1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Ciência e Saúde

Rússia e EUA se aliam para explorar petróleo no Ártico

Dois anos após vazamento de petróleo no Golfo do México, as empresas Rosnef e Exxon planejam parceria na zona ártica. Trata-se de um enorme desafio, também para o frágil meio ambiente da região.

Cerca de 13% das reservas mundiais de petróleo ainda não descobertas e um terço das de gás estão supostamente localizadas no inacessível Ártico. Desde que o aquecimento global vem provocando o derretimento das geleiras, gigantes do petróleo disputam o acesso a essas reservas. A recém estabelecida parceria entre a companhia estatal russa Rosneft e a gigante norte-americana Exxon veio após um ano de duras negociações, durante as quais Moscou fez concessões relativas a impostos e tarifas energéticas.

"Especialistas descrevem o projeto como tão ambicioso quanto uma viagem espacial ou o voo à Lua", disse o vice-primeiro-ministro russo, Igor Sekhin, numa apresentação em Nova York. A Exxon e a Rosneft pretendem investir mais de 380 bilhões de euros nessa parceria.

Ambientalistas alertam, entretanto, para os perigos de um possível vazamento de petróleo. No acordo entre as duas empresas – anunciado em agosto de 2011, mas detalhado apenas agora –, o grande perdedor é o ecossistema da Região Ártica, resume a organização ambiental Greenpeace.

"Um vazamento de petróleo como o ocorrido no Golfo do México teria consequências ainda piores no Ártico", afirma Jörg Feddern, especialista em petróleo do Greenpeace. Recentemente, foram divulgados relatórios sobre doenças e deformidades em peixes e caranguejos no Golfo do México. Cientistas suspeitam que a causa sejam produtos químicos com que se dissolve o petróleo, após o acidente. No Alasca, também há vestígios de petróleo, 20 anos após o desastre com o petroleiro Exxon Valdez.

Um estudo encomendado pela companhia de seguros internacional Lloyds alerta para os altos riscos associados aos empreendimentos econômicos no Ártico. Charles Emmerson, do think tank Chatham House, que realizou o estudo, fala em "custos elevados, riscos ambientais e incertezas". Uma forte liderança política, gestão de riscos e pesquisas científicas seriam necessárias para enfrentar os desafios.

Meio ambiente em jogo

Pelikan Ölpest Öl Golf von Mexiko neu

Vazamento de petróleo prejudicou ecossistema do Golfo do México

John Farrel, presidente da Comissão de Pesquisa sobre o Ártico do governo norte-americano, enfatiza a necessidade de coletar mais dados sobre a região. O Ártico está se aquecendo duas vezes mais rápido do que o resto do planeta. É cada vez mais improvável que a pesquisa possa manter o passo na corrida para lucrar com os recursos da área.

O groenlandês Aqqualuk Lynge preside a organização Inuit Circumpolar Council, que exige cuidado e sustentabilidade na exploração dos recursos naturais do Ártico. Lynge critica a velocidade com a qual o processo avança. É questionável se realmente se tem a capacidade tecnológica para perfurar com segurança nas águas da região, sem afetar as focas e baleias que lá vivem. Lynge representa os cerca de 160 mil indígenas inuítes que habitam o Alasca, o Canadá, a Groelândia e a Rússia.

A extração e o transporte de petróleo no Ártico representam um grande desafio em termos de segurança e infraestrutura. "Quanto mais ao norte trabalharmos, menos luz se tem no inverno", diz Jörn Harald Andersen, consultor da Norwegian Clean Seas Association, associação que dá suporte a empresas que operam em águas norueguesas na eliminação da poluição petrolífera.

Além disso, também são obstáculos a visibilidade devido à neblina, as baixas temperaturas e a falta de infraestrutura. "Temos que transportar muitos equipamentos e pessoal para lá. Praticamente não há suporte local e a logística é muito mais difícil do que em outros lugares", diz Andersen.

Ecossistema em perigo

Ölplattform

Extração e transporte de petróleo no Ártico são desafios de segurança e infraestrutura

As organizações ambientais WWF e Greenpeace questionam se a indústria petroleira está preparada o suficiente para um grande vazamento de petróleo no Ártico. A assinatura de um acordo de resgate marítimo pelo Conselho do Ártico no ano passado não basta para garantir a segurança na expansão da extração e transporte de petróleo na região, considera Frida Bengtsson, do Greenpeace da Noruega.

As vastas áreas do Ártico são difíceis de se acessar, caso seja necessário reagir a um vazamento de petróleo. "Em minha opinião, esta é a principal ameaça imediata para o ecossistema ártico", diz a ativista do Greenpeace. Além disso, ela se preocupa com os efeitos de longo prazo sobre as mudanças climáticas globais, que seriam agravadas pela queima de petróleo.

Autoria: Irene Quaile (lpf)
Revisão: Augusto Valente

Leia mais