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Alemanha

Que barato!

Ivã, o terrível versus Olga, a ambiciosa: pintor russo radicado em Berlim populariza um "esporte" inusitado. Corrida de baratas é a nova atração em festas, não apenas na capital alemã.

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Baratas, o novo barato em Berlim

O arrepio de asco ou medo faz parte do frisson, quando sete vezes três pares de patas finas avançam rapidamente sobre o fundo verde. Os donos das patas têm nomes bem sonantes: Olga III, Ural, Pamir, Nina, Pioneiro, Dukat e Ivã, o Terrível. Geralmente consideradas asquerosas, as baratas são protagonistas de uma competição inusitada que se realiza regularmente no Clube Tarakan, em Berlim, atraindo muitos torcedores.

O pintor Nikolai Makarov, iniciador e organizador das corridas, conhece cada uma de suas atletas. "São tão sensíveis, correnteza de vento seria uma catástrofe para elas." Sempre vestido de preto e portando trancinha e óculos, o russo de 50 anos se admira de ter conseguido mais sucesso com suas baratas do que com os quadros em que pinta paisagens difusas por trás da névoa.

"Tive a idéia ao ler um livro do escritor russo Mikhail Bulgakov", conta Makarov, que se mudou de Moscou para Berlim Oriental em 1975 e hoje se divide entre a capital alemã e Nova York. Bulgakov narra em seu romance satírico A Fuga sobre russos exilados em Constantinopla, depois da Revolução de 1917, que se divertiam organizando corridas de baratas. Achando a idéia engraçada e maluca ao mesmo tempo, o pintor resolveu colocá-la em prática, primeiro em festas da comunidade russa em Berlim.

Show já virou instituição em Berlim

Agora, o fã-clube não pára de crescer. As baratas já foram contratadas para competir em shows promovidos por bancos, desfiles de moda e até pela Berlinale. Ao Clube Tarakan, comparecem profissionais autônomos, universitários e artistas para apostar nos insetos: cinco euros, concorrendo a vodca ou caviar. "Não dá para ficar rico", assegura Makarov, cujo show — inclusive acompanhamento musical — já é visto como uma instituição na capital.

Quando levadas para competir fora, as baratas — que pesam seis gramas e chegam a viver seis anos — são acondicionadas em caixas de plástico transparente. Mas Makarov não quer submetê-las a muito estresse: não organiza mais do que dez competições por ano. O pintor entusiasma-se ao falar dos insetos, dos quais existem 3500 espécies no mundo, e que ele considera mais inteligentes do que os dinossauros: "Afinal, as baratas conseguiram sobreviver até hoje".

Os insetos de até sete centímetros de comprimento e provenientes da Austrália e da América do Norte — o pintor só não revela como os trouxe para a Alemanha — ficam acomodados num lugar quentinho no ateliê do artista, dentro de vidros etiquetados com os respectivos nomes. São 30 aptos a competir e mais uns 20 novinhos, que ainda precisam revelar se têm jeito para as corridas.

Talento e ambição

Antes de se qualificar para a competição, os bichos precisam treinar muito, principalmente o reflexo da partida quando soa o tiro de pistola. As pistas de competição são separadas entre si por plexiglas. Quatro segundos para o percurso de dois metros são considerados uma boa performance. Para que todos os presentes possam acompanhar e torcer, a corrida é projetada num telão. E uma câmera na chegada tira qualquer dúvida sobre quais patas foram as mais velozes.

Ivã, o Terrível, como o próprio nome indica, sobressai-se pela agressividade. Mas Makarov tem mesmo orgulho de Olga III: "Ela presta muita atenção na partida, é super ambiciosa e tem uma excelente condição". Olga III já está na lista das escaladas para o projeto mais ousado do artista: uma competição em Las Vegas, ainda neste ano.

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