Quinze anos depois, Sérvia se desculpa oficialmente por Srebrenica | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 31.03.2010
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Mundo

Quinze anos depois, Sérvia se desculpa oficialmente por Srebrenica

Resolução aprovada no Parlamento sérvio se desculpa junto às famílias das vítimas do genocído de 1995. País, que tenta se aproximar da UE, se compromete a capturar líder que comandou massacre.

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Nome das vítimas em monumento em Srebrenica

O Parlamento sérvio aprovou nesta quarta-feira (31/03) uma resolução histórica: 15 anos depois, o país condenou oficialmente o massacre de Srebrenica, que matou 8 mil bósnios muçulmanos.

O texto, aprovado por 127 dos 173 deputados, se solidariza com as famílias das vítimas e pede desculpas "por não ter sido feito todo o possível para evitar a tragédia".

Alguns parlamentares consideraram o texto injusto por ignorar crimes de guerra cometidos contra sérvios. O debate encerra anos de discussão sobre a responsabilidade e a extensão dos crimes. A aprovação da resolução levou 13 horas e foi transmitido ao vivo pela televisão sérvia.

O país prometeu seguir cooperando com o Tribunal Penal Internacional da ONU, em Haia, e ressaltou a importância de se "descobrir e prender Ratko Mladic para que ele seja julgado."

Mladic é o fugitivo mais procurado por crimes de guerra. Ele estava no comando das tropas que tomaram a cidade de Srebrenica e conduziram o massacre em 1995. Acredita-se que ele esteja escondido na Sérvia.

A captura de Ratko Mladic é um entrave na aproximação da Sérvia com a Europa. Em dezembro último, o país se candidatou ao ingresso na União Europeia, no entanto, para que as negociações com o bloco sejam iniciadas, a Sérvia precisa prender Mladic e mandá-lo para julgamento no tribunal em Haia.

Srebrenica Flash-Galerie

Vista da cidade de Srebrenica

Julgamento paralelo

Nesta segunda-feira (30/03), um tribunal civil na Holanda decidiu que a Organização das Nações Unidas não pode ser processada ou responsabilizada pelo genocídio em Srebrenica. Uma decisão semelhante já havia sido proferida em julho de 2008.

"Na convenção internacional relacionada à fundação das Nações Unidas está claro que a Organização das Nações Unidas não pode ser levada a qualquer tribunal nacional em nenhum dos estados-membros", esclareceu o tribunal em Haia.

Advogados representando mais de 6 mil famílias de vítimas de Srebrenica moveram diversos processos contra as Nações Unidas e a Holanda, alegando que ambas falharam na prevenção às mortes de 1995. A acusação foi feita pelo grupo "Mães de Srebrenica".

Srebrenica 13 Jahre nach dem Massaker

Enterro em massa ocorrido em 2008

A história de Srebrenica

Em 1993, em plena guerra na Bósnia (1992-1995), Srebrenica foi declarada cidade protegida pelas Nações Unidas. Nesta época, as tropas de capacetes azuis estavam sob o comando holandês.

Em junho de 1995, o Exército sérvio-bósnio bombardeou postos de observação da ONU nos arredores de Srebrenica, fazendo com que os soldados holandeses se refugiassem na zona de proteção. O ataque aberto à cidade ocorreu no dia 6 de julho.

O que aconteceu a seguir é considerado o maior crime contra a humanidade ocorrido na Europa depois da Segunda Guerra Mundial. Homens e garotos muçulmanos foram feitos prisioneiros e levados para estádios, escolas e fábricas para serem posteriormente assassinados.

O antigo líder dos sérvios na Bósnia, Radovan Karadzic, está preso e começou a ser julgado pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia, mas o julgamento foi adiado por tempo indeterminado.

NP/afp/rts

Revisão: Roselaine Wandscheer

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