Quanto dinheiro é necessário para salvar o euro? | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 29.03.2012
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Economia

Quanto dinheiro é necessário para salvar o euro?

Setecentos bilhões de euros? Ou até mesmo um trilhão? Os fundos para o resgate da moeda comum europeia comportam valores cada vez maiores e não param de crescer. Quanto dinheiro de fato será necessário, ninguém sabe.

Quanto dinheiro é necessário para salvar o euro? Essa não é uma pergunta que as autoridades europeias consigam responder facilmente. O comissário europeu para assuntos econômicos, Olli Rehn, levará à próxima reunião dos ministros das Finanças da União Europeia (UE), marcada para esta sexta-feira (30/03) e sábado, em Copenhague, a proposta de 940 bilhões de euros. "Isso nos ajudará a dissipar dúvidas sobre a nossa determinação em superar a crise", declarou o político finlandês esta semana em Bruxelas.

Já o governo alemão avisa: 700 bilhões de euros terão de ser suficientes. A chanceler federal alemã, Angela Merkel, submeteu seu plano à aprovação de todos os partidos da coalizão de governo. Ela quer combinar o atual Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) com o novo e permanente Mecanismo de Estabilidade Europeu (MEE).

"O FEEF expira em meados do ano que vem, como planejado, e 200 bilhões de euros estão previstos lá. Nós podemos imaginar que esses 200 bilhões continuem a valer em paralelo com os 500 bilhões do MEE até que sejam reembolsados pelos países do programa", explicou Merkel.

Durante meses, a chanceler federal e o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, recusaram-se a aceitar um aumento no valor destinado ao resgate. Mas nesse meio tempo todos os ministros da zona do euro já perceberam que o mercado quer um sinal claro dos políticos.

É o suficiente?

Olli Rehn Brüssel

Olli Rehn quer 940 bilhões de euros para o fundo de resgate

É difícil, entretanto, definir valores concretos, diz o especialista em finanças Guntram Wolff, do Instituto Bruegel, em Bruxelas. Segundo ele, os ministros precisam conquistar principalmente confiança. Já o tamanho do fundo depende de que problemas se pretendem resolver com ele.

"No momento, trata-se principalmente de dar um sinal aos investidores internacionais de que estamos falando sério. Mas é relativamente fácil calcular que, se um grande país como a Espanha perder acesso ao mercado financeiro e precisar usar o fundo de resgate, a soma terá que ser muito maior. E nem vamos falar na Itália", diz Wolff.

Fica a dúvida se o atual fundo de resgate é de fato adequado para resgatar dois grandes países. Só a dívida pública da Itália soma cerca de 1,8 trilhão de euros. "Cada vez mais pessoas duvidam disso", afirma Wolff.

Como a bomba atômica

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, exije com frequência dos ministros da UE que ampliem cada vez mais o mecanismo de proteção. A receita norte-americana é simplesmente colocar recursos ilimitados à disposição dos países endividados, algo que até agora a Europa não quis fazer. Na visão europeia, um fundo de resgate infinito não incentiva os países em crise a adotarem reformas e muito menos a economizar.

O secretário-geral da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), Angel Gurria, defende um fundo de resgate no valor de 1 trilhão de euros. Para ele, trata-se de uma questão psicológica. "Se o mercado espera 50 e exige 70, dê 100. Aí ele não vai duvidar da sua capacidade e disposição", argumentou.

Ou seja, quanto maior for o fundo de resgate, menor será a probabilidade de que ele precise ser usado. Raciocínio semelhante segue a França, que também defende um fundo de resgate de 1 trilhão de euros. "É mais ou menos como a bomba atômica", disse o ministro Francês das Finanças, François Baroin. "Ele é feito para não ser usado, para intimidar."

Longe do fim

Passados dois anos de crise na zona do euro, Merkel quer tranquilizar a sua base aliada em Berlim. Após a reestruturação da dívida da Grécia e da assinatura do pacto fiscal, a ampliação do fundo de resgate seria o passo crucial para sair da crise, defende ela.

Ao que parece, no entanto, a crise está fazendo apenas uma pausa. O comissário Rehn já alertou publicamente para graves problemas na Grécia. "A falta de unidade política dificulta a implantação das reformas. A velocidade com que as finanças públicas estão sendo saneadas não é suficiente", disse.

Com a aprovação e implementação dos fundos de resgate FEEF e MEE, a Alemanha quer pavimentar o caminho para novas fontes de financiamento e resgate. O FMI e o G20, grupo das 20 maiores economias do mundo, só querem dar mais ajuda à Europa se a própria UE tiver dinheiro suficiente nas mãos.

Merkel espera que o FMI crie um fundo especial com 500 bilhões de euros para os países da União Europeia afetados pela crise. A metade desse valor deve vir de países fora do bloco. De onde virá a metade europeia, ainda não se sabe.

Autor: Bernd Riegert (ff)
Revisão: Alexandre Schossler

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