ainda a União Européia, as Nações Unidas e os Estados Unidos.

Irã e o programa nuclear

Para a próxima segunda-feira, estão marcadas as negociações com o Irã sobre a sugestão feita por Moscou de enriquecer urânio iraniano em território russo. Após a reunião com os colegas europeus em Viena, o ministro russo do Exterior, Serguei Lavrov, voltou a pressionar Teerã para suspender seu programa nuclear, conforme o Irã prometera à União Européia em 2004.

Ambições de Moscou

Segundo Ingo Mannteufel, especialista da DW-WORLD em temas sobre a Rússia, as recentes iniciativas diplomáticas do Kremlin beiram uma revolução em sua política externa. Para o analista, diferentemente do passado, a preocupação principal de Moscou não é melhorar a imagem perante o Ocidente, pelo qual espera, ao mesmo tempo, ser integrado.

Gaspipeline in Russland

Oleoduto russo

Um motivo para a agressiva política de exterior de Moscou pode ser encontrado na consolidação do poder político e econômico nas mãos da elite no Kremlin. O "sistema Putin" aprimorou-se neste início de ano com a aprovação da polêmica lei sobre as ONGs e a aclamação da Câmara Social como sociedade civil controlada pelo Estado. O próximo desafio acontece em dois anos, quando será escolhido o sucessor de Putin.

Ao mesmo tempo, a situação econômica e financeira da Rússia é estável. A economia russa está em crescimento há mais de seis anos, a dívida externa praticamente paga e em janeiro as reservas monetárias atingiram um recorde, com 181,4 bilhões de dólares.

Os investimentos do exterior aumentam, já que a Rússia é considerada um mercado em crescimento por muitos empresários europeus. A riqueza energética e os preços do gás e do petróleo no mercado internacional desempenham aí um papel importante.

A caminho de tornar-se potência energética

A terceira razão desta nova autoconfiança russa no cenário internacional pode ser vista nas novas alianças. As tentativas de Putin de uma integração com o Ocidente fracassaram: os Estados Unidos e a União Européia criticam os acontecimentos internos na Rússia.

O Ocidente condiciona uma parceria à aceitação imediata dos valores ocidentais. Na Ásia, por outro lado, a Rússia teve o acesso desejado, sem a imposição de condições políticas e não apenas por exportar gás e petróleo, mas por sua aliança estratégica com a China e a Índia.

Também nações da Ásia Central ricas em matéria-prima, como o Cazaquistão, Uzbequistão e Turcomenistão, temem a transferência de valores democráticos e por isso buscam a aproximação com a Rússia. Este fato, aliado à malha de gasodutos que cobre o país, fortalece a ambição russa de ser a potência energética do século 21. Putin vê aí a oportunidade de concretizar suas duas grandes ambições: o ressurgimento da Rússia como potência moderna e a integração do enorme país na economia mundial.

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