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Mundo

Rússia e EUA disputam avanço militar contra EI na Síria

Mídia russa diz que, em apenas poucas semanas, investidas aéreas contra os jihadistas suplantaram um ano de esforços da aliança internacional liderada pelos americanos. Especialistas internacionais questionam.

Segundo os meios de comunicação da Rússia, em apenas alguns dias a Força Aérea do país teria avançado mais na luta contra a milícia terrorista do "Estado Islâmico" (EI) na Síria do que a aliança militar liderada pelos Estados Unidos em mais de um ano.

"Isso é estranho", comenta Steven Pifer, especialista em Leste Europeu do Brookings Institute de Washington, ressaltando que apenas uma pequena parcela das ofensivas aéreas russas na Síria se dirigiu contra o EI.

Michael O'Hanlon, seu colega do instituto, afirma que o procedimento russo contra os jihadistas é "altamente ineficaz". Do ponto de vista de Moscou, acrescenta, só se pode considerar os ataques aéreos bem sucedidos se a meta era reforçar a posição do presidente sírio, Bashar al-Assad.

Na opinião de Stephen Blank, do American Foreign Policy Council, a versão divulgada pelo noticiário seria "típica ostentação russa". Para ele, é impossível "conseguir com algumas bombas, em poucos dias, aquilo para que foram precisos meses".

Symbolbild Russland Syrien Luftschläge

Ministério da Defesa de Moscou divulgou imagens de ataques aéreos contra EI

Ofensiva de solo à vista?

Há mais de um ano a coligação militar sob comando americano vem enviando ofensivas aéreas contra o EI. Segundo Washington, grande parte dos voos se realiza em território iraquiano. O Pentágono registrou, até o fim de setembro, mais de 7 mil bombardeios, dos quais 4.500 contra as forças do EI no Iraque.

A Rússia só iniciou no fim de setembro seus ataques aéreos – oficialmente também contra a milícia terrorista islâmica –, até o momento restritos apenas à Síria. Contudo, veículos de comunicação internacionais e russos especulam sobre uma extensão das operações ao território iraquiano.

O Ministério da Defesa em Moscou registra cerca de 20 ataques da Força Aérea nacional por dia, desde o início de sua operação. Na quarta-feira (07/10), pela primeira vez, a Rússia mobilizou navios de guerra no Mar Cáspio, para lançamento de mísseis contra alvos na Síria.

O especialista do Brookings Institute Michael O'Hanlon acredita que a intenção primária de Moscou é proteger Assad e sua base marítima no porto sírio de Tartus. Ele não descarta a possibilidade de uma ofensiva de solo das tropas russas, que, no entanto, não seria em grande escala. Enquanto a mídia ocidental já fala de preparativos para uma operação de solo, o Kremlin tem repetidamente desmentido qualquer plano nesse sentido.

Alvo incerto

Alexandra de Hoop Scheffer, da sucursal do German Marshall Fund em Paris, especula que o presidente Vladimir Putin também poderia enviar à Síria assim chamados "voluntários" – tática já adotada por ocasião da anexação da península ucraniana da Crimeia, em março de 2014.

Scheffer calcula que uma ampliação da presença militar russa na Síria permitirá ao Kremlin "definir melhor os alvos de suas ofensivas, obtendo uma significativa vantagem tática em relação à coalizão encabeçada pelos EUA".

No entanto, "ainda é controverso" quem, exatamente, os russos estão atacando, ressalva Hans-Georg Ehrhart, do Instituto de Pesquisa da Paz e Política de Segurança da Universidade de Hamburgo.

Enquanto o governo Putin declara que a intenção é investir contra o EI, o Ocidente afirma que também estão sendo bombardeados postos do Exército Livre Sírio – alegação que Moscou nega, por sua vez. Ehrhart, contudo, se diz seguro de que a Rússia está estabilizando as regiões dominadas por Assad na Síria – o que vai contra as intenções da comunidade internacional.

USA Wladimir Putin und Barak Obama bei der UN Generalversammlung in New York

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Hesitação americana é chance para Putin

Com as notícias de êxito militar na Síria, a Rússia quer mostrar que as possibilidades das forças americanas são limitadas, explica Alexandra de Hoop Scheffer. "Essa avaliação é, em parte, correta. O cansaço de guerrear e a indefinição dos EUA possibilitaram que Putin entrasse no jogo e assumisse a iniciativa diplomática e militar."

Os especialistas consultados pela DW são unânimes em apontar que a mobilização russa na Síria torna ainda mais complicada a situação na região. "A aliança sob comando americano não quer nem uma guerra indireta com a Rússia, nem permitir que Moscou desvie os EUA e seus aliados da luta contra o EI", diz Scheffer, do German Marshall Fund.

Assim, a fim de evitar uma desestabilização ainda maior na região, Washington buscará uma cooperação política e militar com a Rússia no Oriente Médio, calcula a especialista da agência em Paris.

Em relação às reais intenções russas ao intervir na Síria, Stephen Blank, do American Foreign Policy Council, parte do princípio que Moscou pretende fortalecer sua posição militar e política no Oriente Médio – como na época da União Soviética.

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